quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Levei um choque! Choque estica ruga?
Levei um
choque! Choque estica ruga?
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
De
repente um choque! Não foi um choque elétrico, mas de realidade. Francisca, é como irei nomeá-la, chega após
uma visita a uma loja de departamentos aparentemente anestesiada.
Arrisco a
perguntar o que houve. Pronto! Foi como um gatilho. Francisca abaixa a cabeça e
diz: “Por que trabalhei tanto? Por que
estudei tanto? Minha vida passou e eu envelheci. Estou cheia de marcas no
rosto. Minha face está sem saúde. O tempo voa.”
Pude
perceber a tristeza daquela mulher. Abracei-a demoradamente e procurei não
negar os seus sentimentos, mas extrair o lado positivo desse tempo que diz ter
passado tão rápido e não o ter aproveitado. Francisca lamentava, sem deixar
cair uma lágrima, porém podia ouvir seu choro interno, o quanto tinha sido dura
consigo mesma.
Conversamos,
demoradamente, sobre a experiência de vida adquirida. Falamos sobre alegrias e
dores. Francisca insistia nas rugas do seu rosto.
Audaciosamente
a convidei para ir até o espelho comigo. Ela aceitou timidamente. Custou a levantar
o olhar. Quando se encarou no espelho, eu propus nomear as ruguinhas. Ela me
olhou sem entender. Insisti: “Vamos, Francisca, vamos brincar de dar nomes a
essas ruguinhas?!” Ela deu meio sorriso. Meio? Sim. Aquele sorriso “meia boca”.
Então,
comecei a estimulá-la a se recordar das experiências e atribuí-las a cada marca
de expressão. A cada nome que ela falava, eu pegava a sua mão e a levava até
uma das marcas. As próximas nomeações eu nem precisei encaminhar a sua
mãozinha, ela já fazia com leveza.
De
repente começou a sorrir e, quanto mais sorria, mais rugas apareciam. Só que
Francisca não estava sofrendo ao vê-las, pelo menos naquele momento. Parecia
que já estava achando bom ter mais rugas para nomear ainda mais. Estávamos
rindo e brincando com aquilo que, pouco tempo atrás, a fazia sofrer.
Percebi
que a acolhida, o encarar “o problema” e a leveza recheada de humor fizeram a
Francisca repensar a sua dor.
E quantas
dores a gente enfrenta diariamente, não é mesmo? Quantas vezes pensamos no que fizemos ou
deixamos de fazer? Já presenciei sofrimento de criança de 6 anos lamentando a
educação infantil que se está encerrando, achando que a infância passou muito
rápido.
Existem
várias Francisca dentro de nós. Às vezes a escondemos, outras vezes a
enfrentamos. O que vale nesta vida é o que a gente aprende, com ou sem
ruguinhas, né, Dona Francisca?
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
A grama do vizinho é mais verdinha! Será?
A grama do vizinho é mais verdinha! Será?
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
O
provérbio “A grama do vizinho é sempre mais verde” me faz refletir sobre os
comentários que crianças, jovens e adultos fazem ao visitar as redes sociais e se
depararem com uma enxurrada de exposições fotográficas e de frases remetendo a
um conceito de vida fácil, festiva, próspera e feliz. O trabalho do outro
é mais lucrativo, o homem da outra é mais atencioso e dedicado, a mulher do
outro é mais bem cuidada, o relacionamento do outro é mais feliz, as viagens do
outro são mais divertidas... As comparações estão proporcionando uma série de
sentimentos destrutivos à própria felicidade.
Percebo
inúmeras pessoas sentindo um vazio enorme dentro de si e buscando preenchê-lo
com um caminho que só tem aumentado o buraco. Não é possível encontrar
nada “no vizinho” que possa mudar a sua vida. Segundo Albert
Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar
resultados diferentes”. Quer ter a grama “igual à do vizinho”? O que você
está fazendo para isso? Bisbilhotando a vida dele e esparramando uma ladainha
de queixas do tipo “Ó vida... Ó tristeza... não entendo por que minha grama não
fica tão verde”? A solução não é ficar se queixando, mas buscar saídas para
alcançar o que se almeja ou acredita.
