quarta-feira, 27 de abril de 2016

O WHATSAPP INVADIU O AMBIENTE ESCOLAR





O WHATSAPP INVADIU O AMBIENTE ESCOLAR



Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


   Desde que surgiu mais este recurso digital, as escolas precisaram aprender a lidar com os benefícios e malefícios gerados por ele. Uma rede que proporciona contatos e trocas de ideias e informações. Surgiram grupos de família, trabalho, colegas das antigas, vizinhos e até mães e pais da escola dos filhos. Inicialmente com a alegria de reviver velhas histórias, aproximar parentes e criar vínculos com as mães dos amigos dos filhos. Até aí parece tudo natural e normal.
   
    Na mesma rapidez que chegou, trouxe a dependência de muitos. E como tudo que é novo em nossas vidas, percebemos o desequilíbrio de várias pessoas em utilizar esta ferramenta de forma saudável.  A ausência de regras e muitas vezes a falta de bom senso começou a gerar um certo desconforto nos membros que participam dos grupos diversos. Relatos de desavenças familiares e afastamentos de amigos são bem comuns após esta novidade de aproximação.

   
   E como isso afetou a instituição escolar?

   As famílias ao iniciar o ano letivo já criam o grupo da turma do filho e começam a troca de informações. Muito legal se os compartilhamentos das situações fossem responsáveis e justos. Explico. Partilhar nos grupos eventos, convites para festividades, divulgações culturais, complementos de conteúdos pedagógicos, sugestões literárias, possíveis caronas e ajuda entre famílias, ações esportivas e comunitárias, entre outros, é ágil e facilitador. Entendemos, também, que o WhatsApp promove a facilidade de estreitar a comunicação sobre combinados e rotinas escolares. 

  Entretanto, estamos assistindo a outro lado desta beleza tecnológica. Estamos acompanhando uma série de desconforto por parte de algumas famílias que estão sendo expostas, julgadas e até promovendo desavenças entre uma família e outra.  E isso tem ocorrido porque algumas pessoas se comportam de forma deselegante e até ofensivas quando tratam de algum tema que faz parte do universo infantil e escolar.

   O universo estudantil é recheado de acontecimentos que promovem o crescimento educacional e social. Dentro desta convivência é natural que os alunos tenham empatia por uns e dificuldade com outros colegas. É também esperado que cada um possua um ritmo de aprendizagem. Sabemos e devemos respeitar as diferenças religiosas, políticas e as regras escolhidas por cada família (seus valores e princípios). Porém, não é o que temos percebido pelas conversas em grupos criados no aplicativo: episódios corriqueiros têm sido completamente distorcidos, sem nenhuma análise, cheios de julgamentos e apontamentos aos educandos e educadores de forma superficial, irresponsável e sem nenhuma busca pela verdade do que foi divulgado. Consequentemente, por vezes a escola é levada a se desviar do seu maior foco, que é o PEDAGÓGICO, para cuidar dos comentários que tanto geraram desconforto e prejuízos aos envolvidos.

   Saudades dos velhos tempos onde a escola era respeitada pela sua história e competência e estava sempre acima de qualquer disputa com o que não fosse construtivo. O desrespeito e a desconfiança em relação à instituição escolar escolhida pela família só emperram o processo e prejudicam os alunos, os filhos.

   Comentários surgem a cada dia com tamanha indiscrição e crueldade que chegam a nos assustar: “Vocês viram o novato? Parece que não toma banho.”; “Vocês ficaram sabendo do ‘fulano’ que bateu no ‘beltrano’?”; “Aquela peste não tem educação.”; “Fui até a escola hoje e acabei com a coordenadora por causa daquela tarefa que não concordamos kkk”. Por que ações assim? Escola e família não jogam no mesmo time? Não deveriam estar juntas na educação da criança? E como ficam as mães das crianças julgadas no grupo? E quando o seu filho ou você for o alvo? 

   Uma criança que apresenta um dia mais nervoso não significa que surtou na escola; uma criança que perdeu a paciência com o colega e a empurrou não é um marginal; um objeto que se perdeu não significa que foi furtado por alguém menos querido da sala ou por um funcionário de um cargo mais simples; uma professora que foi enérgica não significa que perdeu o controle ou foi grosseira; uma atitude isolada não se caracteriza bullying. Por que valorizamos situações fragmentadas e já as espalhamos sem ir à fonte e averiguar o todo?

