segunda-feira, 3 de junho de 2019

A busca do título de bons pais e suas consequências






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Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


        Sentada em uma área de alimentação, um rapaz se aproxima de mim e logo se identifica como um pai interessado na criação dos filhos e, por isso, buscava leituras constantes e, entre elas, meus artigos. Agradeci e me coloquei pronta a ouvi-lo. Percebi que precisava falar.
Entre tantas partilhas feitas, via uma ansiedade por ter um parecer sobre a sua postura paterna. Ele se preocupava em me contar detalhes de como se dedicava aos filhos e, como parte da sua dedicação, abria mão de um período do trabalho só para acompanhá-los nas aulas extracurriculares. Ouvia atentamente cada palavra, lia cada expressão e me surpreendia com a análise de sua leitura corporal: ele queria muito ouvir ou receber uma aprovação.
Durante a exposição longa, fui refletindo sobre tudo o que me falava e tudo os que estava por trás de cada palavra. Ali, eu me vi diante de um pai que, por trás de uma aparente dedicação, tinha uma vontade enorme de satisfação pessoal.
Talvez ele ainda não tivesse se dado conta de que se realizava com este papel. Havia muito mais desejo pessoal. Ele estava sendo um pai dedicado, com certeza, mas, ao deixar um período, acompanhar os filhos em tudo, não tinha se dado conta que isso não era uma necessidade dos filhos e, sim, dele.
Os filhos precisam de espaço para crescerem. Estou certa de que ser presente não significa estar PRESENTE em tudo. Vejo muitos casos de pais que “abrem” mão de suas profissões e depois cobram muito caro dos filhos. E o desejo inicial de ser aquele super-pai vai embora quando os filhos começam a crescer e buscar seu próprio espaço. Neste momento, poderão surgir as cobranças, que soarão como um preço aos filhos. Uma conta apresentada sem que o filho tenha “feito a encomenda”.
A frustração com que o pai fica soa, para ele, como ingratidão da cria. E isso é muito ruim para a relação. Os pais precisam ter maturidade quando fazem a escolha de abrir mão de algo pelos filhos e, da mesma forma, quando os filhos escolhem ter mais espaço.
Percebo pais que acabam por extrapolar o seu papel e até impedem os filhos de crescerem. Acredito na autonomia vigiada e não “realizada” por eles.  Ter compromissos paternos não impede de os filhos terem seus compromissos escolares e esportivos paralelos. Ter horários de trabalho não impede de os filhos terem seus horários de estudo. Os pais podem monitorar à distância e se fazerem presentes em reuniões, apresentações, campeonatos, etc. 
Outro alerta importante é estarmos atentos se, como pais, não estamos nos realizando naquilo em que matriculamos nossos filhos. Muitas vezes, vamos conduzindo as crianças para atividades que sempre desejamos realizar e não tivemos oportunidade ou capacidade. Vejo crianças cansadas de certas atividades extras, mas que não ousam pedir para parar, para não decepcionarem os pais, porém estão sofridas e desgastadas por isso.
Novamente o desejo pessoal sobrepondo-se à necessidade ou vontade da cria. Estar atentos à leitura de nossas ações é muito importante. O que estou fazendo, de verdade, é por acreditar que é necessário ou para realizar um sonho interno? O que é ser pai presente? As minhas ações são por amor ou terão um preço? Se há um preço, eu, como pai, sinto essa conta pesada ou passarei o “boleto” para o meu filho pagar (mesmo que ele não tenha feito o pedido)?
Como pais, precisamos pensar sobre as nossas concessões. Até que ponto não faço algo muito mais pelo título de bom pai, receoso do fracasso, ou pelo desenvolvimento dos filhos?  Os filhos realmente precisam da nossa presença 24h ou necessitam de espaço para se relacionar e conviver? Consigo conhecer meu filho pela leitura dos profissionais que convivem com ele ou tenho que ter meu olhar projetado o tempo todo e só o meu parecer revela quem ele é?
Acredito que o mundo tem gerado constantes exemplos de como devemos ser hábeis na criação de nossos filhos, mas o maior exemplo ainda é o que ocorre dentro de nosso lar: respeito, afeto, valores e princípios exercidos no seio familiar.  Não é evitando contato sem vigilância que fará seu filho se desprender dos ensinamentos, pelo contrário, é dando oportunidade de ele estar em variados locais que ele exercerá o que aprende com os pais.
Pais produtivos promovem exemplo para os filhos. Pais produtivos gerarão filhos produtivos também. Pais cuidadosos gerarão filhos cuidadosos. Pais presentes permitirão que seus filhos desejem a presença nos momentos importantes. Esteja presente fisicamente nos momentos importantes. Essa presença é suficiente. Nos demais momentos permita que a sua presença esteja internalizada pelos ensinamentos em seu filho.


