quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

EROTIZAÇÃO INFANTIL: O QUE ESTAMOS OFERECENDO AOS NOSSOS FILHOS?




EROTIZAÇÃO INFANTIL: O QUE ESTAMOS OFERECENDO AOS NOSSOS FILHOS?





Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

     A erotização apresentada pela mídia tem trazido precocidade para o processo de descoberta da sexualidade. Precisamos dar uma parada para pensar sobre o que nossos filhos estão assistindo e ouvindo. Hoje, quase não encontramos famílias que se preocupam com o que estão oferecendo para nossas crianças. Não selecionam músicas ou programas, até pela falta de tempo. Dessa forma, nossos pequenos estão expostos a um linguajar e a modelos bem distantes da faixa etárias deles.
    Como são movidos por exemplos, repetem comportamentos de adultos e não é raro encontrar crianças cantando músicas seguidas de danças erotizadas. É claro que uma criança tem a sua pureza, mas não é assexuada. Porém, a forma de apresentar a sua sexualidade é que tem trazido preocupações e espanto. A sexualidade tem uma evolução natural. Freud já destacava isso: fase oral, anal, fálica, latência e genital.
    A criança brincar com o corpo, uma brincadeira que leva ao toque e a sensações, parece inaceitável para os pais. Um reforço ao pensamento da assexualidade dos filhos. Encontrar um filho se masturbando, para muitos, é um choque. E para piorar, muitas vezes nos deparamos com famílias criando historinhas recheadas de inverdades sobre as curiosidades dos filhos de como um bebê é gerado.
    Sabendo que existe um instinto natural que, ao amadurecer, a criança vai percorrendo pelas fases que Freud tanto estudou e nos presenteou com seu saber, promover o acesso a filmes, vídeos, clipes, músicas e diálogos que podem remeter a criança a uma fase para a qual ainda não possui amadurecimento. Por exemplo: ao cantar e dançar uma música que fala de sexo e a dança é erótica e sensual, ela fará por imitação, mas ao entender o significado, se sentirá desperta pela atração que conseguiu obter dos que assistem a ela. Dessa forma, começará a prestar mais atenção às atitudes dos adultos do que às das crianças e adolescentes de sua faixa etária. Sem dúvida nenhuma, isso gerará um grande prejuízo à formação da mesma.
    Para entender ainda mais as fases e procurar não as antecipar, vamos relembrar os ensinamentos de FREUD:
* 0 a 1 ano – Fase Oral – A boca é o centro da atenção. É o que o faz ter contato com o mundo. O aprendizado se dá com a experiência de ser saciado pelo seio da mãe, gerando uma enorme sensação de bem-estar. Por buscar este prazer, o bebê leva tudo à boca.
* 2 a 4 anos – Fase Anal – Descobrindo que é possível controlar o esfíncter, o ânus passa a ser uma região de satisfação. Encara as fezes como um presente que vem de dentro para a mamãe que, muitas vezes, faz festa pelo feito. Pode ocorrer também de a criança se tornar irritada e até agressiva porque, ao realizar a evacuação, passará por uma higiene, levando-a a perceber a necessidade de cuidados, muitas vezes, gerando impaciência e rejeição.
* 4 a 6 anos – Região Genital – Chega aí a descoberta das diferenças anatômicas dos sexos através das genitálias. As fantasias chegam a respeito dessas diferenças. As crianças acreditam que as meninas passaram por uma castração por não possuírem pênis. Período em que a criança se aproxima da mãe e entra em um processo de concorrência com o pai. Já a menina passa pelo processo inverso: aproxima-se do pai e entra em processo de crítica e afastamento da mãe.
* 6 a 11 anos – Latência – Uma volta às atividades socialmente aceitas e atividades escolares. Um período do clube dos “Bolinhas” e das “Luluzinhas”.
* A partir dos 11 anos – Fase Genital – Retorno às sensações e aos impulsos sexuais. Desperta para o sexo oposto fora do vínculo familiar. Interessa-se por um objeto de amor. Na busca da identidade, sofre o luto da perda da infância.
    Sabendo desse percorrer do amadurecimento, devemos ficar bem atentos a nossos filhos e procurar ajudá-los a experimentar cada fase de forma sadia, sem sofrimento e sem precocidade. Dependendo de como agimos, podemos gerar um conflito de sentimentos e até um excesso de atenção à sexualidade além do que é natural.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

TERAPIA DO BOM HUMOR PARA CRIANÇAS

Terapia do bom humor para crianças








Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais



Nós nos derretemos com os primeiros reflexos das crianças que esboçam sorrisos. Assim que o bebê faz movimentos faciais, já abrimos um largo sorriso de alegria e uma onda de amor desce do fio da cabeça aos nossos pés. Naquele momento, aprendemos que o riso é um verdadeiro remédio, gerando um bem-estar imediato.