   Sabemos que as crianças levam situações ocorridas pelo angulo de sua visão e de seu entendimento, mas uma atitude madura dos adultos é buscar esclarecimento. Dar a chance de a instituição investigar e trabalhar o ocorrido. Nem tudo que é dito pela criança é exatamente como aconteceu. Não significa que ela esteja mentindo, mas ela pode ter percebido apenas parte do acontecimento. Bom senso e ponderação são palavras chaves para parceria família e escola. Volto a reforçar: a escola tem profissionais preparados para dar o suporte necessário a cada situação que acontece. As crianças precisam vivenciar todos estes conflitos para amadurecerem e serem adultos saudáveis e autônomos.

   Em nossas reuniões de planejamento curricular, tivemos que incluir um momento para trabalharmos as situações que as famílias apresentam nesta rede social. Muitas vezes nos admiramos diante de manifestações preconceituosas, intolerantes e de pouquíssima disposição para a troca de experiências em família valorizando as diferenças. Trabalhamos projetos nas escolas para amadurecer os nossos educandos, explorando valores e princípios, e nos deparamos com uma correnteza contrária aos ensinamentos de formação humana nos exemplos ocorridos nos grupos de WhatsApp. Acreditamos em uma educação em sua totalidade. Embora escolarizar seja o nosso papel, não deixamos de assumir o papel de formação humana que deveria ser da família. Estendemos a mão às famílias também neste processo.  Não fragmentar o nosso aluno tem sido o nosso maior desafio.

   Outro ponto que questionamos é o movimento dos pais em buscar tarefas e respostas das tarefas nos grupos de pais. Uma atitude que tem gerado o descompromisso do educando em sala de aula: “Ah para que anotar? Depois a minha mãe pega tudo no zap zap”. Antes encontrávamos famílias que faziam cópias pelos filhos (letra diferente, indício de ajuda), hoje a modernidade passou a cópia para o aplicativo.  Será que agindo assim não percebem o prejuízo futuro? Como serão esses jovens amanhã? Assumirão as suas responsabilidades ou aguardarão a família resolver tudo por eles? Até resumos e exercícios para prova já encontramos propagados em grupos de WhatsApp. É como se dissessem: “Engole aí meu filho, porque a mamãe já mastigou para você”. E a sala de aula? E o professor? Passam a ser meros coadjuvantes. “Se em casa terei tudo isso, por que prestar atenção?”. A indisciplina surge e a família não compreende o motivo.  
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   Trago aqui um alerta. Não vamos utilizar uma ferramenta de aproximação e vínculos em um recurso que nos transforme em juízes de conduta, em inimigos da escola ou em pais que promovem a dependência e o comodismo dos filhos.

  Não deixem as crianças ficarem inseguras com a escola pelos comentários e insatisfações discutidas diante delas, seja pela tecnologia ou presencialmente. A criança aprende com quem a família autoriza; pais insatisfeitos com a escola enviam mensagens de desautorização, comprometendo o aprendizado do filho.

    A recomendação é que se mantenha o diálogo presencial com a escola. Se você elegeu a instituição para cuidar da parte acadêmica de seu filho, certamente foi após análise cuidadosa. Desta forma, não se deixe influenciar por conteúdos descuidados que circulam diariamente nas comunidades de WhatsApp, não se permita envolver com ações que vão contra os seus princípios. Se você não comunga da ideia ou atitude, se resguarde e procure a escola. Com certeza ela poderá te acolher, esclarecer e dar as devidas orientações. 



Entrevista a CBN Anhanguera - Organização Jaime Câmara






Como atrair os nossos filhos para colaboração nas atividade diárias familiares.
Clique e ouça a entrevista.



https://soundcloud.com/fabiola-sperandio/ml-maternidade-fabiola





Entrevista a CBN Anhanguera - Organização Jaime Câmara
Momento Ludovica - Maternidade e Educação.


Participação no Jornal Corujinha - Filosofia


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Olha que legal!

Prezada Fabíola Sperandio T. do Couto.

É com estimo que informamos que sua pessoa é mencionada no querido Jornal Corujinha (FILOSOFIA).

Queremos convidá-la, especialmente, a acompanhar o mesmo em seu formato digital no link abaixo:

http://jornalcorujinha.blogspot.com.br/

Em breve o Corujinha chegará no formato papel para o endereço cadastrado em Goiânia.

Queremos aproximar nosso trabalho à pessoas que fazem  diferença na educação, como é o seu caso.

Fica o convite para contribuir sempre nas próximas edições.

Abraço.