“Papai, eu não quero ser homem”




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Fabíola Sperandio Teixeira
Pedagoga – Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Especialista em Gestão e Organização em Centros Educacionais
Mestre em Educação

          Eustáquio é um pai que divide as tarefas com a sua esposa Efigênia. E uma de suas tarefas é buscar Eugênio na escola. Ao encontrar pai, o garotinho de 9 anos vem correndo e abraça as suas pernas. Com os olhos marejados, ele logo diz: “Papai, eu não quero ser homem”.
         Eustáquio não estava entendendo o que estava acontecendo. Ficou em silêncio até a entrada do carro. O silêncio dele foi interrompido com a frase repetida por mais 2 vezes. Eustáquio criou coragem e perguntou: “Por que você não quer ser homem, Eugênio? “
         Eugênio começa a narrar que a diretora da escola entrou na sala de aula e foi explicar que eles estão crescendo e que isso chamava adolescência. Entre tantas coisas ditas, ela fala das mudanças físicas e emocionais, focando em aspectos negativos dessa fase até virar um homem.  Eugênio se desesperou.
         Eustáquio não conseguia entender o porquê desta atitude da escola. Não conseguia dar uma palavra ao filho, apenas o ouvia. E, à medida que o escutava, se enchia de revolta pela escola.
         Chegando em casa, Eustáquio chama a sua esposa e conta o corrido. Efigênia fica em choque ao ver o desespero do filho e as consequências de uma intervenção carregada de falhas. Efigênia resolve me ligar. Começa a ligação com a voz trêmula, em uma mistura de revolta e sentimento de impotência. Narrou tudo, em detalhes, sobre os medos e aprendizados do filho.
         Após a acolhida, orientei Efigênia sobre como ela e Eustáquio deveriam proceder:

1º Sentem-se, o casal, com o filho de tal forma que os olhares possam estar na mesma altura. Olhem-se de forma amorosa.

2º Escutem tudo o que ele tem a contar, sem interrompê-lo. Deixe-o esvaziar seus medos e angústias.

3º Comecem a contar sobre as alegrias que vocês, pais, tiveram quando tinham a mesma idade. Contem sobre como lidaram com a mudança corporal e as emoções.

4º Embora chateados com a conduta da profissional da escola, não foquem nela. Não desautorizem a escola. Digam apenas que a diretora contou parte da fase e reelaborem as falas dela. Exemplo do que ela falou e forma de falar melhorada.

Diretora: “A menina, para virar mulher, sangra no meio das pernas. ”
Pais: “Filho, a menina vai crescendo e o corpinho dela vai se preparando para torna-la mocinha e depois, mulher. Há um órgão que é exclusivamente feminino, chamado útero. Ele é responsável pela vida! Ele que guarda os bebês. O sangue é sinal que o corpo já está se cuidando para que, no futuro, ela possa ser mamãe. É lindo isso!”

Diretora: “ O menino vai enchendo de pelo, a voz fica engraçada, porque cada hora, está de um jeito (fina ou grossa) e o pênis de cada um fica de um tamanho.
Pais: “Sobre os meninos, meu filho, os pelos vão chegando devagar. Assim, como a mudança da voz. Essa é a magia do crescimento, mostrando que ele está saudável. O pênis se desenvolve sim, porém o tamanho nunca foi importante. Tudo em nosso corpo é proporcional, e a nossa beleza está exatamente em sermos únicos. Cada um com o seu jeito.

5º Após a conversa, perguntem como ele está. Procurem saber se compreendeu melhor essa transição.

6º No final de tudo, proponha uma atividade em família. Algo que cada um possa fazer e o resultado final tenha a união de todos (organizar um jantar, um jogo, um filme)

         Efigênia ficou mais tranquila. Desligou e foi realizar as sugestões. Fiquei na torcida. No outro dia, pude perceber que a família havia se acalmado e tudo tinha dado certo. Sugeri que fossem até a escola e dividissem o ocorrido. Uma forma de contribuição para que pudessem verificar como estavam as outras crianças e repensassem a estratégia de abordagem.    Cabe à escola os ensinamentos científicos, mas a didática é primordial.