Penso que
hoje a exibição da vida alheia invade até sem querer as nossas vidas, mas
devemos ter um filtro para isso. Precisamos ter o bom senso e a maturidade para
enxergar que nem tudo que é mostrado corresponde à realidade. O que se exibe
são fragmentos de situações e não a totalidade. Todo mundo tem momentos de
sucesso e insucesso durante um dia, por exemplo. Você pode fazer um registro
feliz ao lado do seu filho na escola e ao sair, recebeu o telefonema de sua
gerente solicitando que cubra a conta bancária - esse segundo momento não
aparecerá nas redes sociais. Você pode apreciar a comemoração de uma equipe de
vendas de cosméticos, mas não imagina a dureza até chegar a esse feito, uma
venda comemorada após meses de “seca” e novas estratégias.
Acredito
que se policiarmos nossos sentimentos, muitas vezes até invejosos, diante do
que se tem mostrado na televisão e internet, encarando a vida como ela é,
teremos muito mais chances de ter paz e harmonia na nossa rotina.
Posso até,
AMADURECIDAMENTE, observar o que ocorre em volta, mas JAMAIS deixar que o
sucesso do outro seja a mola que me impulsione a conquistar algo. A motivação
não pode ser pela comparação com o que o outro tem ou mostra ter, mas por sua
força interna de alcançar suas metas. É necessária também a compreensão de que
nada acontece de um dia para o outro.
Uma pessoa
bem sucedida, com raras exceções (herança, loteria), construiu sua fortuna com
determinação e tempo; um casamento feliz é pautado da mesma forma; uma família
unida tem boa convivência e diálogo; uma viagem divertida só acontece com quem
amamos de verdade.
Caros
amigos, a conquista é tão saborosa após o plantio farto de esforços e
dedicação.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Guarda Compartilhada
Guarda Compartilhada
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Na quebra das relações maritais muitos ex-casais buscam maneiras para lidar com os frutos do casamento: os filhos. Alguns procuram entender e optar pela guarda compartilhada.
A guarda compartilhada surgiu, em formato de lei ( lei nº
11.698/08), no ano de 2008 com o objetivo de assegurar aos filhos a permanência
do convívio dos pais mesmo após uma separação.
Vale ressaltar que a guarda compartilhada não poderá ser
confundida com a guarda alternada. Guarda alternada é a divisão igualitária de
tempo dos pais com os filhos. Guarda compartilhada é a divisão de direitos e
deveres de ambos, proporcionando a convivência harmônica e saudável com
familiares maternos e paternos.
A lei traz a garantia de proteção à criança, mas não traz a
garantia da mudança de mentalidade dos adultos. Por que digo isso? Porque
grande parte dos adultos acaba por boicotar o verdadeiro objetivo da lei,
dificultam o acesso de um dos lados para convivência da criança.
Quando um casal se casa e define ter filhos, não se atenta para
que, na hipótese de uma separação, não existirá ex-filho . O filho é dos dois
para sempre. As responsabilidades afetivas e materiais também.
Por mais que alguns justifiquem que a convivência nas duas
casas para criança não é saudável pelas diferenças, isso as impede de aprender
exatamente com as mesmas. Sim! É saudável conviver com regras das duas casas,
com os costumes e com os combinados. Perceber o jeitão de cada um também é importante
na formação das crianças. Agora eu pergunto: convivendo com os pais juntos a
criança não teria que aprender o jeito de cada um? Ou você acha que é só em
casa separada que as divergências nas regras e afins ocorrem?
É notório que as diferenças aparecem mesmo em lares de
famílias de “pais juntos”. Basta conversar um pouquinho com as crianças e
adolescentes que percebemos que elas já sabem a quem pedir determinadas coisas,
já sabem como podem agir quando só um dos pais está em casa, etc.
Cada indivíduo tem um jeito de ser, um jeito de comandar, um
jeito de amar, um jeito de se doar, um jeito de corrigir, um estilo de vida, um
limite para as situações (tolerância). Essa relação com todo esse “jeito” que
nossos pequenos se deparam, no dia a dia,
é que os prepara para vida. Futuramente conseguirão lidar com chefes,
colegas, esposo/esposa, com esse aprendizado.
O que precisa ficar muito claro é que a qualidade da relação
com os pais que traz o benefício e não a determinação de tempo que cada um tem
com seu filho. Guarda compartilhada,
repito, é a divisão de dedicação em todas as necessidades e não divisão de
tempo com o filho.