Por que muitas vezes nos esquecemos disso? O que acontece conosco que deixamos de promover ondas de gargalhadas com as nossas crianças?

Muitas vezes nos deparamos com famílias mal-humoradas: do pai ao bebê. Todos carrancudos e com uma grande fenda na testa, entre os olhos, características de pessoas preocupadas, enfezadas e mau- humoradas.

Acontece que é durante a infância que precisamos promover uma enxurrada de risos em nossas crianças, até porque elas possuem facilidade para sorrirem e gargalharem por motivos até tolos. Crianças felizes e risonhas adoecem menos, sabiam? Então, precisamos parar para pensar sobre a necessidade de cultivar o bom humor em nossas vidas e na vida da nossa família.

O humor sadio, sem ser ácido e maldoso. O humor que não denigre o outro. O humor inteligente e generoso. O humor que nos faz bem e bem ao outro. Não o humor que promove humilhação, que faz rir da criança. Isso afetará a sua autoimagem e autoestima. Rir dos erros cometidos pela criança, jamais! Deparou-se com um erro? Chame-o para conversar, procure ouvir o que ele pensa sobre. Depois ajude-o a resolver e mostre que para tudo tem um lado divertido, para que não se culpe em excesso ou se puna.

Da mesma forma que as regras disciplinares, a religião, a educação familiar, a manutenção do amor e o respeito às gerações, os princípios e valores, o bom humor se faz necessário na relação com nossos filhos.

A quanto tempo você não programa um passeio de diversão familiar?  Qual foi a última “guerra“ de almofadas ocorridas em sua casa? Você já acampou dentro de casa com seus filhos (a velha barraquinha de lençóis)? Quando ocorreu a última “contação” de histórias?  Algum dia você se vestiu engraçado para surpreender a prole?

Relacionar-se com dedicação de tempo às diversões com os filhos tira a tensão rotineira e os deixa mais cortês. Este exercício permite encarar a vida, enfrentando os problemas do tamanho que eles são, sem exageros e vitimização. Permitir rir de si mesmo ensina a lidar com erros e transformá-los em aprendizado.

O riso é contagiante. Ele aproxima as pessoas, aumenta a imunidade, promove liberação de endorfinas e transmissores químicos que geram bem-estar ao cérebro, dá uma sensação de leveza e felicidade.

As crianças se entregam facilmente a este ambiente leve de sorrisos, brincadeiras e ações bem-humoradas. E o que acontece entre a fase do bebê e a infância que parece que deixamos de ser “palhaços divertidos” dos nossos filhos? Acredito que a responsabilidade e as nossas cobranças internas referentes à criação, sem que percebamos, vão gerando obrigações, rotinas e cobranças às nossas crianças, dando uma dureza sem necessidade. Posso ser um pai amoroso e divertido sem deixar de impor regras e fazer cobranças das obrigações. Ser bem-humorado com os nossos filhos não os levará a nos ver como autoridades.

Muitas vezes levamos nossa postura de profissional para o nosso lar e nos tornamos chefes em vez de gestores familiares. Geramos tensões e estresse sendo pais que corrigem sem levar os nossos filhos a pensar sobre as suas ações e crescerem. Muitas vezes promovemos a obediência pela obediência.

Para termos filhos bem-humorados, precisamos dar exemplo. Alegria e bom humor ajuda muita na educação das nossas crianças. Se somos imitados por nossos filhos, vejamos neles o nosso reflexo. Como estão seus filhos: alegres e sorridentes ou tensos e estressados?

Sem falar que os vínculos construídos na relação harmoniosa são duradouros e fortalecidos a cada dia. Dá prazer estar ao lado de pais que promovem diversão. Pais divertidos e alegres são mais buscados pelos filhos, como companhia, que pais que julgam, apontam e são austeros.