“Eu sei que tenho 6 anos, mas eu tenho doença de

 ansiedade”




Fabíola Sperandio Teixeira
Pedagoga – Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Especialista em Gestão e Organização em Centros Educacionais.
Mestre em Educação


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        Olhei para essa linda criança de cabelos cacheados, com um laço de fita bem exuberante e de um olhar com tanta meiguice trazendo uma “condenação” em sua fala: “Eu tenho doença de ansiedade”.
        Pedi para que ela me falasse mais sobre a sua “doença” e ela falou com tanta rapidez que até pedia o fôlego: “Eu sofro dessa doença, Tia Fabíola, acho que desde que nasci. Eu não aguento esperar nada. Se é dia de viajar, a mamãe nem me conta porque senão eu nem durmo.  Se minha amiga diz que vai lá em casa, eu ando a casa sem parar até ela chegar. Se está perto do Natal, eu fico nervosa para saber se vou ganhar o que pedi ao Papai Noel. “
        Ela ainda acredita em Papai Noel, tem a bela pureza da magia, porém, ao mesmo tempo, traz um conteúdo tão presente em nossa vida de adultos da modernidade. O que está acontecendo com as nossas crianças?
        Palavras como depressão, ansiedade, pânico tÊm saído da boquinha delas com muita facilidade. Será que estamos sendo adultos descuidados conversando sobre essas doenças psicoemocionais com as nossas crianças, nomeando-as e rotulando? E como ajudar uma criança que se vê com os sintomas e percebe que isso está prejudicando sua rotina?
        Primeiramente, acolhendo e entendendo o que ela pensa e sente. Deixá-la falar sobre é muito importante para conhecê-la. Depois, mostrar caminhos de superação para que alivie os sintomas e desapareça esse rótulo. Ela precisa se libertar daquilo que a faz sentir-se mal.
        Quebrar a rotina também é importante. Experimentar fazer as coisas de outra forma ou em outra sequência, fará com que ela lide com suas expectativas internas e com a sua acomodação, que gera uma falsa segurança.
        Inseri-la em atividades físicas coletivas é um excelente recurso. Ela terá que lidar com as suas demandas internas e com os demais também. Desenvolverá o autorrespeito e o respeito ao próximo.
        Fazê-la dar uma parada nas atividades quando perceber que ela está excedendo os limites também ajudará muito. Gerará uma oportunidade de diálogo, orientando novas formas de resolver a situação sem desgaste de energia e emocional.
        Valorizar mais as qualidades e as vitórias gerará segurança. A segurança trará maior autoestima. Isso é essencial.
        Outro ponto essencial é permitir que a criança desabafe. Permitir falar sobre, chorar, ficar quieta, entender a frustração. FRUSTRAÇÃO!! Precisamos ensinar nossas crianças a lidarem com frustrações, mas este é um outro tema que em breve tratarei aqui.
        






terça-feira, 20 de setembro de 2016

Palestra na Matriz de Campinas - Amor Exigente

















Palestra: Pais e Filhos - Família.












CRIANÇA SE ESTRESSA? SIM!




                      CRIANÇA SE ESTRESSA? SIM!