Receita para essa relação? Sem chance! A convivência, a
rotina, a vivência e as inúmeras conversas entre os pais é que determinarão a
melhor maneira. O mesmo ocorre com os
casais cujos cônjuges moram juntos, o dia a dia vai norteando o fazer com os
filhos.
Nesse fazer diário, o ex-casal precisa exercitar a conversa
sobre as regras e atitudes para que a chegada da adolescência desses então
pequenos, já esteja com uma estrutura de ações para as decisões que envolvam
saídas com grupos de amigos, festas, cinemas, viagens. A concordância de
permissão ou não é fundamental para gerar um porto seguro para o filho e evitar
os “jogos de interesse” tão presentes na linguagem do adolescente.
Infelizmente nos deparamos com ex-casais muito presos a
regrinhas de convivência que não trazem prejuízo para as crianças, mas que
promovem muito desgastes entre os adultos. Mãe ou pai indagando sobre regras de
banho, horário de TV, tipos de refeição, achando que o que ocorre na casa de um
tem que se repetir na casa do outro. Ora, por quê? É importante a criança lidar
com essas regras distintas. E ao contrário do que muitos pensam, elas se
adaptam facilmente com o estilo de cada um e, ainda, conseguem avaliar o que é
melhor para elas. E, nem sempre gostam mais do lar que possui o excesso de
liberdade. Surpreso? Não fique! As
crianças e adolescentes sentem-se bem com o equilíbrio das atitudes. O pode
tudo muitas vezes soa desamor. Elas sabem que falar não dá mais trabalho.
Precisamos ficar atentos para que, quando ocorre uma
separação, por mais que a briga seja pelos bens, o maior bem deveria ser os
filhos; muitas vezes a vaidade e a ganância levam a briga pelos bens materiais
ou pelo “BEM filho”, que significará ganho financeiro e, nesse movimento, o
amor pelos filhos fica de lado. Principalmente quando reportamos a histórica
ideia do homem provedor e da mulher cuidadora. Mesmo com a mulher ativa no
mercado, e muitas vezes ganhando muito mais que o ex-marido, ela ainda luta
pelo valor financeiro às vezes até como punição. Ou não se interessam pelo
financeiro, mas assumem o filho como posse, como se fosse a única genitora (filho
sem pai ou sem necessidade de pai).
Diante de todo esse cenário, quem mais sofre é o filho.
Atendo inúmeros adolescentes chateados com as brigas dos pais. Parece-me que os
pais esquecem que serão pais eternos. Enchem-se de mágoas, rancores e
lembranças da relação marital e descontam, mesmo que inconscientemente, no filho.
Hoje nos deparamos
com uma realidade na qual os homens estão gostando de exercer o papel de pai.
Muitas crianças já estão sendo cuidadas pelo pai. Basta visitar as instituições
escolares, cursos extras , que poderão ver que a realidade mudou. Muitos pais
estão até solicitando a guarda definitiva de seus filhos. Assim como nos
deparamos com mulheres que estão abrindo mão de seus filhos para alçar voos na
profissão ou voltar a ter a vida de solteira. Outras porque a relação atual não
convive bem com seus filhos e fazem escolha pela nova relação.
Outra situação muito presente é um dos pais brigar pela
guardar e “terceirizá-la”. Triste, mas real. Encontramos crianças que “na vez”
de um dos pais, acaba ficando com avós, tios, cuidadores enquanto o responsável
da vez trabalha, passeia ou viaja. A negociação não se faz presente nos
ex-casais que disputam em vez de se unirem para criar seus filhos.
Quando o casal decide casar, junto com a decisão, vieram
sonhos e expectativas. Quando se frustram e decidem separar, precisam
amadurecer e utilizar a guarda compartilhada não como disputa ou punição, mas
como benefício de um crescimento saudável para os seus herdeiros. As crianças precisam herdar amor, diálogo,
aprendizado e não acabar por se sentirem um peso e um atrapalho na vida dos
adultos que um dia decidiram que seria “lindo” completar o casamento com
filhos.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
O que nossos filhos estão aprendendo sobre o amor? Parte II
O que nossos filhos estão aprendendo sobre o amor ?