Vamos buscar a promoção de um lar onde todos os membros da família consigam, através da leveza que o humor nos traz, enxergar a vida como ela é. Ver a vida com toda a sua realidade é encará-la, criar estratégias para crescer e lutar para o mundo melhor.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

DEPRESSÃO INFANTIL: PRESENÇA EM NOSSO COTIDIANO

DEPRESSÃO INFANTIL: PRESENÇA EM NOSSO COTIDIANO




Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Muito tem se falado sobre depressão em razão da vida que temos levado. Frases como: “Nunca fomos tão tristes”; “Depressão, o mal do século”; “O segmento farmacêutico está lucrando com ansiolíticos e antidepressivos” estão cada vez mais frequentes nas rodas de conversas. Mas afinal, estamos refletindo que um adulto, ao enfrentar esse problema, pode ter carregado elementos do mundo infantil? Que ele, de repente, não ficou deprimido com a rotina adulta, mas que sempre foi deprimido?
Precisamos voltar os olhos para os nossos pequenos e identificar alguns sinais:
1- Quais as escolhas que seu filho tem feito na hora de assistir a desenhos ou filmes? Os cheios de ação e movimento ou os mais fantasiosos e emotivos?
2- Que tipo de literatura (historinhas) o atrai? Histórias nas quais o personagem é uma vítima sofrida, que vivencia rejeição e desamor?
3- Mesmo com a casa cheia, o seu filho se isola com algum brinquedo ou interage? Mostra-se integrado ou com sentimento de não pertencimento? 
4- Suas narrativas apresentam muitos pensamentos mágicos de transformação, incluindo a solicitação de mais presença de algum membro da família? Exemplo: se eu pudesse, o papai não viajaria mais!
5- Traz sentimento de se sentir diferente dos amigos da escola, esporte, grupos do condomínio ou da rua? Acha que não é querido?
6- Conta sofrimentos de colegas sempre carregados de injustiça e crueldades juvenis? 
7- Rói unha, fere-se com cortes ou aparece com roxos pelo corpo, marcas típicas de autopunição?
8- Possui pensamentos negativos sobre os desafios escolares, esportivos e festividades familiares?
9- Observa a relação dos pais com as outras crianças com ar de desconfiança e ciúme, e depois recua dos mesmos, rejeitando afagos e carinhos?
10- Não é convidado para eventos dos amiguinhos e sempre acha uma justificativa?
11- Tem baixa autoestima, sempre falando de si com descrédito ou falsa autoestima, exagerando em seus predicados, mostrando-se claramente uma defesa?
Esses são sinais e não regras para atestar uma tristeza ou depressão. Sinais são oportunidades para que possamos dialogar e ajudar nossos filhos. Nenhum adolescente que demonstra desamor à vida desenvolveu esse sentimento da noite para o dia. Os altos índices de problemas psiquiátricos em adolescentes e adultos geralmente incluem situações oriundas da infância.
Dialogar com os nossos filhos significa dar abertura para ouvi-los, entender a sua dor, sem julgamento e apontamento. É permitir que ele se abra e trabalhe a sua dor, os seus receios e as suas “neuras”. Às vezes, a simples chegada de mais um membro da família pode desencadear uma insegurança seguida de tristeza. Pais cuidadosos, ao perceberem, precisam conversar com seu filho e gerar um ambiente seguro de amor e cumplicidade. Considerar a dor do outro, sem banalizá-la, é o primeiro passo para o conforto e a retomada dos sentimentos construtivos. Não podemos esperar de uma criança o que muitos adultos não conseguem fazer: refletir sobre a dor interna, compreendê-la e traçar estratégias para superá-las.
Um erro muito recorrente que encontro como terapeuta familiar são pais de filhos estudiosos e “aparentemente bem-sucedidos” na escola e demais aulas extras que ignorarem o pedido de socorro emocional. Ter excelentes notas e sucesso no ballet ou judô, por exemplo, não significa que a carga não pode estar pesada demais para ele/ ela. Muitas vezes o esforço de ser modelo e agradar traz uma carga emocional muito sofrida e pesada para administrar. Você já perguntou ao seu filho se ele é feliz com as suas escolhas? Se está bem com a sua rotina? Se ele mostrar-se arrependido por uma escolha ou que está pesado demais, negocie. Não ensine a abandonar. Administre a rotina e coloque data para concluir, como o término de um semestre, por exemplo. Só de ele saber que pode negociar, se sentirá ouvido e poderá até, após o alívio da obrigatoriedade, desistir de desistir.
Quais valores você tem trabalhado com sua prole? Frequentar a família, ter religião, passeios em harmonia familiar, desenvolver o respeito à hierarquia familiar, fazer visitas, gerar sentimentos de generosidade e doação também ajudarão seus filhos a possuírem sentido à vida. Precisamos mostrar que o mundo é muito além do egoísmo que temos permitido em nossos lares.
Fiquem de olho!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ATRASO NA FALA E FALA INFANTILIZADA