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Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Este é um assunto que tem me preocupado muito: bebês, crianças e adolescentes apresentando momentos de fúria e nervosíssimo. Você já havia parado para pensar que um bebê também pode se estressar?
No nosso mundo adulto, temos a ideia ou relacionamos estresse a dificuldades financeiras, a um curso que iniciamos, a obrigações familiares e acreditamos, que um bebê ou uma criança, por só dormir, brincar e ir ao berçário ou escola, não tem o menor motivo para vivenciar um estresse.
Então, o que pode estressar este ser que acabou de chegar? Crianças estão como uma antena ou radar, captando tudo ao seu redor. E ao sentir algo acontecendo no ar ou receber os cuidados necessários, como uma troca de fralda ou uma alimentação de uma maneira agitada por parte do cuidador, ela recebe toda essa energia desarmoniosa e fica incomodada. Ela devolve o que recebe.
Estamos recebendo crianças com um grau elevado de ansiedade. Não é preciso ser nenhum especialista para perceber quando uma criança está fora do grau de ansiedade além do nível da normalidade. Crianças que não sabem aguardar sua vez, que não conseguem esperar os pais terminarem uma conversa para responder-lhes, que precisam ser satisfeitas imediatamente, apresentam sinais interessantes para investigarmos. Outro fator de observação do estresse e ansiedade é quando a criança começa a queixar-se frequentemente de dores de cabeça, barriguinha que aperta, enjoos estomacais, coraçãozinho disparado, dificuldade de concentrar-se em atividades simples, que antes eram corriqueiras. Um terceiro aspecto muito importante é uma mudança de comportamento apresentando agressividade. De repente tudo irrita e gera uma ação de devolução agressiva. 
Precisamos analisar com cuidado a criança que apresenta um comportamento repentino, que beira a um ataque de nervos. Para exemplificar, narrarei um exemplo recente. Uma criança se sentiu contrariada e rejeitada pelas colegas. Não conseguiu digerir tal frustração. Sua reação foi, imediatamente, extravasar a sua raiva, descontando fisicamente na colega que ela atribuiu ser a pivô da rejeição. Com uma atitude inesperada e impulsiva, essa criança gritava e batia em sua colega de forma incontrolável. Ao tentar ser contida por um adulto, ela agrediu a adulta também. Nada freava sua ira. Afastada da cena, na tentativa de acalmá-la, ela ainda se sentia muito nervosa e com vontade de agredir. Palavras e gestos eram facilmente gerados por ela. Um vocabulário adulto e muito elaborado. Mostrava-se uma criança culta e articulada. E, para o espanto de todos, a protagonista desta cena tinha apenas 8 anos de idade.
Por que nossas crianças estão tão impulsivas, ansiosas, agressivas e desequilibradas emocionalmente? Precisamos, urgentemente, rever nossos hábitos, repensar nossas atitudes. Se somos seus espelhos, precisamos rever o que temos refletido. Está na hora de buscar mais ações e menos julgamentos e “falatórios”.
E quais são as dicas para evitar essa ansiedade e os ataques de fúrias dos nossos pequenos?  Vamos reviver a sabedoria dos nossos avós.
1-    Proporcione mais momentos ao ar livre. Saia para brincar com seu filho em parques e quintais. Não é levá-los e deixá-los lá e você, de longe, no celular. É brincar com ele.
2-    Conte mais histórias. Deite na cama com ele, no sofá, no tapete, no gramado e conte histórias com as quais ele possa “voar” no imaginário.
3-    Proporcione momentos em que possam se sujar com tinta, lama, grama. Deixe-o sentir texturas e temperaturas em seu corpinho. Tudo isso, uma boa água limpará.
4-    Organize lanches com ele, ou seja, ele o ajudando a preparar. Desperte o paladar dele com sabores saudáveis. Brinque com o momento de produzir o alimento e depois, com o prazer de degustar.
5-    Cante com o seu filho. Cante no carro, no banho, no parque. Permita que extravase através da canção. Deixe soltar a voz. Solte a voz com ele.
6-    Ria muito com seu filho. Ache graça dos desastres e da falta de jeito de ambos. Rir juntos aproxima e dá leveza.
7-    Converse com seu filho. Conversar é também ouvir. Ouça com atenção o que ele tem a dizer. Sentir-se escutado é maravilhoso.
8-    Por último, permita-se ser criança com seu filho. Permita a troca de afeto e amor. Ame seu filho como ele é e o ensine a amá-lo como você é. Menos críticas e mais ajuda mútua.
Que, com estas ações, possamos proporcionar à família menos ataques de nervos e mais ataques de saúde familiar.  


POR QUE ESTAMOS ENVOLVENDO AS CRIANÇAS NO MUNDO ADULTO?

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POR QUE ESTAMOS ENVOLVENDO AS CRIANÇAS NO MUNDO ADULTO? 

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Não é raro ser preciso acolher crianças e adolescente em minha sala com um aspecto bem característico de uma ansiedade ou de uma crise de medo. Basta uma conversa acolhedora que logo vão contando o que estão sentindo no campo físico e emocional.

Não estamos atentos a que as crianças estão participando de uma série de situações que de longe elas não possuem alcance em sua maturidade. Famílias que sequer possuem cuidado em separar ambientes de crianças e adultos.