Parte II
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Voltei ao tema, mas de forma diferente. É que esse título tem muito a ver com o que vou “falar”.
O que nossos filhos estão aprendendo sobre os diversos tipos de amor: amor de amigo, amor de irmão, amor de primo, amor de mãe, amor de pai, amor de vizinho, amor de avó, amor de avô, amor de amor.
Encontrei uma criança com ar de muito preocupada. Sentei perto e “puxei um papo”. Aos pouco fui conquistando sua simpatia e segurança e ela revelou a sua preocupação. Estava encucada e pensativa se ela era homossexual. Perguntei o que sabia sobre homossexualidade e, aos 10 anos, ela me deu uma aula. Diante do conceito oferecido por ela, perguntei o que a fazia pensar que era homossexual e, aflita, me disse: “amo minha melhor amiga”.
Então, perguntei como era esse amor, o que sentia, o que pensava. Ela, empolgadamente, disse que adorava brincar, fazer tarefa, telefonar, conversar e rir com a amiga e que não conseguia mais ver sua vida sem a companhia dela. Olhei-a, com ar de mistério disse-lhe: “sério???”. Ela abaixou os olhos e eu completei: “tenho a resposta para a sua dúvida” . Comecei a lhe explicar que ela estava tendo um lindo amor de amiga.
Entendi perfeitamente a confusão da cabecinha dela. É só parar para observar o mundo atual. Os vários tipos de relacionamento existentes hoje, propagados pela televisão, filmes e locais públicos estão trazendo uma ideia de amor entre duas pessoas focadas em relacionamento sexual e esquecendo-se de mostrar que podemos amar pessoas do mesmo sexo sem o interesse sexual. Fiz-me entender?
Nesse momento entra os vários tipos de amor. Se amo minha amiga pelo que ela representa para mim como pessoa, não significa que a amo ao ponto de transformá-la em minha companheira de relacionamento sexual. Porém o excesso de informações focadas na sexualidade está trazendo uma mensagem completamente equivocada para os nossos jovens sobre o amor. A facilidade de dizer “TE AMO” é outro agravante. Antes "te amo" era para os casais e familiares, hoje a expressão tem sido usada sem o mínimo de cuidado ao verdadeiro sentido da mesma. Acabam de conhecer uma pessoa e ela já vira melhor amiga e já escuta TE AMO.
Toda essa mistura tem causado um verdadeiro rebuliço na cabeça dos pequenos. E acontece bem na entrada da adolescência onde tudo encuca e onde ocorre o maior número de “zoações”.
Como os adultos também entraram nessa onda, que irei chamar de “excesso de sentimentos”, nossas crianças estão sem exemplo. De repente flagram a pessoa da confiança delas também imatura nas relações e confusa nos sentimentos, com toda certeza também poderá ter dificuldade de detectar que tipo de amor está presente em determinadas situações.
Descobrir o amor não é muito fácil. Achar que está amando é facílimo, até você conhecer alguém que mostra o verdadeiro amor para você. Essa gangorra de sentimento tem um nome: amadurecimento. Amadurecer é esse ir e vir, esse descobrir, essa confusão até o ápice do entendimento.
Cada um tem o seu momento de perceber os vários tipos de amor e quando descobrem que podem amar várias pessoas de formas diferentes, nosssaaaaaa, é muito gratificante! Amo minha mãe de uma maneira muito diferente de como amo meu pai. Claro! São tão diferentes! Não falo em mensurar amor. Isso não! Falo em formato de amor.
Voltando à garotinha, uma semana depois a reencontrei. Estava tão aliviada que conseguiu me dar um generoso abraço. Acho que o abraço entregue veio ao perceber que ela também podia experimentar outros tipos de amor com pessoas do mesmo sexo.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Ai! Que medo de crescer !
Ai! Que medo de crescer !
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Hoje
recebi uma visita de uma linda jovem que retornou para contar do término de
mais um ciclo de sua vida estudantil. Ao me abraçar, ela agradeceu pelo que
aprendeu em anos de convivência e depois falou no meu ouvido: “Eu tô com
medo...”
Pude
perceber, ao afastá-la e olhar bem nos seus olhos, o medo enormeeeeeeee de
crescer. Sim! Crescer muitas vezes amedronta.
