quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O PAPEL DOS AVÓS DENTRO DO CONTEXTO FAMILIAR


Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

     Diante de tanta mistura de sentimentos entre pais, filhos e netos, resolvi escrever sobre o papel dos avós na vida familiar. Sempre ouço a queixa de mães que relatam que suas mães estão estragando seus filhos. Algumas se mostram assustadas ou enciumadas, dizendo que a mãe é para a sua filha o que não foi para ela. Isso me mobiliza e me instiga a um posicionamento. Vamos pensar juntas: qual a sua rotina diante de suas preocupações de mãe? 
    Hoje você corre atrás do profissional, procura manter-se estudiosa, cuida da casa, dos filhos, do esposo/companheiro. Entre tantas atribuições, a sua principal preocupação é conseguir dar uma boa educação ao seu filho, certo? Exatamente igual à época em que sua mãe exercia o papel de mãe. Hoje, ela é telespectadora da própria história, repetindo através de você. Como ela já venceu a fase dela, já galgou outro patamar, goza de tempo e experiência para aproveitar os netos como gostaria de ter aproveitado os filhos. Diante desse olhar, você consegue ver com mais leveza as ações de seus pais/avós de seus filhos? 
    Hoje, os avós querem brincar, transgredir regras, comer livremente e se divertir por três motivos: possuem tempo, podem fazer isso sem culpa e não são os responsáveis diretos pela educação das crianças. Essas ações devolvem o espírito infantil, enche-os de energia e vitalidade. Não é à toa que temos recordações doces, saudosas e lúdicas dos nossos avós. O cheiro, a textura da pele, a voz ao cantarolar, as expressões faciais ao contarem histórias, tudo isso fica muita registrado em nossa memória. Se nos fez tão bem a ponto de suspirarmos hoje ao recordar, porque impedir os nossos filhos de usufruírem da companhia descompromissada dos nossos pais, seus avós?
     Acontece que hoje as famílias estão olhando os avós como parceiros da criação. Incluem-nos como coparticipantes ou até terceirizam seus filhos aos seus pais. E ainda se veem no direito de cobrar como devem proceder com a sua cria. Será justo isso? Por outro lado, os avós podem ser lúdicos, brincalhões e sapecas com seus netos, mas precisam saber a hora de falar sério também: não desautorizar uma ordem importante dos pais, exigir que respeitem a hierarquia, ou seja, nem 8 nem 80. Nem tanta “sapequice” com os netos, nem tanta responsabilidade na educação.
     Avós possuem amor dobrado. Como não amar o fruto do meu fruto? É mesmo muito amor em toda essa relação. E temos a obrigação de compreender isso. Por outro lado, os avós precisam compreender a necessidade de colocar limites nos netos, afinal, seus filhos cresceram e prosperaram exatamente porque foram educados com regras. Então, avós, pais e netos precisam entender que estão juntos em momentos de diretos e deveres.
     
    Posso até assustar vocês com o que vou dizer, mas nem todos os avós amam seus netos, assim como hoje em dia o amor incondicional dos pais anda abalado. É, isso mesmo! Estamos nos deparando com avós que nem querem ser chamados de vovó ou vovô, porque se sentem tão jovens e com uma fome de achar que a tão falada felicidade está associada a uma vida egocêntrica, que acreditam que “cada um que siga o seu caminho, que eles seguiram os deles”: “Filhos criados, já fiz minha parte”. Dessa forma, quem tem seus pais “babando” em seus filhos pode comemorar por esses se fazerem tão presentes e por seus olhos brilharem a cada vez que um netinho fala vovô ou vovó.