ATRASO NA FALA E FALA INFANTILIZADA

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

   É bem comum encontrar as famílias assustadas quando percebem que sua criança está demorando para falar ou prolonga uma fala infantilizada. Vou começar refletindo sobre como lidamos com as situações. Primeiro em relação à fala atrasada. Você tem conversado com o seu bebê? Estimula barulhos e expressões? Saiba que a motivação da criança vem dos seus cuidadores. Um lar silencioso, uma relação “muda” não estimulará a criança a falar ou balbuciar. Esse exercício de conversar com a criança diariamente a permitirá, incialmente por imitação, a ousar em tentativas de fala.
   
   Converse com seu bebê durante a rotina diária: hora do banho, troca de fraldas, momento de amamentação. Nesses momentos, pronuncie corretamente as palavras, de maneira natural, com tom de voz que atraia a atenção e capriche na expressão facial. Ressalto a necessidade de uma pronuncia correta para a criança, ela precisa de exemplo. Ao ouvir os balbucios e as vocalizações, olhe no olhinho dela com doçura e amor. Ela se comunicará com você e receberá como mensagem que está agradando (reforço positivo).
   
   Faça festa! Criança gosta de movimento e barulhos agradáveis. Isso demonstrará o seu interesse pelo avança dela. Quando pegar algum objeto, mostre a ela e diga o nome correto do objeto. Introduza os nomes entre um “bate-papo e outro”.  Dá mesma forma, introduza o nome dos familiares: olha a Dindinha chegando! Veja o papai! Joana está aqui! As ações também poderão ser introduzidas enquanto você realiza o fazer diário: vamos BRINCAR! Hora de TOMAR banho! PEGUE a bola! 
Abuse das músicas infantis. Elas fornecem elementos para a ampliação do vocabulário e agradam pela sonorização. Aos poucos, vá introduzindo os livros infantis. Deixe-a folhear com você e aponte as imagens, nomeando. Vá enriquecendo a imaginação e o vocabulário dela com a riqueza dos livros. Apresente as novidades sempre que saírem para passear. Antes mesmo de saírem, vá contando o que irão encontrar. Será um gostoso exercício para vocês.

   Estimule o pensar com perguntas. Faça muitas perguntas, mas permita a manifestção da criança. Não pergunte e responda. Perguntar estimulará o pensar e a linguagem. Escute com muita atenção. Não faça cara de não entender. Procure mostrar que está entendendo e estimule falar mais para que, de verdade, você a compreenda. Deixe-a formar a frase sozinha. Nada de pressa. Não complete a frase por ela. Tenha paciência e saiba esperar o tempo da criança. Sua ansiedade não pode passar para ela. Cada criança terá o seu momento. Só a compare com ela mesma, entendeu? 
   
   E quanto à fala infantilizada? A criança procura exemplo. Se ela manifesta uma fala infantil para a idade dela, provavelmente, alguém está sendo infantil com ela. Se sua criança falou uma palavra errada, não a repita. Fale a palavra correta. Exemplo: “Pepeta, mamãe!” “Não é pepeta, filha, é chupeta.” Percebe que temos 2X1. Isso mesmo! Duas palavras erradas contra uma certa. Qual palavra tem mais chance de ficar gravada na cabecinha dela?
  
    Advinhar o que a criança quer falar, atrasa a fala. Falará para quê se tem quem fala por ela? Conversar como um bebê com a criança a infantliza. Crescer para quê se está claro que a mamãe ou o papai quer um bebê? 
   