Muitas vezes me remeto a lembranças da época de quando os pais recebiam visitas e os filhos tinham que ir para outro ambiente brincar. Era uma proteção instintiva ou uma sabedoria por vivência, experiência de vida. Hoje, agimos como se essa privacidade fosse desnecessária. Crianças escutam as conversas dos adultos e ainda se sentem no direito de dar palpite ou são convidadas a opinar.

Toda esta inserção antecipada está produzindo sentimentos e emoções desfavoráveis aos nossos pequenos. Crianças que escutam detalhes da separação de um parente próximo, muitas vezes passam uma noite ou parte dela em claro, pensando na possibilidade dos pais se separarem também. Crianças que presenciam conversas sobre doenças de um ente querido passam a fantasiar com a possibilidade de perder um dos pais também.

Lembro-me de que meus pais me colocavam para dormir assim que era anunciado o início do Fantástico, no domingo. Mesmo no quarto, por muitas vezes eu ouvia a notícia de um meteoro a caminho. Pronto! Era o suficiente para temer o fim do mundo, para chorar por pensar que meus pais morreriam e para morrer de medo do tema musical do programa.

Vejo mesas enormes em restaurantes com até quatro famílias reunidas e as crianças na mesma mesa, ouvindo sobre negócios, “fofocas” de adultos como traições e desrespeito, formando conceitos de relacionamentos conjugais, traições entre sócios, corrupções políticas de pessoas muito próximas, entre outros assuntos. Nem de longe estas mesmas famílias descuidadas estão percebendo que as crianças estão absorvendo todo este conteúdo e “digerindo-o” de uma forma imatura que só pode gerar insegurança na convivência com o outro.

Enquanto participam de tal cenário, as crianças entram em um círculo de pensamento construtivo, passando pela emoção e pela construção do comportamento a curto e longo prazo. O assunto fica latejante em sua mente e ela começa a elaborar aprendizados. Este movimento pode produzir uma ansiedade ou um medo enorme de se relacionar e até de crescer. Crescer significará ser inserido neste mundo apresentado nas rodas de conversas dos adultos.

Enquanto em sua solidão de pensamento, ela reelabora tudo o que ouviu, podendo ativar um conjunto de sensações físicas e emoções geradas pelos conceitos e crenças construídas. Estas emoções podem levar a uma dimensão tão incontrolável que ela passa a não conseguir ser mais forte que o medo produzido. E a sensação aliada à construção de conceitos gera uma resposta emocional de ansiedade, medo e até pânico.

Crianças pequenas têm apresentado palpitações, sudorese excessiva nas mãozinhas e pés (extremidades), dificuldade na respiração, perda de sono no meio da noite ou dificuldade para dormir e choro sem conseguir explicar o motivo.
Muitas vezes todas estas sensações estão trazendo um comportamento regressivo aos nossos pequenos: busca de colo constantemente, pedido para dormir com os pais, queixa de dores e mal-estar na escola, desistência de aulas esportivas e lúdicas, regressão com os cuidados na higiene pessoal e até alimentar.

É muito importante um despertar para os adultos sobre como estamos agindo na frente das nossas crianças. Precisamos leva-las a todos os eventos sociais? Aquela velha conversa de “onde não cabem meus filhos, não nos cabe” precisa ser repensada. “Programa de adulto é de adulto”, parece uma frase óbvia, mas precisa ser repetida muitas vezes.  As famílias precisam proporcionar momentos com as crianças em família e momentos do casal com adultos. Isso é muito sadio para a relação familiar.

É preciso rever alguns hábitos da tal modernidade. Vamos pensar nisso? 



Mamãe, eu não quero mais ser amigo do José.

Mamãe, eu não quero mais ser amigo do José.


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Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Quantas vezes nos surpreendemos com as oscilações dos nossos filhos em suas amizades? De repente o melhor amigo já não é tão interessante, mas inesperadamente a gente escuta: “Mamãe, posso convidar o José para passar o final de semana comigo? ” “Ué, mas você não estava triste com o José ainda ontem? ” “Vai explicar”, indigna-se a mãe.

Eu não vou explicar, vou propor um pensar. Todo esse vai e volta proporciona um amadurecimento na construção social, por isso não podemos ir até “o José” para intervir a favor do nosso filho. Devemos sim fazer o nosso pequeno refletir sobre os acontecimentos que o levaram se magoar com o amigo.