Acontece
que, quando somos pequenininhos, recebemos estímulos para contar sobre o nosso
dia, sobre os amiguinhos e como estamos. A família espera que falemos
facilmente das nossas relações com os colegas, brinquedos, desenhos e
filminhos. Dentro de esse falar “facilmente”, os genitores procuram em suas
crias sentimentos, buscam conclusões e avaliam como tudo está acontecendo com o
desenvolvimento de seus filhos . A
criança é questionada sobre o seu dia e ainda atribuímos o comando de falar a
verdade, uma vez que pregamos que criança não mente jamais.
Aí está
o X da questão. À medida que nossos pequenos vão crescendo, eles deparam-se com
a distância entre o que pedimos e o que o mundo dos adultos pratica. Isso
mesmo! Por que o susto? Nossas crianças começam a flagrar pequenas situações
diárias nas quais percebem que ser adulto não é muito fácil e muitas vezes ,
também, não é muito verdadeiro.
De
repente a aproximação dos coleguinhas já não é mais tão facilitada. A agenda
está mais apertada com as aulas extras, a família já se preocupa com as
amizades e seus comportamentos, os primos, tios e avós já não possuem mais o
mesmo tempo de dedicação a eles. Esse conjunto de coisas culmina para a
experiência do distanciamento de tudo que era tão próximo. Então, crescer passa
a ter outro sentido: entender tudo isso!
Chega
a hora de caminhar para fase adulta e, junto com essa “hora”, começam as
descobertas que acontecem muitas coisas estranhas nas relações das pessoas.
Muita coisa que jamais foram pensadas até então: relações por interesses, desculpas
infundadas, fuga de situações, pequenas e grandes mentiras para se safar de algo,
jogos de “espertezas” e distanciamento dos valores.
Uai! Mas cadê o comando de não mentir jamais? Nessa hora algum flash passa pela cabeça e começa a reconstrução do caminhar. Na busca da rota, se tornam adultos. Daí, a decepção que muitos enfrentam quando, finalmente, se tornam adultos. Perceber que alguns conceitos se vão. E para “atormentar “ ainda mais, muitos conceitos que serão refeitos foram construídos pelas pessoas em quem eles mais confiaram. Nesses movimentos, também percebem que foram motivados a falarem sobre tudo, mas que agora, quando adulto, muita coisa é melhor nunca ser dita.
Então
o que é ser adulto? Bom, ser adulto é
experimentar um mundo diferente dos contos de fadas e ainda ser resiliente. Ser
resiliente é ter a capacidade de enfrentar transformações, desafios, traumas,
reelaborando as situações e recuperando-se frente a elas.
E para completar, saímos do ditado “criança não mente jamais” para o
ditado “faça de um limão, uma limonada”. Sim, ser adulto é conseguir colocar
humor em tudo que aparece. É ser capaz de rir dos problemas e transformá-los em
piadas cotidianas. E cá para nós, somos especialistas nisso aqui no nosso país.
Toda essa escrita aqui foi utilizada com a linda jovem nesse encontro em
forma de diálogo. Ao ouvir tudo com os olhos cheios de água, ela diz: “Mas tia,
eu não sei o que quero ser, mas não vejo a hora de fazer 18 anos para dirigir e
ir à balada.”
Ela não é diferente da maioria que almeja chegar a tão falada maior
idade. Nesse momento, o misto de medo e o prazer da conquista se misturaram. É
como se me dissesse: quero usufruir dos benefícios da maior idade na área do
lazer, mas estou cheia de medo do dever. Naquele momento, eu não podia
confessar a ela, mas, com certeza, eu sei muito bem como é isso, pois até hoje,
após ter feito 18 anos há algum tempo ( kkkkk), eu também tenho meus medos da
vida adulta, eu também queria muito poder ter muito mais lazer que o dever, mas respirei e com um
sorriso bem acolhedor, eu disse: “Sabia que eu tenho muito segurança de que
você está preparada para essa transição?”
Esse processo é muito importante para essa nova etapa. A construção e desconstrução
e a nova reformulação dos conceitos é o
CRESCER! A diferença da vida adulta precisa ser compreendida e não julgada. Não
podemos mostrar a realidade adulta para os nossos pequenos que não possuem
maturidade para entender. À medida que vão caminhando para esse processo,
naturalmente vão conhecendo as exigências desse novo mundo e se adaptando.