    Avós significam enriquecimento familiar, perpetuação da história, oportunidade de aprender a relacionar-se com mais pessoas diferentes, experiência social, ampliação de vocabulário, valorização parental, estímulo para aprendizagem. Avós aguçam os sentidos: tato, com os seus afagos e cafunés. Audição, com a sua doce voz de defesa. Visão, com a sua vivência nos levando a ver o que ninguém consegue nos mostrar. Olfato, porque seu cheirinho de cuidado corporal com seus cremes e perfumes são inesquecíveis. E paladar, porque ninguém tem o tempero tão saboroso como o deles.
   Mas em uma sociedade tão consumista e imediatista, estão descartando os mais velhos como ultrapassados. Os jovens estão perdendo muito a oportunidade de aprender com a experiência do ancião e acabam por impedir que seus filhos aprendam também e amanhã, repetirão a história, criticando e até impedindo seus pais de serem avós doces e presentes de seus filhos. Ou seja, o seu exemplo proporcionará a colheita. 
   Crianças que convivem com os avós possuem mais equilíbrio emocional, são mais compreensivas, negociam melhor e conseguem, através do vínculo e da cumplicidade estabelecida, serem reprodutoras da cultura familiar. Outro aprendizado do mundo moderno é que os vovôs e vovós estão muito mais ativos e antenados. Eles estão cuidando da saúde através do esporte e da alimentação, estão tecnológicos, procuram envolver-se com leituras de atualidades, viajam mais e se divertem muito mais também. Estão contribuindo com exemplos saudáveis, com uma variedade de interesses e modernos. Aquela imagem do vovô e da vovó de cabelinhos brancos, na cadeira de balanço e frágeis está cada vez mais distante do cotidiano. 
    É preciso estabelecer um estreitamento dos laços entre pais e avós para o bem da criançada. Enxergar a relação com a clareza de que existirão muitos benefícios e alguns desencontros de opinião. Isso é inevitável. O respeito na relação será de fundamental importância. Avós não são cuidadores, funcionários, nem seus filhos. Isso mesmo: tem filhos que querem inverter papéis e passam a mandar em seus pais ou os tratam como funcionários caso precisem deixar as crianças parte do dia com eles. Parece meio óbvio, mas preciso lembrar que o respeito aos genitores é muito importante. Você pode até pensar diferente de seus pais, avós dos seus filhos, mas nunca esqueça que se você é fruto deles, eles merecem todo o seu respeito.
    Por outro lado, os avós também precisam saber conversar com seus filhos, hoje adultos e pais, quando não concordarem com algo que assiste na criação dos netos. Os papéis precisam ficar muito bem definidos: o que é meu e o que é seu. Não podem usar da autoridade de pai para impor as regras ou agir arbitrariamente. Uma boa conversa regrada de negociações sempre funciona.
   Para finalizar, toda família precisa estar empenhada em promover uma convivência saudável, alegre e cheia de boas lembranças, afinal, momentos felizes conquistamos sempre ao lado de quem amamos.

Entrevista na Rádio Brasil Central - Tema: Educação Positiva.










Acesse o link e ouça a entrevista:




Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional.




Participação no JORNAL BRASIL CENTRAL.
Pauta: Bullying 
Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional.


Para assistir a entrevista, acesso o linK:

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Making off. Tema: Bullying Entrevista para o jornal TV Brasil Central.










LUTO INFANTIL: COMO TRABALHAR A PERDA DURANTE A INFÂNCIA


LUTO INFANTIL: COMO TRABALHAR A PERDA DURANTE A INFÂNCIA


Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Desde que nascemos, aprendemos a comemorar pela vida. Começa na maternidade onde recebemos muitos parentes emocionados pela nossa chegada. Depois, uma das primeiras canções que aprendemos é a “Parabéns para você”, porque todos adoram ver criança batendo palminhas. E, ao longo da nossa infância, somos poupados de dores e frustrações. Até que, de repente, ao nosso redor, tem um monte de adulto de olhos arregalados e apreensivos porque algo deu errado.
Assustados, sentimos um aperto sem entendimento, esperando pelo que virá. Acredito ser bem assim (se uma criança tivesse maturidade para tal narrativa) que seria descrito o despreparo que os deixamos diante de um luto. Não permitimos a nossos filhos experimentarem o sofrimento, a dor. Se compramos um animalzinho de estimação e ele morre, logo compramos outro, dando a falsa ideia de que é possível substituir, procurando fazer com que o nosso pequeno não perceba a morte. Nem permitimos tal assunto em casa. Por vezes até ligamos para os parentes e pedimos para fingirem não notarem que é outro bichinho. Colocamos até o mesmo nome.
A falsa ideia de proteção gera uma consequência desastrosa quando a morte chega para um dos membros da família. Não permitindo que a criança tenha contato com a realidade e o sofrimento, não a preparamos para elaborar as suas perdas de maneira sadia e madura. Contribuímos para que nossas crianças adoeçam emocionalmente quando as impedimos de lidar com a realidade da vida.
Precisamos aprender a utilizar o que aparece em nossa vida como oportunidades de crescimento. Se a criança perdeu um animal de estimação, permita que ela se depare com a dor, seja verdadeiro quanto à realidade de despedida sem retorno. Mostre que a morte faz parte do ciclo da vida. A acolhida generosa e amorosa dará a segurança de poder chorar a sua dor e elaborar o seu luto. Sei que nunca estamos totalmente prontos para essas despedidas, mas podemos ser preparados. 
Pensar que uma criança não é capaz de entender e lidar com o tema é uma ideia completamente errônea. É subestimar a capacidade de compreensão e percepção do conceito de morte. O desenvolvimento de qualquer conceito é construído paralelamente ao desenvolvimento cognitivo. Toda experiência da criança será determinante para a sua reação diante dos fatos. Isso só reforça que, se a família permite a criança experimentar a dor da perda de seu animal, perdas de significados, mas não tão fortes como de um parente próximo, ela irá lidar com a dor da perda de um ente querido com muita dor, mas sem traumas ou desequilíbrio. Será uma vivência dolorosa, porém sem graves consequências. Uma situação que fará parte da sua vida e que ela irá elaborar. Se há morte, há período de luto. 
Outro grande erro é querer forçar uma recuperação da tristeza rapidamente. É necessário viver o tempo de luto até que consiga ir retomando a vida cotidiana. O luto trará um comportamento que precisa ser entendido e aceito. A criança pode sentir muita raiva da morte e até raiva de quem morreu, como se a culpasse por deixá-la. Depois, pode entrar em processo de negar a morte, como se isso não tivesse ocorrido com a pessoa que tanto estimava. Ao se sentir compreendida, a criança se sentirá mais fortalecida para sair do processo de enlutamento com mais força emocional. Poderá passar por um processo de busca por entendimento, perceberá que está doendo muito até que aceitará o ocorrido. Uma aceitação que a leva à sobrevivência, um ato resiliente.
Apesar da dificuldade de aceitarmos o tema e ainda pensarmos na hipótese de termos que lidar com ele com os nossos filhos, é muito importante encararmos que o ciclo ocorre: nascemos, crescemos, morremos. Mas se isso mobiliza muito, ao ponto de não conseguir ajudar seus filhos, o ideal é buscar ajuda profissional. Fará um bem emocional enorme a todos. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MINHA FILHA ME BATEU!




Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


A inspiração veio após um momento de observação de uma cena em um shopping da cidade. Estavam em uma mesa um casal jovem e uma criança de mais ou menos quatro anos de idade. A mãe, muita atenta ao celular. O pai observando as pessoas que caminhavam ou comiam em volta da mesa deles. Todos saciavam o paladar com um copo grande de um milkshake famoso.
Não deu para saber o motivo, mas de repente a mãe deu um tapinha na mão da criança. Assim que a criança recebeu o tapa, ela imediatamente devolveu não só um, mas três tapas seguidos na mão da mãe. Terminada a sequência de tapas, olhou assustada para mãe, como se esperasse uma reação negativa a sua ação. Percebendo que a mãe nem tirou os olhos do celular, olhou depressa para o pai, que gargalhava da situação. Ao ver que o pai só achava graça, a criança olhou feio para mãe, que deu de ombros para o pai, como se dissesse “não ligo” e a criança voltou ao enorme copo de doce.
Continuando a observação, percebi que aquela situação havia passado uma mensagem para aquela criança. Lamentei profundamente por esses jovens pais. Naquele momento, a criança percebeu que estava em “pé” de igualdade com os pais.
Atualmente enfrentamos uma crise de identidade na autoridade parental. Esta ausência de autoridade tem se refletido no comportamento social. Basta olhar ao nosso redor o que tem ocorrido em nossa casa (ausência de hierarquia familiar), o que aparece nos noticiários (desrespeitos, intolerância, agressões) e nas escolas (não conseguem resolver as situações próprias da faixa etária). É bem claro a todos que o exemplo vem de berço. Educação familiar é a base. 
Como a criança irá adquirir a consciência dos seus limites vivendo em um lar sem regras e autoridade? Serão jovens que caminharão para uma tendência a viver inseguros, frustrados e infelizes. Crianças sem limites apresentam sensações de angústias frequentemente. Limite é amor. Se sou amada, fico preenchida. Sendo preenchida, não terei espaço para descontentamento.
Uma criança que bate nos pais, mesmo que em uma reação impulsiva, como um ato de reflexo, no velho estilo “bateu levou”, se não há uma correção por parte dos responsáveis, uma conversa para que a leve à compreensão sobre o que é respeito e amor, crescerá completamente sem equilíbrio emocional e sem a oportunidade de obter crescimento pessoal.
Como responsáveis pela formação das nossas crianças, precisamos assumir o papel da autoridade de pais. Filhos não podem erguer a voz para seus genitores e jamais levantar a mão com menção de um “ataque” físico, que irá se concretizar em um tapa.
A cena ficou muito presente em minha cabeça durante todo o dia. Foi uma sensação de impotência que me incomodou. Como adultos podem permitir que uma criança de 4 anos tome conta da situação? Por que delegamos, até mesmo pequenas decisões como onde almoçar, aos nossos filhos?
Existe uma enorme confusão sobre educação participativa com educação transferida. O que quero dizer com isso? Pais acreditam que se o filho se envolver com as questões familiares, eles estão preparando-os para o futuro. Pergunto: uma criança de 4 anos sabe o que é melhor para a sua alimentação? Uma criança de 10 anos sabe escolher a sua escola? Lembrando que essas decisões se refletirão em toda a sua vida. 
É muito triste ver pais acomodados, deixando os seus filhos fazerem o que desejam porque é muito difícil educar. Criar realmente é fácil. Educar é o verdadeiro papel de pais responsáveis. Vamos nos responsabilizar por nossos filhos antes que seja tarde demais. 