Relacionar traz muito crescimento porque proporciona lidar com prazer e sofrimento ao mesmo tempo. E é assim que nossos filhos irão aprendendo que estamos inseridos em um mundo que não é totalmente bom nem totalmente ruim. E esse movimento revela as diferenças entre eu e o outro ou os outros.

Nossas crianças e adolescentes, quando fazem novas amizades, depositam uma enorme expectativa no mais novo (a) amigo (a), acredita que corresponderá exatamente aos ideais criados em sua mente. O tempo vai passando e a expectativa enorme traz grandes frustrações. E por que isso acontece? Porque buscamos o que desejamos ter no próximo (o imaginário) e não nos permitimos verdadeiramente conhecer e aceitar o outro como ele é e com o que tem a nos oferecer e nos acrescentar. Essa gangorra entre o que espero e o que recebo nos torna reais.

Um outro ponto muito importante é buscar entender o motivo do desencantamento partindo do que você conhece do seu filho e do que você vê no amigo eleito. Explico. Muitas vezes desistimos de alguém por ver nesta pessoa o que chamamos da técnica do espelho. O outro reflete o que eu tenho e é ruim e não consigo lidar com isso. Esta percepção está, no caso dos nossos pequenos, no campo do inconsciente. É como se eu dissesse com o afastamento: “Não consigo lidar comigo mesmo. ” Exemplo: uma criança possessiva que encontra uma amiga a qual também é possessiva. Ela, sendo privada de fazer novas amigas, depara com os sentimentos que o autoritarismo proporciona (privação), que é o que ela faz com as demais amiguinhas. Imediatamente, e inconscientemente afasta a amiga o que a faz pensar em suas ações parecidas.

Acontece que esse movimento é extremamente saudável para o caminhar da vida adulta. 

Quando um adulto conhece uma pessoa, ele também faz projeções e exceptivas e, este vivenciar na infância e adolescência permitirá chegar à vida adulta mais preparado e maduro. Ao apontarmos um dedo para alguém, três outros dedos apontam, automaticamente, para nós. Se determinadas “diferenças” do outro me incomodam tanto, talvez o outro não seja tão diferente de mim, não é mesmo? Daí uma excelente oportunidade de conhecer seu filho. Dialogue sobre os seus incômodos e frustrações em relação aos amigos e o conhecerá muito mais do que pensa. O que ele rejeita no outro poderá ser o que ele nega em seu ser.

Esta reflexão que proponho nos permite repensar até nos nossos papéis. Adultos também chegam à vida amorosa ou social sem perceber que muitas vezes rejeitamos o outro por nos perceber em suas atitudes. Lidar com o que não gostamos refletido no outro não é nada fácil, mas se temos consciência, poderá se tornar terapêutico. E esse movimento consciente permitirá assumir nossos pontos de vistas, sermos integrais assumindo quem somos, não culpabilizar o outro por refletir o que nos incomoda, mas nos voltarmos para dentro de nós e evoluirmos.

Precisamos ajudar os nossos pequenos a entenderem que não precisam deixar de ser eles para estar ao lado de quem escolheu como amigo. Desta forma, o amigo não precisará de ser ele para estar com seu filho. Precisamos desenvolver o conceito de que estou para você, amigo, assim como você está para mim e, juntos, estamos para os outros. Agora imagina quão tamanha riqueza será desenvolvida com este diálogo maduro se agirmos assim, não é mesmo?

Aqui peço uma reflexão diante do que tenho presenciado nos inúmeros lugares que frequento: família, igreja, escola, clube, condomínio, etc. Pais que, basta os filhos reclamarem de um amiguinho, já tomam as dores, rejeitam o amigo e aconselham a arrumar outro: “Filho olha o tanto de crianças que tem aqui. Você não precisa deste amigo que não quer brincar ou fazer o que você deseja. ” Será que não está perdendo uma grande chance de preparar melhor esta criança para vida adulta e tudo o que esta vida envolve? É isso que quero mesmo para o meu filho, uma criança que descarta tudo que mexe com o que ela tem de bom ou ruim dentro de si? E cadê o diálogo? Não desperdicei desta forma uma possibilidade de desenvolver uma relação mais inteira? E para aguçar ainda mais o seu pensar, quero dizer que uma ação impulsiva e de enxergar só o outro e não encarar o seu filho tirará uma grande possibilidade de você conhecer a sua cria. Bom, espero que tenha feito você pensar um pouquinho que neste mundo atual, onde buscamos culpados e desejos satisfeitos você, na verdade, busque uma relação mais inteira com a sua criança, permitindo que ela cresça e você também evolua no seu papel de uma paternidade responsável.