Prof. Me Victor José Caglioni
 Assessor filosófico pedagógico

OBS: Página 8.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

IMPEACHMENT: O QUE POSSO APRENDER E ENSINAR AOS MEUS PEQUENOS





IMPEACHMENT: O QUE POSSO APRENDER E ENSINAR AOS MEUS PEQUENOS

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

   Tudo na vida é aprendizado, incluindo o comportamento dos nossos representantes no plenário. Vê-los expressar o voto me levou à reflexão: o que ensinamos e o que aprendemos com cada um que subiu e expressou a sua opinião?

   Sim, estamos em um país democrático onde a liberdade de expressão precisa ser preservada. Mas liberdade significa ser livre para escolher e manifestar, porém sem esquecer a forma de expressão. Em que momento falhamos ao propagar esta regra? Onde as famílias e as escolas erraram com estes representantes populares?

   Não vou entrar no mérito da escolha através do voto, ou seja, não falarei aqui sobre a omissão ou a acomodação na hora de eleger tais representantes. Citarei aqui o mau exemplo que esses representantes nos deu nos últimos dias.
As crianças estão carentes de bons exemplos. E nesta semana receberam uma avalanche de informações recheadas de desrespeito e falta de educação. Homens e mulheres de culturas variadas, classes sociais de “A a Z” apresentando o mesmo comportamento. O que acontece com estas pessoas? Por que defenderam a sua opinião de forma deselegante e ofensiva?

   Só me resta voltar o meu olhar para o que mais amo fazer, com certeza não é política, mas EDUCAÇÃO. Direcionando   para o que busco aprender e ensinar diariamente, aproveito a tão falada época de insatisfação para alertar família e a escola sobre a importância de trabalharmos a criticidade, o respeito às diferenças, a importância das regras, o conceito de autoridade, a importância da hierarquia, o aprimoramento cultural e político e a diplomacia ao explanar as ideias.
 Uma criança que não aprende o que é hierarquia familiar, jamais saberá lidar com a hierarquia escolar e social. Uma criança, em um lar desrespeitoso, não saberá respeitar o próximo, já que o seu próximo mais próximo (seus pais) não se dá o respeito. Estamos em um momento de URGÊNCIA de revisão da nossa organização familiar   sobre os ensinamentos dos nossos pequenos e suas regras sociais.

   Em que momento nos perdemos? Acredito que quando saímos para batalha profissional e financeira nos dedicamos tanto a esta ascensão em prol dos benefícios materiais que nos permitimos ser omissos e permissivos com os nossos filhos. O tal: “vou dar tudo que nunca tive”; “papai viajou muitos dias, mas comprou isso”; vou até a escola porque não aceito ...”; “mete a mão filho, não traga desaforo para casa”; “filha minha não é retirada de sala nem precisa cumprir regra”.  E para finalizar, “Quem é esse professor?” Passamos a mensagem de que eles podem tudo e  aprovaremos qualquer conduta.

   Só que agora isso está pesando. Nossas crianças estão perdidas em meio a esta “selva social”. O que era parte de seu crescimento passou a ser afronta e motivo de desavença entre os amiguinhos e as famílias dos amiguinhos: “minha mãe não quer que eu ande com a fulana porque ela é nossa inimiga”. Inimiga? Uma criança de 5 anos? O que ela fez de tão grave?
Onde estão os valores? Atitudes obrigatórias de uma educação de “berço” virou qualidade. A criança que diz: “bom dia! Como vai a senhora? “ Passou a ser diferenciada. Mas isso não deveria ser o mínimo da boa educação? Dar lugar na fila para alguém mais necessitado sempre foi o correto, hoje a criança não permite por ter que ser “esperta”. Esperteza? Como assim?

   Basta acompanhar o trânsito de qualquer cidade. Homens e mulheres com crianças dentro do veículo assistindo a cenas de desrespeito às regras de transito e ainda xingando os condutores que entram em seu caminho. Como exigir do filho um comportamento diferente?

   Outro dia estava conversando com uma criança que havia tratado com muito descaso uma profissional da faxina. Ao abordá-la para procurar entender o motivo, fiquei bastante surpresa. A criança não conseguia entender que havia feito algo desrespeitoso simplesmente porque assistia a um membro da família dirigir da mesma forma aos profissionais de restaurantes ao fazer pedidos. Para meu espanto ainda maior, quando ele entendeu o que eu refletia com ele, pediu-me para fazer a mesma reflexão com seus pais, pois passou a indignar-se e queria corrigi-los.