   Amamos tanto essa fase incial que não percebemos que nossas atitudes acabam sendo egoístas com os nossos filhos. Vê-los falar errado agrada tanto os ouvidos que reforçamos só para o nosso prazer. Saibamos aproveitar o momento da audição da primeira fala errada e imediatamente promover o crescimento dos nossos filhos. Sem antecipar nada, apenas sendo bons exemplos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Como não transformar a minha criança em vítima de si mesma.

Como não transformar a minha criança em vítima de si mesma.






Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

     A cada dia nos deparamos com adultos que se vitimizam o tempo todo. E como Terapeuta Familiar, sempre busco a origem dessa vitimização. Percebo que esse é um papel apreendido, seja com o adulto que está próximo ou por algum momento que, ao se vitimizar, obteve ganhos.

    E como trabalhar essa questão com os nossos pequenos? Primeiro, analise a ação dos adultos que convivem na rotina da criança. Caso encontre alguém que promova esse exemplo, trabalhe paralelamente esse adulto. A ação precisa ser conjunta.
Adultos queixosos ou cheios de justificativas para suas ações acabam por promover nas crianças o mesmo comportamento. Exemplo: “Não consigo fazer isso porque eu nunca tive quem me ensinasse”; “Sou antissocial porque meus pais nunca permitiram que eu me aproximasse das visitas”; “Não sei abraçar porque não tive colo”. Essas falas remetem ao receptor um sentimento de compaixão, e externar esse sentimento, seja de forma verbal ou corporal, enviará a mensagem ao emissor, de reforço negativo. Esse reforço produzirá um aprendizado que ter sofrido gerou uma empatia e a empatia gerou algum ganho. Compreende? Um verdadeiro círculo que produz uma postura de acomodação e que acabará por gerar uma autoestima baixa.

     Percebendo que a sua criança está com uma tendência a ser “reclamona”, o primeiro passo é conversar sobre a queixa e promover uma reflexão de compreensão da situação. Exemplo: “Você nunca deixa eu dormir na minha amiga, mamãe”, “Eu nunca posso nada!”. Diante dessa queixa, a criança traz sentimento de injustiça, incompreensão da regra familiar, tristeza por não ser atendida, sensação de ter uma mãe má. Detectado o sentimento, o próximo passo é verificar se as regras familiares estão claras e empregadas por todos os responsáveis. Afinar o discurso entre o casal ou responsáveis é de suma importância para a saúde da criação. Percebendo divergências, a criança começa a articular esse movimento em prol do atendimento das suas vontades.

     A partir dessa análise, a mudança da ação precisa ser diária e consistente: adultos e criança. Somente dessa forma será possível gerar mudança. Para entender o caminho proposto aqui, basta observarmos que tipo de expectativa entre o senso do que é justo e saudável estabelecemos ao longo de nossa existência baseada em nossas vivências infantis. É bem interessante quando nos percebemos com dó de nós mesmos. Quantas oportunidades perdemos por nos acharmos incapazes ou infelizes o suficiente para usufruirmos de algum tempo livre, nos candidatarmos a algum emprego, sermos cortejados por algum pretendente de quem não nos achamos à altura, receio de inscrevermos em algum curso, entre outras tantas ações, atitudes estas oriundas do exercício de vitimização na infância. Não queremos isso para os nossos filhos, não é mesmo? Então, mão na massa!

 Nada de cair nas chantagens deste pequeno ser que experimentou essa estratégia e que percebeu que, de repente, ela deu certo!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Imaginário Infantil

Imaginário Infantil: o que temos feito com ele?



Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Tenho me preocupado com as nossas atitudes em relação ao imaginário infantil. Será que a realidade atual está permitindo com que as nossas crianças possam utilizar a riqueza desta ferramenta?
Vivemos uma situação atual de muita incompreensão diante de uma criança criativa e imaginativa. Agimos como se fôssemos responsáveis em puxá-las para realidade adulta. Vamos pensar um pouco: criança tem que ser criança, certo? Precisa criar, dramatizar, cantarolar e aos poucos ir transitando entre a emoção e a razão. A construção do pensamento racional será feita à medida que ela for crescendo. Isso significa que permitir à criança criar, ler histórias infantis e eleger heróis não a fará infantilizada posteriormente. Ela apenas consegue sonhar acordada e ainda partilhar com os amiguinhos reais e imaginários, mas depois entenderá quem são os verdadeiros heróis.
Esse movimento infantil permite a ampliação do vocabulário, aguça a curiosidade infantil e ainda proporciona repertório para que possa, futuramente, ser autora de suas próprias histórias. Esta riqueza tem sido confundida no ato de educar de muitos pais quando os mesmos acusam a criança de ser mentirosa ou dramática ao contar para família experiências recheadas de invenções. O medo familiar em não conseguir trabalhar valores está tão exacerbado e confuso que estamos perdendo a riqueza infantil. Frases como: Isso não é verdade! Você está mentindo! Pare de inventar! estão sempre prontas em nossa boca.
O equilíbrio está exatamente em olhar para esse ser com a idade que ele tem. Não é porque as nossas crianças estão espertas e além da nossa época que isso nos faz agir com elas como se fossem mais velhas. As crianças precisam ser tratadas e respeitadas conforme a fase em que se encontram.
A literatura infantil traz elementos em seus contos de fadas, por exemplo, que muito contribuirão no desenvolvimento das nossas crianças: dilemas existenciais descritos de forma simplificada e com leveza. Isso proporciona ao leitor aprender a lidar com situações que aparecerão em sua vida: medo, angústia, perdas, conflitos. O imaginário agirá no subconsciente dando recursos de sobrevivência às dores emocionais e a tomadas de decisões.
Antecipar as fases tem prejudicado muito o desenvolvimento das nossas crianças e precisamos acordar para isso. E voltando ao imaginário, estamos em plena época de Natal... O que você programou para aguçar o imaginário da sua criança envolvendo o Papai Noel? O que o Papai Noel representa para a sua família? Já pensou em transformar essa figura, muitas vezes trazendo só bens materiais (brinquedos, eletrônicos e hoje até dinheiro em envelopes), em uma figura que possa trazer mensagens de reflexão? Um Papai Noel que incentive os estudos e a participação da família para um mundo melhor? É, podemos apresentar um Papai Noel que aguce a vontade das nossas crianças para pensar em ações que permitam uma mudança social, sem perder a alegria do presente que receberá também. Afinal, a criança aguarda muito este momento.
Uma criança com riqueza no imaginário é uma criança mais feliz. Dar asas para sonhar, fazer e acontecer é colheita certa de uma mente mais resistente às castrações futuras. Segundo Fanny Abramovich, “O ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer dum texto!”.
Terminarei esta reflexão com um convite! Que tal tirar uma horinha do seu dia para ler com a sua criança, diariamente? Permita-se dar asas ao seu imaginário também. Relembre as histórias que você ouvia e mergulhe nesta aventura. Desta forma, vocês irão construir um vínculo em um momento lúdico que facilitará futuramente quando precisarem conversar sobre as etapas racionais da vida.

Falando em imaginação e ludicidade... Você já escreveu a sua cartinha para o Papai Noel?


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O lado bom da crise econômica na formação das nossas crianças.








O lado bom da crise econômica na formação das nossas crianças.


Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais



O momento é delicado, sofrido e muitas vezes desperta sentimentos ruins em nós: crise econômica! Como lidar com essa crise sem que afetemos tanto as nossas crianças? Elas são capazes de entender e aprender, basta sabedoria de nossa parte. E como adquirir sabedoria em um momento a que também estamos nos adaptando?
Tudo que surge em nosso mundo adulto precisa ser refletido e digerido antes de deixar as crianças participarem. Hoje presencio pais se aconselhando com as crianças. Triste, né? Com isso nossas crianças estão sendo obrigadas a amadurecerem muito cedo, sem o mínimo preparo cognitivo e emocional.
A crise econômica está aí para nos desafiar em nossa missão de sermos pais assertivos. Se encararmos todas as situações como oportunidades de ensinar algo para os nossos filhos, essa missão se tornará menos pesada.
O primeiro passo é rever os nossos próprios valores, afinal só conseguimos fazer com que o outro entenda o que ensinamos se estamos seguros em nossa fala e se a nossa prática corresponde com a nossa teoria. Então, nada de “pregar” o que não irá fazer como exemplo.
Desenvolver o conceito do que é necessário e o que é desejo será o nosso segundo passo. Explico: a criança precisa desenvolver o conceito do que ela necessita e do que é uma simples vontade ou modismo. Se exercitamos esse pensar, teremos muitas chances de promover a sua formação voltada para o SER, totalmente desfocada do TER.
Os pais muitas vezes afoitos em gerar momentos felizes aos nossos filhos, acabam por comprar o que ela aponta em uma determinada loja sem ao menos refletir se é algo que contribuirá para o desenvolvimento de seu filho ou algo que irá alegrá-la momentaneamente. Já perceberam que o interesse da criança passa rápido? Mudar o foco da compra pode ser um bom exercício para a sua percepção. Você irá perceber que o interesse muitas vezes é momentâneo e por isso ela abandona tão rapidamente o brinquedo adquirido e já parte para pedir outro. Ela aprende a ter prazer em comprar e não em brincar. Nasce então, mais um consumista neste mundo tão recheado de pessoas focadas no ter e aparecer.
        Ter e aparecer? É, infelizmente, nossos bebês estão aprendendo a comprar e mostrar. Ele sente prazer em comprar, depois sente prazer nos comentários sobre o que comprou e, quase que imediatamente deseja ter esse prazer de novo. Pareceu viciante? Verdade! Consumismo vicia.  Queremos nossos pequenos viciados em prazeres breves? JAMAIS ! Hoje o prazer é em TER e amanhã? Prefiro nem imaginar os vícios que poderão surgir para gerar pequenas satisfações.
        Outra situação muito vivenciada nos dias de hoje é a compensação de algo que a criança fez com dinheiro. A criança ajudou em casa, recebe dinheiro. Tirou nota alta? Lá vem mais um dinheirinho. Essa atitude da recompensa financeira tem gerado crianças muito focadas no dar para receber. Faço se me pagar. Estamos transformando, sem querer, os nossos filhos em verdadeiros avarentos, completamente focados no dinheiro. E como recompensar financeiramente em tempos de crise? Pois é, se eles aprenderam a colaborar se receberem dinheiro, como irão colaborar com o economizar?
        Por isso devemos cuidar muito da educação de nossos filhos voltada para a formação de um pensar consciente, mostrando os valores importantes da família focados na contribuição dos deveres e rotinas familiares, na importância da reflexão sobre aquisições que envolvam finanças, mostrar o que é importante para família e o que é vontade de consumir, falando sobre o momento de adquirir e o momento de retrair.
        Falar sobre o momento econômico do país, explicar sobre políticas públicas e destilar toda a sua ira sobre o atual momento não construirão absolutamente em nada no crescimento da criança, ela se sentirá impotente e não poderá mudar esse quadro, é distante dela essa realidade. Fazê-la entender a “crise econômica” ou o momento de prosperidade será essencial para que ela cresça equilibrada e certa de como agir consciente e madura nesse mundo que a impulsiona a cada segundo a ser uma consumidora compulsiva.




segunda-feira, 16 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Por que insisto em comparar o meu filho com o filho da minha melhor amiga?





Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Mal a criança nasce, já podemos perceber a inquietude dos pais em observá-la e compará-la com as crianças mais próximas da família. Por que precisamos agir assim? Provavelmente porque buscamos parâmetro e porque somos inseguros e muito competitivos também. O certo é que são raras as pessoas que não caem nessa tentação de acreditar na “normalidade” do filho a partir da comparação com o outro do outro.   
Sabemos que ao longo da sua vida infantil, é muito comum que a criança, em determinado momento, apresente uma dificuldade ou uma facilidade em alguma etapa de sua vida, se comparada à maior parte delas na sua idade. Claro! Somos diferentes! Cada criança terá o seu movimento de crescimento, o seu tempo de amadurecimento e, embora os escritos científicos norteiem o que acontece em cada fase, essas orientações não são determinantes e inflexíveis. Cada lar, com seus hábitos e costumes, será determinante para desenvolver características únicas de crescimento da criança. 
A sua melhor amiga poderá exemplificar que o seu filho andou aos 10 meses, mas isso não poderá trazer angústia caso o seu filho ainda leve de três a quatro meses para alcançar tal façanha. O mesmo ocorre com a fala. Já acompanhei crianças que levaram mais de 2 anos para começarem a falar. O desenvolvimento aparentemente tardio, poderá ficar invertido se as mesmas amigas continuarem juntas no período escolar. Poderão perceber que as diferenças dos filhos se inverteram, por exemplo, o que foi desenvolto no início da infância, agora demostra dificuldade ao ler e escrever. É preciso esclarecer que nada disso é critério para medir inteligência, síndromes, doenças, a não ser que haja uma diferença bastante significativa e a observação vá além dos muros da família, estendendo à escola e demais ambientes frequentados. 
Vários são os fatores que podem frear a evolução do aprendizado de uma criança pequena: chegada de um novo irmãozinho, mudança na rotina familiar, separação dos pais, saúde que requer muitos cuidados, isso sim pode exigir uma maior atenção na formação cognitiva da criança (ato de processar o conhecimento envolvendo atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento, juízo, linguagem e ação). É bem normal uma criança retomar hábitos de bebê quando o irmãozinho chega (voltar para fraldas ou retomar a mamadeira) ou quando os pais se separam, por sentirem-se inseguros. 
Quanto mais naturalmente a família agir, mais rápido a criança retomará seu crescimento. Como o adulto que, em situações estressantes, requer compreensão e auxílio, a criança também precisa de cuidados.  Esses cuidados precisam ser trabalhados para a retomada dos hábitos sadios. Não devemos ter atitudes de compaixão que soarão como ganho secundário da atitude regredida. Se a família se sentir culpada por algo, a criança entenderá o sentimento e acabará por ter ganhos. É verdade! Mesmo pequenos são capazes de nos manipular. 
Permitir à criança expressar que algo não está bom facilitará a compreensão e norteará o caminho para a solução. Olhar para essa criança enviando sinais de que a está entendendo e não a vê como uma criança problema, também facilitará o processo. Muitas vezes a criança apresenta a queixa, mas os problemas encontram-se nos familiares que convivem com ela. 
Se visualizarmos a criança de hoje, inserida em um lar onde os adultos não as poupam de nenhum assunto, podemos concluir que a sua imaturidade, própria da sua idade, a impedirá de digerir, assimilar, processar e seguir em frente diante dos problemas familiares expostos.  Na instituição escolar, nos deparamos com crianças que apresentam atitudes agressivas ou de retração e, ao investigarmos, acabamos por perceber como estão afetadas emocionalmente, deixando muito evidente que o atraso do desenvolvimento não tem ligação nenhuma com ausência de capacidade de aprendizagem e sim, uma falta compreensível de maturidade para lidar com as emoções geradas em seu meio familiar. Dessa forma, fica muito injusto compararmos o desenvolvimento das crianças em qualquer fase de sua vida.  O filho de sua melhor amiga está inserido em um contexto completamente diferente do seu.  
Então, você pode estar se perguntando: no que diz respeito ao desenvolvimento do nosso filho, como devemos proceder?  Precisamos recorrer aos profissionais que asseguram o conhecimento de cada etapa em que nosso filho se encontra: pediatra, pedagogo, psicólogo, terapeutas, neuropediatra e o principal, ter a consciência de que, enquanto estou focado no filho do outro, deixo de ver o meu filho em sua essência, em suas necessidades.  
Observar a dinâmica familiar é de suma importância para o crescimento saudável da criança. Não me surpreenderá se ao analisar o ambiente em que a criança está inserida, a família chegue à conclusão de que quem precisa de ajuda são os cuidadores da criança.  A terapia familiar revela grande parte do caminho saudável do desenvolvimento do filho.  Não se acanhe em buscar ajuda quando a dúvida invadir sua vida e tirar a sua paz diante de qualquer situação com seu filho. Tudo o que é acudido prematuramente tem mais chances de ser resolvido com êxito. Situações temporárias trabalhadas na hora certa, não gerarão nenhum trauma ou lembranças ao futuro adulto. Fica a dica!  













*Fabíola Sperandio T. do Couto é  graduada em Pedagogia pela UFG, especialista em Psicopedagogia e Terapia de Família e Casais. Trabalha como diretora pedagógica escolar, com uma experiência de mais de 28 anos em educação.  É palestrante e terapeuta familiar e de casais. Acompanhem também o BLOGhttp://fabiolasperandiodocouto.blogspot.com.br/