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

EROTIZAÇÃO INFANTIL: O QUE ESTAMOS OFERECENDO AOS NOSSOS FILHOS?




EROTIZAÇÃO INFANTIL: O QUE ESTAMOS OFERECENDO AOS NOSSOS FILHOS?





Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

     A erotização apresentada pela mídia tem trazido precocidade para o processo de descoberta da sexualidade. Precisamos dar uma parada para pensar sobre o que nossos filhos estão assistindo e ouvindo. Hoje, quase não encontramos famílias que se preocupam com o que estão oferecendo para nossas crianças. Não selecionam músicas ou programas, até pela falta de tempo. Dessa forma, nossos pequenos estão expostos a um linguajar e a modelos bem distantes da faixa etárias deles.
    Como são movidos por exemplos, repetem comportamentos de adultos e não é raro encontrar crianças cantando músicas seguidas de danças erotizadas. É claro que uma criança tem a sua pureza, mas não é assexuada. Porém, a forma de apresentar a sua sexualidade é que tem trazido preocupações e espanto. A sexualidade tem uma evolução natural. Freud já destacava isso: fase oral, anal, fálica, latência e genital.
    A criança brincar com o corpo, uma brincadeira que leva ao toque e a sensações, parece inaceitável para os pais. Um reforço ao pensamento da assexualidade dos filhos. Encontrar um filho se masturbando, para muitos, é um choque. E para piorar, muitas vezes nos deparamos com famílias criando historinhas recheadas de inverdades sobre as curiosidades dos filhos de como um bebê é gerado.
    Sabendo que existe um instinto natural que, ao amadurecer, a criança vai percorrendo pelas fases que Freud tanto estudou e nos presenteou com seu saber, promover o acesso a filmes, vídeos, clipes, músicas e diálogos que podem remeter a criança a uma fase para a qual ainda não possui amadurecimento. Por exemplo: ao cantar e dançar uma música que fala de sexo e a dança é erótica e sensual, ela fará por imitação, mas ao entender o significado, se sentirá desperta pela atração que conseguiu obter dos que assistem a ela. Dessa forma, começará a prestar mais atenção às atitudes dos adultos do que às das crianças e adolescentes de sua faixa etária. Sem dúvida nenhuma, isso gerará um grande prejuízo à formação da mesma.
    Para entender ainda mais as fases e procurar não as antecipar, vamos relembrar os ensinamentos de FREUD:
* 0 a 1 ano – Fase Oral – A boca é o centro da atenção. É o que o faz ter contato com o mundo. O aprendizado se dá com a experiência de ser saciado pelo seio da mãe, gerando uma enorme sensação de bem-estar. Por buscar este prazer, o bebê leva tudo à boca.
* 2 a 4 anos – Fase Anal – Descobrindo que é possível controlar o esfíncter, o ânus passa a ser uma região de satisfação. Encara as fezes como um presente que vem de dentro para a mamãe que, muitas vezes, faz festa pelo feito. Pode ocorrer também de a criança se tornar irritada e até agressiva porque, ao realizar a evacuação, passará por uma higiene, levando-a a perceber a necessidade de cuidados, muitas vezes, gerando impaciência e rejeição.
* 4 a 6 anos – Região Genital – Chega aí a descoberta das diferenças anatômicas dos sexos através das genitálias. As fantasias chegam a respeito dessas diferenças. As crianças acreditam que as meninas passaram por uma castração por não possuírem pênis. Período em que a criança se aproxima da mãe e entra em um processo de concorrência com o pai. Já a menina passa pelo processo inverso: aproxima-se do pai e entra em processo de crítica e afastamento da mãe.
* 6 a 11 anos – Latência – Uma volta às atividades socialmente aceitas e atividades escolares. Um período do clube dos “Bolinhas” e das “Luluzinhas”.
* A partir dos 11 anos – Fase Genital – Retorno às sensações e aos impulsos sexuais. Desperta para o sexo oposto fora do vínculo familiar. Interessa-se por um objeto de amor. Na busca da identidade, sofre o luto da perda da infância.
    Sabendo desse percorrer do amadurecimento, devemos ficar bem atentos a nossos filhos e procurar ajudá-los a experimentar cada fase de forma sadia, sem sofrimento e sem precocidade. Dependendo de como agimos, podemos gerar um conflito de sentimentos e até um excesso de atenção à sexualidade além do que é natural.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

TERAPIA DO BOM HUMOR PARA CRIANÇAS

Terapia do bom humor para crianças








Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais



Nós nos derretemos com os primeiros reflexos das crianças que esboçam sorrisos. Assim que o bebê faz movimentos faciais, já abrimos um largo sorriso de alegria e uma onda de amor desce do fio da cabeça aos nossos pés. Naquele momento, aprendemos que o riso é um verdadeiro remédio, gerando um bem-estar imediato.