   Domingo o país parou para assistir à votação. Famílias reunidas em frente à televisão. Os comentários foram diversos na frente das nossas crianças. Alguém já parou para perguntar o que os jovens pensam disso tudo? Aproveitaram para utilizar os exemplos a favor da “evolução social?” Será que vamos ficar paralisados e esperar os nossos pequenos crescerem para repetirem o mesmo feito?

   Clamamos por um mundo melhor. Imploramos por uma vida mais harmoniosa e de paz. O que temos feito para isso? Esperar por mudança? Não permita seu filho gritar com você! Não saia em defesa de sua criança sem conhecer os vários lados da história. Não ensine seu filho a “lei da vantagem”. Volte URGENTEMENTE para os ensinamentos dos nossos avós. Saia do comodismo! Criar um filho é oferecer condições materiais, escola e todas obrigações de pais. Educar um filho é oferecer valores e desenvolver habilidades e competências para o seu sucesso pessoal e profissional. Você está criando ou educando seu filho?





segunda-feira, 18 de abril de 2016

FAMÍLIA UNIDA NAS TAREFAS DOMÉSTICAS: POR QUE NÃO?




FAMÍLIA UNIDA NAS TAREFAS DOMÉSTICAS:

 POR QUE NÃO?

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Já foi o tempo em que tarefas domésticas eram obrigação da mulher. Hoje, sabemos que a divisão de tarefas com o companheiro é essencial. Afinal, a mulher moderna também vai à luta e provê o sustento do lar. E quanto aos filhos? Como inseri-los nesse processo?   Lembrando que a família é a primeira convivência social, que permite relações interpessoais, aprender a conviver em grupo começa por aí: respeito mútuo, colaboração, negociações, afeto, gerência de conflitos, cooperação, entre tantos aprendizados da riqueza de estar em grupo.

Outro importante aspecto é que lutamos em causas sociais para necessidade de preservação do meio ambiente no mundo e não ensinamos nossos pequenos a serem cooperativos no ambiente do seu mundo, sua casa inicial. A criança precisa sempre partir do eu para o outro. E como aprender a cuidar do outro se não aprendi a cuidar de mim e de quem amo? Sentimento de pertencimento começará a existir se permitir fazê-lo ser ativo em seu grupo familiar.
E como começar esse processo? Desde bebê, precisamos dar tarefas de colaboração. Frases como: “pega o objeto para mamãe”, “vem ajudar o papai a arrumar os brinquedos”, “vamos ajudar a mamãe a pegar as roupinhas” precisam ser tornar familiares mesmo. Fazê-lo perceber que toda a família se ajuda é essencial para o processo se tornar normal. Mas essa é uma decisão que precisa ser tomada por todos os membros da família. Se o prazer de manter a casa em ordem se tornar o principal objetivo de todos, dessa forma, afastaremos queixas, desagradados e a tão famosa “preguicinha”. Todos os membros da família são responsáveis por criar um ambiente saudável, harmonioso e organizado. Esse é o clima que deverá ser gerado.
As tarefas vão sendo distribuídas de acordo com a faixa etária dos filhos. Podem-se introduzir, aos poucos, diferentes colaborações no dia a dia deles. Comecem com as tarefas que estejam relacionadas ao mundo dos pequenos e ao espaço que frequentam mais: quarto de brinquedos, sala de TV e outros objetos do seu quarto, por exemplo. A arrumação tem que fazer parte da diversão. Brincar tem começo, meio e fim. O fim é o reorganizar.
O mesmo irá ocorrer entre os 3 e 5 anos com os objetos pessoais: roupas, calçados, gavetas. As crianças já são capazes de recolher seus pertences e acomodá-los nos armários e gavetas correspondentes. Eles adoram colaborar e serem reconhecidos, portanto, elogie muito, nesse momento, toda colaboração. Insira-os, também, na organização e arrumação de um jantar, por exemplo. Levar os talheres para mesa, os guardanapos, chamar os familiares para a hora do jantar são tarefas fáceis e gostosas de realizar ao lado dos pais.
A partir dos 6 anos, as responsabilidades poderão ir além. Convidá-los para acompanhar o processo de lavagem da roupa (separar as peças por cor ou tecido, colocar na máquina, retirar e ajudar a estender no varal), lavar a louça, cuidar dos animais domésticos (necessidades fisiológicas, ração e água), esticar a cama e dobrar a coberta já são tarefas possíveis.
Já aos 7anos, oportunize a participação como “mestre cuca”. Permita a ajuda na confecção da alimentação. Nessa brincadeira, preparar os alimentos, cozer e lavar as louças serão grandes exercícios e uma verdadeira diversão. A partir dessa idade, caberá à família ampliar as ferramentas colaborativas, como retirar o lixo, ajudar a lavar o carro, cuidar de plantas, lavar um banheiro. É preciso mostrar aos filhos o quanto é prazeroso ver o resultado após cada colaboração. E dentro dessa participação diária, a riqueza que a família terá no convívio mais próximo, gerando afeto e aproximação. Perceber que cooperar gera prazer o despertará para as causas humanitárias e irá prepará-lo para vida.  
Hoje, a família pode até contar como uma ajudante diariamente para as tarefas domésticas, mas isso não impede a colaboração. Não sabemos como será o futuro de nossas crianças e, dessa forma, estaremos ajudando-a a se defender em qualquer situação. Além do ganho pessoal, sentir-se útil, pertencente a nossa família e colaborativo é algo que só é possível adquirir em um ambiente como o descrito até aqui. É muito importante que as tarefas sejam introduzidas de forma festiva e harmoniosa. Colocá-las como castigo não terá os efeitos desejados. Colaborar em família tem que ser uma regra independente dos acontecimentos bons ou ruins do dia a dia. 
Como as tarefas envolverão todos os moradores da casa, a criança sente que é justa a proposta e vê que estão trabalhando em equipe pelo bem de todos. Entra aí, outro benefício: teremos crianças líderes e não chefes. As crianças crescerão sabendo atrair as pessoas para o propósito ou as metas. Não precisam existir premiações e pagamentos. Isso tiraria toda a beleza do espírito colaborativo e passaria outro aprendizado (“toma lá, dá cá”). A valorização pela colaboração do bem-estar familiar deve ser a GRANDE recompensa. Ser feliz por ajudar a família a estar feliz é o que vale. Amanhã será feliz por ações nas quais promoverá o bem-estar de todos que o cercam. Uma dica de recompensa pela cooperação do grupo familiar é todos conseguirem fazer um passeio juntos por cumprirem as tarefas. Com isso, terá um reforço de economia de tempo que proporcionou após o dever, o lazer. 
Experimente organizar uma rotina diária de tarefas fixas para todos, mas deixe claro que poderão negociar trocas entre os membros, que poderão ocorrer redistribuições (caso um dos membros esteja ausente ou doente), que outras atividades poderão surgir e que tudo acontecerá com muito diálogo, respeito e obediência à proposta familiar. E, claro, que a palavra inicial e final sempre deverá ser dos pais. Afinal, aprender o que é hierarquia ajudará muito as nossas crianças a enfrentarem o mundo. Bom trabalho!