O medo de crescer não perderá nunca, eu acho. Só trocará de nome: medo conhecer,
medo de relacionar, medo da profissão, medo de envelhecer... Mas podemos trocar
a palavra MEDO por CORAGEM. Ficaria assim: coragem para conhecer, coragem para
relacionar, coragem para envelhecer. Isso! Coragem! A estrutura que recebemos
na infância é o alimento da coragem.
Vá em frente, minha jovem. E volte no encerramento do novo ciclo para me
contar.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Ainda pulsa...
Ainda pulsa...
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Quem lembra da música O PULSO – Titãs?
Quem lembra da música O PULSO – Titãs?
Na música eles falam de doenças que acometem o nosso corpo e mesmo assim sobrevivemos.
Vamos atualizá-la?
Hoje, acredito que estamos dominados pelas doenças psicológicas e sociais.
Estamos adoecendo nos valores e nos sentimentos. Não temos mais paciência com o outro e muito menos conosco mesmo. De repente a voz de quem tanto amamos irrita. Os defeitos que eram “lindinhos” gritam em desarmonia. Por quê?
Porque estamos tão contaminados com o ritmo do fazer e ter que estamos perdendo o prazer em conviver harmonicamente com o outro.
No trânsito encontramos verdadeiros competidores. A gentileza passa longe. No comércio deparamos com atendentes desanimados e os atendentes encontrando clientes apressados e irritados.
Por que permitimos tal comportamento? Por que não o freamos assim que o percebemos?
Será que estamos conseguindo ser felizes quando magoamos, maltratamos e ferimos o conhecido e o desconhecido?
A letra da música atualizada seria assim...
O Pulso
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...
O pulso ainda pulsa...
Peste de tempo
rotina, correria
Raiva, névoa
mágoa e esquizofrenia
Rancor, tensão
ansiedade, histeria
Encefalite, insanidade
Nervo e agonia...
rotina, correria
Raiva, névoa
mágoa e esquizofrenia
Rancor, tensão
ansiedade, histeria
Encefalite, insanidade
Nervo e agonia...
E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa
Psoríase, insônia
Estupidez, falta de alegria
Irritação, isolamento
Pânico
Depressão, bipolaridade
agorafobia, distimia
estresse, ciúmes
anorexia, bulimia...
Estupidez, falta de alegria
Irritação, isolamento
Pânico
Depressão, bipolaridade
agorafobia, distimia
estresse, ciúmes
anorexia, bulimia...
E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...
E o corpo ainda é pouco
Assim...
Demência, tabagismo
alcoolismo, disritmia
Delírios, alucinações
perseguições, hipocrisia
impaciência, obsessão
impulsividade, letargia
desprezo, culpa, psicose
abusos, paranoia, mania...
alcoolismo, disritmia
Delírios, alucinações
perseguições, hipocrisia
impaciência, obsessão
impulsividade, letargia
desprezo, culpa, psicose
abusos, paranoia, mania...
O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
Pulso
Pulso
Pulso
Pulso
Pulso
Pulso
Pulso
Assim...
Triste, né? Que tal uma vacina para combater isso?
São tantas campanhas na internet, e pelo jeito dão certo, que tal essa campanha: ofereça um sorriso largo e gentil para cada “doente social”.
Encontrou um apressadinho no trânsito: sorria!
Alguém dirigiu uma palavra grosseira: sorria!
Você está irritado: vá até o espelho e sorria para você mesmo.
Tem medo de parecer doido? SORRIA!
Afinal, dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco, então seja louco para fazer o bem!
Letra original - Arnaldo Antunes - http://www.vagalume.com.br/titas/o-pulso.html
http://www.arnaldoantunes.com.br/new/
http://www.arnaldoantunes.com.br/new/
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Um café para dois
Um café para dois
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Você gosta de café? Eu adoro! E um café
acompanhado? Como é maravilhoso poder sentar-se em um local aconchegante e pedir um café para
duas pessoas que vão tirar um tempo para, a cada gole, trocar uma ideia olho no
olho.