Por que muitas vezes nos esquecemos disso? O que acontece conosco que deixamos de promover ondas de gargalhadas com as nossas crianças?

Muitas vezes nos deparamos com famílias mal-humoradas: do pai ao bebê. Todos carrancudos e com uma grande fenda na testa, entre os olhos, características de pessoas preocupadas, enfezadas e mau- humoradas.

Acontece que é durante a infância que precisamos promover uma enxurrada de risos em nossas crianças, até porque elas possuem facilidade para sorrirem e gargalharem por motivos até tolos. Crianças felizes e risonhas adoecem menos, sabiam? Então, precisamos parar para pensar sobre a necessidade de cultivar o bom humor em nossas vidas e na vida da nossa família.

O humor sadio, sem ser ácido e maldoso. O humor que não denigre o outro. O humor inteligente e generoso. O humor que nos faz bem e bem ao outro. Não o humor que promove humilhação, que faz rir da criança. Isso afetará a sua autoimagem e autoestima. Rir dos erros cometidos pela criança, jamais! Deparou-se com um erro? Chame-o para conversar, procure ouvir o que ele pensa sobre. Depois ajude-o a resolver e mostre que para tudo tem um lado divertido, para que não se culpe em excesso ou se puna.

Da mesma forma que as regras disciplinares, a religião, a educação familiar, a manutenção do amor e o respeito às gerações, os princípios e valores, o bom humor se faz necessário na relação com nossos filhos.

A quanto tempo você não programa um passeio de diversão familiar?  Qual foi a última “guerra“ de almofadas ocorridas em sua casa? Você já acampou dentro de casa com seus filhos (a velha barraquinha de lençóis)? Quando ocorreu a última “contação” de histórias?  Algum dia você se vestiu engraçado para surpreender a prole?

Relacionar-se com dedicação de tempo às diversões com os filhos tira a tensão rotineira e os deixa mais cortês. Este exercício permite encarar a vida, enfrentando os problemas do tamanho que eles são, sem exageros e vitimização. Permitir rir de si mesmo ensina a lidar com erros e transformá-los em aprendizado.

O riso é contagiante. Ele aproxima as pessoas, aumenta a imunidade, promove liberação de endorfinas e transmissores químicos que geram bem-estar ao cérebro, dá uma sensação de leveza e felicidade.

As crianças se entregam facilmente a este ambiente leve de sorrisos, brincadeiras e ações bem-humoradas. E o que acontece entre a fase do bebê e a infância que parece que deixamos de ser “palhaços divertidos” dos nossos filhos? Acredito que a responsabilidade e as nossas cobranças internas referentes à criação, sem que percebamos, vão gerando obrigações, rotinas e cobranças às nossas crianças, dando uma dureza sem necessidade. Posso ser um pai amoroso e divertido sem deixar de impor regras e fazer cobranças das obrigações. Ser bem-humorado com os nossos filhos não os levará a nos ver como autoridades.

Muitas vezes levamos nossa postura de profissional para o nosso lar e nos tornamos chefes em vez de gestores familiares. Geramos tensões e estresse sendo pais que corrigem sem levar os nossos filhos a pensar sobre as suas ações e crescerem. Muitas vezes promovemos a obediência pela obediência.

Para termos filhos bem-humorados, precisamos dar exemplo. Alegria e bom humor ajuda muita na educação das nossas crianças. Se somos imitados por nossos filhos, vejamos neles o nosso reflexo. Como estão seus filhos: alegres e sorridentes ou tensos e estressados?

Sem falar que os vínculos construídos na relação harmoniosa são duradouros e fortalecidos a cada dia. Dá prazer estar ao lado de pais que promovem diversão. Pais divertidos e alegres são mais buscados pelos filhos, como companhia, que pais que julgam, apontam e são austeros.


Vamos buscar a promoção de um lar onde todos os membros da família consigam, através da leveza que o humor nos traz, enxergar a vida como ela é. Ver a vida com toda a sua realidade é encará-la, criar estratégias para crescer e lutar para o mundo melhor.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