terça-feira, 15 de março de 2016

Que tal uma passadinha no Faceboock para apreciar as fotos do evento LUDOVICA?


Aproveita e me add lá. Bjim







LDVCA 1 ANO: PAPO SOBRE EDUCAÇÃO AGRADA PÚBLICO

LDVCA 1 ANO: PAPO SOBRE EDUCAÇÃO AGRADA PÚBLICO


Com o tema maternidade e educação, o estande Ludovica promoveu um bate-papo com a psicopedagogia Fabíola Sperandio (blog Educar faz parte!), a publicitária Liza Ziller, que é mãe de uma criança que nasceu prematura (blog Amor Prematuro), a advogada e mãe de uma criança autista Tatiana Takeda (blog Viva a Diferença!) e a blogueira Talita Lima, do blog Zelo de Mãe na noite desta quinta-feira (10). A conversa é uma das ações que acontece no espaço montado no Flamboyant Shopping Center em celebração ao primeiro aniversário da plataforma feminina do Grupo Jaime Câmara. A programação do estande segue até o próximo domingo (13).
Durante a conversa, as mães abordaram temas importantes, que precisam ser discutidos, como autismo, inclusão, discriminação, sexualidade infantil e bullying. 
Mãe do pequeno Theo Luiz, uma criança autista, Tatiana reformou a importância da inclusão, principalmente nas escolas, e da estimulação. "Toda criança autista precisa ser estimulada. E essa questão de colocar ela com outras crianças para ela se desenvolver é primordial", afirmou Takeda. 
Ainda sobre inclusão, Fabíola falou sobre como as escolas brasileiras ainda tem que melhorar. "As escolas, como um todo, precisam melhorar no quesito inclusão. É na troca que as crianças aprendem. A escola tem que ser para todos, fazendo o papel dela de inclusão. 
Já sobre bullying, Talita explicou que o exemplo tem que partir de casa. "Cabe a nós, pais, ensinar aos nossos filhos que não existe diferenças, apesar das peculiaridades. A gente tem que ser o exemplo e dar o exemplo." Concordando com Talita, Fabíola afirma que a discriminação é apreendida, geralmente em casa. "Somos nós, adultos, que somos preconceituosos e maldosos e que ensinamos isso às crianças", explica psicopedagogia.
Para fechar, o assunto foi as consequências causadas pela superproteção das mães para com os filhos. "A gente mesma, a família, é quem cria as limitações para as crianças", concluiu Liza. 
Nesta sexta-feira (11), a discussão vai ser sobre a relação entre sexo e amor. Entram na roda Bianca Fonseca, que escreve sobre sexo na plataforma Ludovica (blog Para maiores de idade), a psicóloga e mestre em Psicologia Mara Suassuna (blog Há Dois) e Júlia Telles, que ministra cursos sobre pompoarismo e sexualidade feminina.