Sim! Genteeeeeeeeeeeeeeee, cadê o olho
no olho? Nesta era digital, o único olho no olho que recebemos são
aquelas inúmeras “figurinhas” de olhos de todo jeito no whatsApp e
afins.
Não posso desconsiderar
a tecnologia porque ela também aproxima as pessoas. Recebemos
notícias de um bocado de gente que até poderia sumir para sempre, mas
temos que acrescentar os convites para o café . Precisamos investir no contato
presencial. Hoje, até nossos cursos, muitas vezes, acontecem em EAD ( distância/ vídeo conferências ).
Hoje, amanheci pensando nisso. Será que tenho propiciado em minha vida esse momento de resgate dos amigos, familiares, colegas fora da rotina de trabalho? Como tem sido a dinâmica de vida: só dedicação ao estudo e trabalho ou um tempo para as relações pessoais?
Um
café para dois! Um café para três! Um café para todos!
Que
essa sensação de vida a jato que temos possa abrir nossos olhos para a riqueza
da relação interpessoal. Apesar de corrermos tanto , é preciso que façamos paradas, nem que seja para uma xícara pequena de café. Mas desejo que essas xícaras se multipliquem
a cada experiência.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
O que os nossos filhos estão aprendendo sobre o amor?
O que os nossos filhos estão aprendendo sobre o amor?
Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Estamos vivendo um momento onde se falam tanto em tragédias, desordem, guerras, violência, que nos contaminamos com toda essa negatividade e perdemos a pureza da vida.
Esse vídeo retrata a insegurança da criança diante do afeto da colega de escola. Apaixonado, sem a segurança da correspondência, mesmo não sabendo o que a colega sente ele afirma não ser amado por ela. De repente a surpresa de que é sim correspondido! E na mesma hora ele a pega pelo braço e a afasta da situação de entrevista, mostrando-se seguro e feliz.
O que está acontecendo com as nossas crianças e jovens que não estão encontrando o equilíbrio de suas emoções e sentimentos? Ora se mostram arrogantes e seguros, ora frágeis e despreparados.
Percebo, no dia a dia, crianças e adolescentes que apresentam uma imagem de popularidade e por dentro sofrem a dor da insegurança, da fragilidade e, alguns, sentem-se um engodo diante da sociedade.
Será que estamos atentos às mensagens que passamos aos nossos jovens?
Bom, no mundo dos "exs", onde as relações atuais estão tão rápidas, descartáveis e imaturas, percebo adultos se jogando aos pés de seus filhos, implorando pela única chance de possuírem um amor para vida toda. É... tiramos muito cedo a inocência dos nossos filhos, mostrando um amor que não pode se confiar, ensinando que não se pode criar vínculo romântico, porque de repente acaba...
Que peso é esse que estamos descarregando em ombros tão pequenos?!
Que tal resgatar a inocência roubada? COMO???
Vamos amadurecer sobre os vários amores que temos. Amor de pai, amor de mãe, amor de filho, amor de avó, amor de avô, amor de amigo, amor de AMOR. Ahhh esse amor!
Se percebermos que podemos amar várias pessoas e cada uma de uma forma, vamos aprendendo a amar o amor. Amar o amor? É! Amar, simplesmente amar. Ter satisfação em amar. Ver que é possível ser amado também.
Ser amado também só é possível quando aprendemos a nos amar. Esse tem que ser o primeiro amor: o amor próprio. Se não me amo, se não enxergo qualidades em mim, conseguirei ser amado por alguém? Que imagem estou "vendendo": de uma pessoa que pode ser amada ou de uma pessoa impossível de se amar?
E para ser amado, preciso ter só qualidades? Não! É preciso enxergar nossas qualidades e nossas limitações; perceber que o que não tenho de tão atraente se faz atraente por eu me aceitar como sou.
Percebo nos atendimentos a fragilidade em que as pessoas se encontram diante de um mundo que vem sendo construído desconsiderando as relações de afeto, sobretudo as relações que vão sendo desenvolvidas a partir da doação, da entrega, da conquista, bem diferente do amor familiar.
Esse vídeo me emocionou profundamente. A vontade é de gritar "YES!!!" ao vê-la se declarar ao lado do romântico Tan Hong Ming.
É isso aí. Vamos pensando...
Assinar:
Postagens (Atom)















