segunda-feira, 10 de junho de 2019

“Somos uma família, papai”



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“Somos uma família, papai”
Fabíola Sperandio Teixeira
Pedagoga – Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

        
         Cansada de ver os pais em conflito, percebendo o clima existente entre os pais, Laura resolve agir. Em uma atitude inesperada e repentina, a pequena menina de 3 anos pega na mão da mãe e a leva até o pai. Une as mãos dos pais às dela e diz: “Nós formamos uma família. Não briguem. ”
        O que levou essa criancinha a agir assim? Com certeza, ela já tem bem arraigado o conceito de família. Com certeza, também, é uma criança que conhece o amor através dos próprios pais. Percebendo que a harmonia estava comprometida, saiu em uma ação pró ativa espetacular e neutralizou o clima. Fez com que os pais parassem para pensar sobre o que estava acontecendo e se realmente era esse o caminho.
        Laura, nesse momento, deu uma lição de conceito e princípios. Ok! Até aqui nos encantamos e felicitamos a pequena menina. Porém não podemos desconsiderar que a ação foi movida por amor e também pela dor. Crianças sofrem em perceber que os pais estão em desentendimento. Não possuem maturidade suficiente para compreender que pode ser uma situação passageira, elas temem perder o porto seguro que possuem através da união familiar.
        Claro que não processam tudo isso conscientemente. É como se um alerta fosse soado internamente, dizendo a elas que algo não vai bem e que elas podem estar em perigo. Laura pode não ter compreendido tudo isso, no entanto, instintivamente agiu como pôde para buscar o “seu chão”.
        Este alerta precisa acender para os pais dessa pequena. Precisam compreender a situação e criar um mecanismo de não a expor tanto ao mundo os adultos/casais. Com apenas três anos, é completamente desnecessário que a criança esteja presente em momentos de conflito. Aos pais, cabe a missão de preservá-las de tudo o que possa gerar desconforto emocional que não esteja ao alcance da sua maturidade.
        A cada dia que passa, nos deparamos, nas instituições e nos consultórios, com a fragilidade emocional das nossas crianças. Tudo isso, fruto da exposição exagerada aos conteúdos adultos.  Algumas famílias, como a de Laura, que se deparam com ações que sensibilizam, não sabem como agir. Chegam a provocar cenas conflituosas só para verem a criança ser “engraçadinha”, na busca da reconciliação. Aqui há um grave erro. Não brincamos com o emocional de ninguém, muito menos de uma criança em formação.
        Laura precisa ser valorizada por sua sensibilidade e seu gesto de grandeza, mas precisa sim ser observada e orientada para se fortalecer em sua estrutura sem que perca a ternura.
        Que as famílias se despertam para o que têm feito diante dos pequenos. E se os pequenos presenciam algo, como trabalham a questão em prol de uma estruturação que não gere prejuízos emocionais futuros.
        PAIS, acordem para responsabilidade com suas crias. Amem-nos com responsabilidade. O que isso significa? Não basta só amar e oferecer tudo de material, é preciso também oportunizar crescimento emocional.
       

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