quarta-feira, 9 de março de 2016

VÍNCULOS AFETIVOS: FONTE DE ENERGIA PARA O CRESCIMENTO SAUDÁVEL


VÍNCULOS AFETIVOS: FONTE DE ENERGIA PARA O CRESCIMENTO SAUDÁVEL

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Desde que nascemos, experimentamos as alegrias e as tristezas construídas sempre em meio aos vínculos afetivos. Ao nascermos, somos “capturados” do ventre da mãe, nosso primeiro vínculo ocorre no ambiente intrauterino, para o mundo externo já recheado de pessoas sedentas pelas relações afetivas. A ruptura traz o choro, o choro traz o colo, o colo traz o aconchego, o aconchego traz as gracinhas familiares, que trarão a alegria. E assim se inicia o primeiro vínculo familiar afetivo. Os vínculos geram as emoções. As emoções trazem aprendizados. Os aprendizados trazem o apego. O apego afetivo passa a ter sentido de vínculo, pertencimento.
Assim como a alimentação, o afeto é o alimento vital para os bebês. Sem alimento, a criança morre. Sem afeto, também se torna difícil sobreviver. E por que descuidamos tanto dos vínculos nos dias atuais?
Sabemos que a criança necessita do vínculo afetivo para a formação da sua personalidade. Este processo é construído a longo prazo pelas relações da família núcleo: pai, mãe e irmãos. É nessa relação parental que se conhecerá o amor, a compreensão e os laços. A figura paterna exerce, e muitas vezes sem se dar conta disso, a inserção ao mundo além da mamãe. É o papai que apresenta a autonomia, afinal, o bebê encara a mamãe como extensão do seu corpo. Ele não se reconhece separado da genitora. O seio da mãe é o reforço desta sensação. O pai então permite que ele esteja separado deste “corpo estendido” e promove o conhecimento de novas experiências. Esta relação inicial permitirá à criança entender e respeitar os limites, experimentar e conhecer espaços, ousar e recuar e, principalmente, ser amado e aprender a amar em cada gesto conduzido para autonomia e a proteção.
Mas será que esse ideal narrado tem ocorrido? As famílias estão sendo constituídas com estes papéis tradicionais? Em meio a tantos formatos familiares, precisamos conhecer quais são as necessidades das crianças para o seu crescimento saudável e oferecer o suporte que antes até instintivamente, acontecia na família formal. Crianças necessitam receber amor para aprender a se amar e amar o próximo. Preservá-las das relações instáveis é importante para que não tenham receio de amar e ter vínculo. Pais que trocam constantemente de parceiros acabam gerando insegurança em seus filhos. Começam a gostar da madrasta ou do padrasto e pronto! Tudo acabou entre os pais e a criança é obrigada a esquecer e nunca mais conviver com este alguém que estava amando ou aprendendo a amar.
Essa instabilidade dos pais traz ensinamentos aos filhos. E o maior ensinamento acaba sendo que as relações poderão ser artificiais e passageiras. Sendo assim, inconscientemente se protegem. Se protegendo, não se entregam. Não se entregando, deixam de ser inteiros. Não sendo inteiros, correm o risco da relação breve. E assim tem sido a geração atual. Crianças, adolescentes e adultos cheios de medo de se machucarem ao deparar com a possibilidade de se criar um vínculo afetivo.
As relações parentais, de amizades e amorosas correm os mesmos riscos. Por quê? Exemplos: não posso aprender a gostar da babá, porque hoje a babá fica meses, antes permanecia 20 anos na mesma família. Não posso gostar da vovó porque, ao primeiro desentendimento entre a mãe da criança e a vovó materna, poderão ocorrer meses de afastamento. Não posso gostar do amiguinho porque se os pais dele se separarem, ele irá para um colégio mais barato. Infelizmente são exemplos da atualidade.
E como proteger nossas crianças diante desta realidade? Seja mais afetivo. Mostre seus vínculos duradouros: amigos de infância; parentes próximos. Amadureça as relações. Exercite o amor e a compreensão. Seja tolerante consigo e com o próximo. Não há outra forma melhor de ensinar que o exemplo. E quanto às relações novas, espere a estabilidade para inseri-las na vida da criança. Não a exponha ou a motive a ser simpática com o companheiro ou companheira nova se nem você sabe se será interessante esta relação. 
Explique que existem pessoas temporárias e que, mesmo assim, não as impede de gostar. Essas pessoas são os coleguinhas da escola, alguns profissionais que ajudam em casa, profissionais da saúde, vizinhança. 
As crianças aprendem muito conosco. O que estamos ensinando às nossas crianças sobre afetividade? Vale ressaltar que ser afetivo não significa ser permissivo. Ser afetivo é dar amor. Amor também é limite e regra. Amor ao corrigir é ser doce com as palavras, porém firme no propósito educativo. É abrir para o diálogo sem fugir dos princípios e valores em que acredita. É educar o seu filho sem se importar com o que ele traz sobre o que “todo mundo faz”. Vocês não são pais de todo mundo, vocês são pais responsáveis pelo que seus filhos aprenderão sobre o mundo. Pais responsáveis pelo que seus filhos farão por um mundo mais consciente e melhor. 
Recebam o meu carinho afetuoso. 