DEPRESSÃO INFANTIL: PRESENÇA EM NOSSO COTIDIANO

DEPRESSÃO INFANTIL: PRESENÇA EM NOSSO COTIDIANO




Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Muito tem se falado sobre depressão em razão da vida que temos levado. Frases como: “Nunca fomos tão tristes”; “Depressão, o mal do século”; “O segmento farmacêutico está lucrando com ansiolíticos e antidepressivos” estão cada vez mais frequentes nas rodas de conversas. Mas afinal, estamos refletindo que um adulto, ao enfrentar esse problema, pode ter carregado elementos do mundo infantil? Que ele, de repente, não ficou deprimido com a rotina adulta, mas que sempre foi deprimido?
Precisamos voltar os olhos para os nossos pequenos e identificar alguns sinais:
1- Quais as escolhas que seu filho tem feito na hora de assistir a desenhos ou filmes? Os cheios de ação e movimento ou os mais fantasiosos e emotivos?
2- Que tipo de literatura (historinhas) o atrai? Histórias nas quais o personagem é uma vítima sofrida, que vivencia rejeição e desamor?
3- Mesmo com a casa cheia, o seu filho se isola com algum brinquedo ou interage? Mostra-se integrado ou com sentimento de não pertencimento? 
4- Suas narrativas apresentam muitos pensamentos mágicos de transformação, incluindo a solicitação de mais presença de algum membro da família? Exemplo: se eu pudesse, o papai não viajaria mais!
5- Traz sentimento de se sentir diferente dos amigos da escola, esporte, grupos do condomínio ou da rua? Acha que não é querido?
6- Conta sofrimentos de colegas sempre carregados de injustiça e crueldades juvenis? 
7- Rói unha, fere-se com cortes ou aparece com roxos pelo corpo, marcas típicas de autopunição?
8- Possui pensamentos negativos sobre os desafios escolares, esportivos e festividades familiares?
9- Observa a relação dos pais com as outras crianças com ar de desconfiança e ciúme, e depois recua dos mesmos, rejeitando afagos e carinhos?
10- Não é convidado para eventos dos amiguinhos e sempre acha uma justificativa?
11- Tem baixa autoestima, sempre falando de si com descrédito ou falsa autoestima, exagerando em seus predicados, mostrando-se claramente uma defesa?
Esses são sinais e não regras para atestar uma tristeza ou depressão. Sinais são oportunidades para que possamos dialogar e ajudar nossos filhos. Nenhum adolescente que demonstra desamor à vida desenvolveu esse sentimento da noite para o dia. Os altos índices de problemas psiquiátricos em adolescentes e adultos geralmente incluem situações oriundas da infância.
Dialogar com os nossos filhos significa dar abertura para ouvi-los, entender a sua dor, sem julgamento e apontamento. É permitir que ele se abra e trabalhe a sua dor, os seus receios e as suas “neuras”. Às vezes, a simples chegada de mais um membro da família pode desencadear uma insegurança seguida de tristeza. Pais cuidadosos, ao perceberem, precisam conversar com seu filho e gerar um ambiente seguro de amor e cumplicidade. Considerar a dor do outro, sem banalizá-la, é o primeiro passo para o conforto e a retomada dos sentimentos construtivos. Não podemos esperar de uma criança o que muitos adultos não conseguem fazer: refletir sobre a dor interna, compreendê-la e traçar estratégias para superá-las.
Um erro muito recorrente que encontro como terapeuta familiar são pais de filhos estudiosos e “aparentemente bem-sucedidos” na escola e demais aulas extras que ignorarem o pedido de socorro emocional. Ter excelentes notas e sucesso no ballet ou judô, por exemplo, não significa que a carga não pode estar pesada demais para ele/ ela. Muitas vezes o esforço de ser modelo e agradar traz uma carga emocional muito sofrida e pesada para administrar. Você já perguntou ao seu filho se ele é feliz com as suas escolhas? Se está bem com a sua rotina? Se ele mostrar-se arrependido por uma escolha ou que está pesado demais, negocie. Não ensine a abandonar. Administre a rotina e coloque data para concluir, como o término de um semestre, por exemplo. Só de ele saber que pode negociar, se sentirá ouvido e poderá até, após o alívio da obrigatoriedade, desistir de desistir.
Quais valores você tem trabalhado com sua prole? Frequentar a família, ter religião, passeios em harmonia familiar, desenvolver o respeito à hierarquia familiar, fazer visitas, gerar sentimentos de generosidade e doação também ajudarão seus filhos a possuírem sentido à vida. Precisamos mostrar que o mundo é muito além do egoísmo que temos permitido em nossos lares.
Fiquem de olho!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ATRASO NA FALA E FALA INFANTILIZADA



ATRASO NA FALA E FALA INFANTILIZADA

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

   É bem comum encontrar as famílias assustadas quando percebem que sua criança está demorando para falar ou prolonga uma fala infantilizada. Vou começar refletindo sobre como lidamos com as situações. Primeiro em relação à fala atrasada. Você tem conversado com o seu bebê? Estimula barulhos e expressões? Saiba que a motivação da criança vem dos seus cuidadores. Um lar silencioso, uma relação “muda” não estimulará a criança a falar ou balbuciar. Esse exercício de conversar com a criança diariamente a permitirá, incialmente por imitação, a ousar em tentativas de fala.
   
   Converse com seu bebê durante a rotina diária: hora do banho, troca de fraldas, momento de amamentação. Nesses momentos, pronuncie corretamente as palavras, de maneira natural, com tom de voz que atraia a atenção e capriche na expressão facial. Ressalto a necessidade de uma pronuncia correta para a criança, ela precisa de exemplo. Ao ouvir os balbucios e as vocalizações, olhe no olhinho dela com doçura e amor. Ela se comunicará com você e receberá como mensagem que está agradando (reforço positivo).
   