quarta-feira, 2 de março de 2016

AGORA TUDO É BULLYING!




Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

A cada dia que passa, fico impressionada como somos vulneráveis aos termos. Vocês já observaram o quanto o termo bullying tem sido usado no mundo todo e a quase todo momento?
Bullying são ações maldosas e repetitivas, feitas por uma ou mais pessoas. Se são ações intencionais e repetitivas, um fato isolado não pode ser considerado bullying. Fatos corriqueiros da fase de crescimento também não são bullying. E por que agora alguns pais recorrem à escola por quaisquer motivos e utilizam essa palavra?
A criança de dois anos chega mordida à sua casa: “Ela está sofrendo bullying”. Vamos à escola. Desde a minha época escolar, as crianças do maternal, que se encontravam na fase oral, mordiam umas às outras. Às vezes, mordiam até como sinal de amor. Amam tanto que dava vontade morder. E isso não mudou. É também uma forma de expressar carinho.
Ele só queria ser ouvido e você só queria falar



A minha maior preocupação é com o excesso de proteção que impede os filhos de conviverem com os desentendimentos e frustrações característicos de cada fase. Pais que a cada pequeno atrito tomam frente da situação, nomeiam o acontecimento, buscam a escola para exigir providências. Muitas vezes, não se abrem para ouvir os dois lados e, com isso, impedem os filhos de lidar com os sentimentos que a convivência oferece: medo, raiva, alegria, tristeza, revolta, justiça, injustiça. Essa mistura é que nos faz amadurecer. Se forem impedidos de senti-los, como irão lidar com isso durante a adolescência e a fase adulta?
Depois, nos surpreendemos quando deparamos com o jovem que não sabe lidar com as emoções ao vivenciar as seguintes situações: uma amiga que agora não quer mais a sua amizade; um grupo de colegas que foi ao cinema e não o convidou; um fora de uma paquera. Diante disso, procura fugir desses problemas através de vícios (drogas, por exemplo), deseja interromper a vida, isola-se no quarto, fica agressivo, demonstra rebeldia. Será que já paramos para pensar que não podemos impedir os nossos filhos de crescerem?   
A violência exposta pelos veículos de comunicação nos assusta e, por muitas vezes, nos vemos tão distantes dela, como se não pudesse atingir nossa família. Como a violência praticada por um garoto de 10 anos, excelente aluno, educado, bom filho, que, de repente, mata a professora e depois se mata, deixando todos por entender o que o motivou a ter essa atitude. Esse mesmo aluno, oriundo de uma escola pública e reconhecida pelo excelente desempenho educacional por índices e exames estaduais e nacionais, no bairro Mauá, em São Caetano, marcou essa instituição com uma tragédia.
Violência como a de Suzane, que nasceu numa família de classe média alta da capital de São Paulo e morava em um bairro nobre da zona sul paulistana (Brooklin). Filha do engenheiro Manfred Albert Freiherr von Richthofen e da psiquiatra Marísia von Richthofen. Seu pai, nascido em Erbach (Alemanha), emigrou para o Brasil após um convite de trabalho, recebido devido a sua capacitação como engenheiro. Essa jovem foi cúmplice na morte dos pais, demonstrando frieza e crueldade. O que a fez praticar um ato tão violento contra seus próprios genitores?
Realmente, essa violência toda exposta através dos veículos de comunicação parece distante  até o momento em que aquilo que vi acontece ao meu lado. As interrogações surgem de várias partes: “Por quê? Por que ele fez isso? O que deixei de fazer? O que não percebi?”
Não percebi que impedi meu filho de viver cada fase de forma saudável, resolvendo suas intrigas, seus relacionamentos de amizade cheios de altos e baixos. Não o deixei experimentar a conquista de novos amigos; fui à frente e quase implorei para os amigos o aceitarem. Não o deixei experimentar as perdas e depois, deliciar-se com os ganhos. Deixei de ouvi-lo e o enchi de “Faça assim”, “Faça assado”, “EU VOU LÁ!” Ele só queria ser ouvido e você só queria falar.
Vamos deixar nossos jovens viverem! Não vamos querer amenizar as passagens necessárias para que eles se tornem adultos bem resolvidos, felizes e autônomos.
O bullying não ocorre somente na instituição escolar




Lembrem-se de que as nossas gerações, cito as décadas de 1970, 1980  e 1990, não tinham pais tão protetores, que visitavam as escolas por motivos corriqueiros. Tínhamos pais que atribuíam aos filhos tarefas como as de resolver seus problemas de amizade na escola, negociar datas de entrega com os professores, sanar suas dúvidas com os educadores, procurar ter atitudes assertivas que pudessem gerar um sentimento na criança de que conseguiu e foi capaz de resolver as situações que apareceram em seu caminhar. Pais que distribuíam funções domésticas como arrumar a própria cama, levar o prato até a cozinha, ajudar a cuidar dos animais e não permitiam desrespeitos às pessoas de profissões mais simples.
Por que mudamos tanto em nossa forma de educar? Vamos resgatar aquilo em que acreditamos de nossa educação; aquilo que nos ajudou a ser o que somos hoje - pessoas de bem. Não aceitar como normal o que nos apresentam pela TV, nas escolas, nos condomínios e em nossa própria família no que diz respeito ao abuso de autoridade, à imoralidade e ao desrespeito às diferenças.
Outro fator importante é que o bullying não ocorre somente na instituição escolar. Bullying pode ocorrer entre membros da família (irmãos, primos, tios, avós), na religião em que estamos inseridos (colegas do grupo da catequese ou no retiro espiritual), no prédio, rua ou condomínio onde residimos, no clube que frequentamos, cursos extras (futebol, ballet, inglês) entre tantos outros locais que visitamos assiduamente. Vejo famílias perdendo um tempo precioso investigando a escola quando o filho se mostra arredio, triste ou agressivo quando deveria ampliar a busca em todos os locais que a família ou a criança se relaciona.
A Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015, institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) e deverá ser aplicada a todos. Fico pensativa quando vejo os programas televisivos debatendo a lei focando na instituição escolar e ignorando as outras possibilidades citadas acima. Se não ampliarmos o olhar, admitindo que em todo local que reúne pessoas é possível ter ações de bullying, deixaremos de acudir crianças, jovens e adultos que são acometidos desta ação dolorosa, que muitas vezes até os paralisam. 
O nosso papel é sempre criar condições de crescimento aos nossos filhos


Suplico para que, em vez de focarmos nas consequências para quem pratica ou fomenta práticas de bullying, nos concentremos na prevenção e em desenvolver ferramentas de defesa. Vamos esclarecer e promover o combate ao bullying e, para que isso aconteça, os adultos precisam motivar suas crianças à busca do equilíbrio emocional e ao enfrentamento. Toda vez que saímos como leões e leoas em defesa de nossas crias, nós as impedimos de amadurecer. Estejam sempre ao lado, instruindo e promovendo suporte, mas jamais agindo por eles. Outro alerta é que precisamos estar abertos para conhecer os vários lados da história. Não compre uma única versão como verdade absoluta. Vá atrás da real situação. Investigue, avalie e se posicione. 
O nosso papel é sempre criar condições de crescimento aos nossos filhos. Trabalhar os valores éticos e morais promoverá o senso de justiça. Ser justo é buscar o equilíbrio entre a razão e emoção. Hoje estamos tão focados em nossos direitos que acabamos por não observar se cumprimos os nossos deveres. Pensem nisso!