   Faça festa! Criança gosta de movimento e barulhos agradáveis. Isso demonstrará o seu interesse pelo avança dela. Quando pegar algum objeto, mostre a ela e diga o nome correto do objeto. Introduza os nomes entre um “bate-papo e outro”.  Dá mesma forma, introduza o nome dos familiares: olha a Dindinha chegando! Veja o papai! Joana está aqui! As ações também poderão ser introduzidas enquanto você realiza o fazer diário: vamos BRINCAR! Hora de TOMAR banho! PEGUE a bola! 
Abuse das músicas infantis. Elas fornecem elementos para a ampliação do vocabulário e agradam pela sonorização. Aos poucos, vá introduzindo os livros infantis. Deixe-a folhear com você e aponte as imagens, nomeando. Vá enriquecendo a imaginação e o vocabulário dela com a riqueza dos livros. Apresente as novidades sempre que saírem para passear. Antes mesmo de saírem, vá contando o que irão encontrar. Será um gostoso exercício para vocês.

   Estimule o pensar com perguntas. Faça muitas perguntas, mas permita a manifestção da criança. Não pergunte e responda. Perguntar estimulará o pensar e a linguagem. Escute com muita atenção. Não faça cara de não entender. Procure mostrar que está entendendo e estimule falar mais para que, de verdade, você a compreenda. Deixe-a formar a frase sozinha. Nada de pressa. Não complete a frase por ela. Tenha paciência e saiba esperar o tempo da criança. Sua ansiedade não pode passar para ela. Cada criança terá o seu momento. Só a compare com ela mesma, entendeu? 
   
   E quanto à fala infantilizada? A criança procura exemplo. Se ela manifesta uma fala infantil para a idade dela, provavelmente, alguém está sendo infantil com ela. Se sua criança falou uma palavra errada, não a repita. Fale a palavra correta. Exemplo: “Pepeta, mamãe!” “Não é pepeta, filha, é chupeta.” Percebe que temos 2X1. Isso mesmo! Duas palavras erradas contra uma certa. Qual palavra tem mais chance de ficar gravada na cabecinha dela?
  
    Advinhar o que a criança quer falar, atrasa a fala. Falará para quê se tem quem fala por ela? Conversar como um bebê com a criança a infantliza. Crescer para quê se está claro que a mamãe ou o papai quer um bebê? 
   
   Amamos tanto essa fase incial que não percebemos que nossas atitudes acabam sendo egoístas com os nossos filhos. Vê-los falar errado agrada tanto os ouvidos que reforçamos só para o nosso prazer. Saibamos aproveitar o momento da audição da primeira fala errada e imediatamente promover o crescimento dos nossos filhos. Sem antecipar nada, apenas sendo bons exemplos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Como não transformar a minha criança em vítima de si mesma.

Como não transformar a minha criança em vítima de si mesma.






Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

     A cada dia nos deparamos com adultos que se vitimizam o tempo todo. E como Terapeuta Familiar, sempre busco a origem dessa vitimização. Percebo que esse é um papel apreendido, seja com o adulto que está próximo ou por algum momento que, ao se vitimizar, obteve ganhos.

    E como trabalhar essa questão com os nossos pequenos? Primeiro, analise a ação dos adultos que convivem na rotina da criança. Caso encontre alguém que promova esse exemplo, trabalhe paralelamente esse adulto. A ação precisa ser conjunta.
Adultos queixosos ou cheios de justificativas para suas ações acabam por promover nas crianças o mesmo comportamento. Exemplo: “Não consigo fazer isso porque eu nunca tive quem me ensinasse”; “Sou antissocial porque meus pais nunca permitiram que eu me aproximasse das visitas”; “Não sei abraçar porque não tive colo”. Essas falas remetem ao receptor um sentimento de compaixão, e externar esse sentimento, seja de forma verbal ou corporal, enviará a mensagem ao emissor, de reforço negativo. Esse reforço produzirá um aprendizado que ter sofrido gerou uma empatia e a empatia gerou algum ganho. Compreende? Um verdadeiro círculo que produz uma postura de acomodação e que acabará por gerar uma autoestima baixa.

     Percebendo que a sua criança está com uma tendência a ser “reclamona”, o primeiro passo é conversar sobre a queixa e promover uma reflexão de compreensão da situação. Exemplo: “Você nunca deixa eu dormir na minha amiga, mamãe”, “Eu nunca posso nada!”. Diante dessa queixa, a criança traz sentimento de injustiça, incompreensão da regra familiar, tristeza por não ser atendida, sensação de ter uma mãe má. Detectado o sentimento, o próximo passo é verificar se as regras familiares estão claras e empregadas por todos os responsáveis. Afinar o discurso entre o casal ou responsáveis é de suma importância para a saúde da criação. Percebendo divergências, a criança começa a articular esse movimento em prol do atendimento das suas vontades.

     A partir dessa análise, a mudança da ação precisa ser diária e consistente: adultos e criança. Somente dessa forma será possível gerar mudança. Para entender o caminho proposto aqui, basta observarmos que tipo de expectativa entre o senso do que é justo e saudável estabelecemos ao longo de nossa existência baseada em nossas vivências infantis. É bem interessante quando nos percebemos com dó de nós mesmos. Quantas oportunidades perdemos por nos acharmos incapazes ou infelizes o suficiente para usufruirmos de algum tempo livre, nos candidatarmos a algum emprego, sermos cortejados por algum pretendente de quem não nos achamos à altura, receio de inscrevermos em algum curso, entre outras tantas ações, atitudes estas oriundas do exercício de vitimização na infância. Não queremos isso para os nossos filhos, não é mesmo? Então, mão na massa!

 Nada de cair nas chantagens deste pequeno ser que experimentou essa estratégia e que percebeu que, de repente, ela deu certo!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Imaginário Infantil

Imaginário Infantil: o que temos feito com ele?



Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Tenho me preocupado com as nossas atitudes em relação ao imaginário infantil. Será que a realidade atual está permitindo com que as nossas crianças possam utilizar a riqueza desta ferramenta?
Vivemos uma situação atual de muita incompreensão diante de uma criança criativa e imaginativa. Agimos como se fôssemos responsáveis em puxá-las para realidade adulta. Vamos pensar um pouco: criança tem que ser criança, certo? Precisa criar, dramatizar, cantarolar e aos poucos ir transitando entre a emoção e a razão. A construção do pensamento racional será feita à medida que ela for crescendo. Isso significa que permitir à criança criar, ler histórias infantis e eleger heróis não a fará infantilizada posteriormente. Ela apenas consegue sonhar acordada e ainda partilhar com os amiguinhos reais e imaginários, mas depois entenderá quem são os verdadeiros heróis.
Esse movimento infantil permite a ampliação do vocabulário, aguça a curiosidade infantil e ainda proporciona repertório para que possa, futuramente, ser autora de suas próprias histórias. Esta riqueza tem sido confundida no ato de educar de muitos pais quando os mesmos acusam a criança de ser mentirosa ou dramática ao contar para família experiências recheadas de invenções. O medo familiar em não conseguir trabalhar valores está tão exacerbado e confuso que estamos perdendo a riqueza infantil. Frases como: Isso não é verdade! Você está mentindo! Pare de inventar! estão sempre prontas em nossa boca.
O equilíbrio está exatamente em olhar para esse ser com a idade que ele tem. Não é porque as nossas crianças estão espertas e além da nossa época que isso nos faz agir com elas como se fossem mais velhas. As crianças precisam ser tratadas e respeitadas conforme a fase em que se encontram.
A literatura infantil traz elementos em seus contos de fadas, por exemplo, que muito contribuirão no desenvolvimento das nossas crianças: dilemas existenciais descritos de forma simplificada e com leveza. Isso proporciona ao leitor aprender a lidar com situações que aparecerão em sua vida: medo, angústia, perdas, conflitos. O imaginário agirá no subconsciente dando recursos de sobrevivência às dores emocionais e a tomadas de decisões.
Antecipar as fases tem prejudicado muito o desenvolvimento das nossas crianças e precisamos acordar para isso. E voltando ao imaginário, estamos em plena época de Natal... O que você programou para aguçar o imaginário da sua criança envolvendo o Papai Noel? O que o Papai Noel representa para a sua família? Já pensou em transformar essa figura, muitas vezes trazendo só bens materiais (brinquedos, eletrônicos e hoje até dinheiro em envelopes), em uma figura que possa trazer mensagens de reflexão? Um Papai Noel que incentive os estudos e a participação da família para um mundo melhor? É, podemos apresentar um Papai Noel que aguce a vontade das nossas crianças para pensar em ações que permitam uma mudança social, sem perder a alegria do presente que receberá também. Afinal, a criança aguarda muito este momento.
Uma criança com riqueza no imaginário é uma criança mais feliz. Dar asas para sonhar, fazer e acontecer é colheita certa de uma mente mais resistente às castrações futuras. Segundo Fanny Abramovich, “O ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer dum texto!”.
Terminarei esta reflexão com um convite! Que tal tirar uma horinha do seu dia para ler com a sua criança, diariamente? Permita-se dar asas ao seu imaginário também. Relembre as histórias que você ouvia e mergulhe nesta aventura. Desta forma, vocês irão construir um vínculo em um momento lúdico que facilitará futuramente quando precisarem conversar sobre as etapas racionais da vida.

Falando em imaginação e ludicidade... Você já escreveu a sua cartinha para o Papai Noel?


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015