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Canal YouTuber Fabiola Sperandio








Canal do youtube sendo alimentado, mas já dá para assistir alguns vídeos. 

Formação continuada. Aprendendo todos os dias.

Acabei de receber os certificados de mais duas participações em cursos com temas da atualidade.  1- Nova lei do Bullying e como fica a responsabilidade da escola quando ele ocorre entre alunos por WhatsApp. 2- Os desafios para uma comunicação escola-família eficiente. Aprendendo todos os dias😉





segunda-feira, 15 de agosto de 2016

E agora mais essa: “Pokémon Go”




 agora mais essa: “Pokémon Go” 

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


         Vamos falar sobre mais essa novidade que está atraindo as crianças e adolescentes, além dos adultos: caçada ao Pokémon.

         Foi criado um aplicativo que propõe um jogo de captura de Pokémon. Através dos dados do Google Maps "Pokémon Go”, espalham monstrinhos, PokéStops, nos ginásios e pelas ruas da cidade. Eles aparecem aleatoriamente pelo mapa, apresentando um nível de raridade e algumas condições geográficas. Monstrinhos de água, por exemplo, tendem a surgir perto de rios, lagos e mares. A proposta é que a pessoa ande por aí para encontrá-los e capturá-los. E para isso, basta arrastar a pokébola que aparece na parte de baixo da tela na direção do Pokémon encontrado.

       Alguns monstrinhos são mais difíceis de pegar. Mas nada que o treino não resolva. É aí que mora o perigo! O jogo, além de outras “modalidades” e atrações, envolve a pessoa em uma saga difícil de não levar ao vício.

     A liberação no Brasil ocorreu nesta quarta-feira (04.08.16) e no dia posterior, eu já procurei conhecer, entender e alertar para tal aplicativo por ver dezenas de alunos com o seu aparelho de celular nas mãos, andando de cabeça baixa, focados na tela em busca de seus monstrinhos e sua pontuação.
        
      E como lidar com mais esta ferramenta de envolvimento e distração? Como orientar nossos filhos sobre os riscos e consequências?

       Bom, isso não é nada fácil, mas não é impossível. Precisamos, primeiramente, buscar entender o motivo que levou o nosso filho a adquirir o aplicativo e se interessar por ele. O interesse foi: Por que “todo mundo” baixou? Por que sempre se interessou por jogos? Por que faz parte de um equipamento que ele não consegue tirar das mãos? Por fuga das demais atividades? Fuga emocional?

     Entender o interesse permitirá conhecer melhor o seu filho. Conhecendo-o, mais assertiva será a sua ação. É muito importante aproveitar esta oportunidade para trabalhar o autocontrole, a atitude de “Maria vai com as outras”, reforçar regras e valores familiares, impor limites.

          É preciso trabalhar com os nossos jovens que eles que têm que estar no controle de sua vida. Desfocar das tarefas diárias pelo “vício” de capturar esses bichinhos e adquirir pontuação ao ponto de não conseguir focar em mais nada, é muito preocupante. Qualquer dependência deixa de longe a vida saudável que devemos buscar. Hoje dependem do aplicativo e amanhã? O que os dominará amanhã?

          Não podemos fechar os olhos ou achar que esta fase da novidade passará e por isso vamos esperar de braços cruzados como meros espectadores. Vamos encarar esta novidade e transformá-la em crescimento e amadurecimento na relação familiar e no desenvolvimento do nosso filho.

           Crianças de 5 anos relatando que não conseguiram dormir porque estavam “brincando de Pokémon Go” não pode ser encarado naturalmente. Não é saudável este domínio. Temos que ler, entender e atuar rapidamente. 

           Mas e quando as crianças assistem a pais e mães focados na captura do Pokémons? Aí entra o bom senso destes adultos em agirem com maturidade e dosarem esta  “brincadeira” para que não permitam o domínio e ofereçam exemplo. Nada adiantará proibir, criticar se o adulto também está na “onda”. O discurso de que “sou adulto e tudo posso” não cola. Por ser adulto, espera-se que o bom senso e a responsabilidade gritem mais alto que a “moda”. Adultos com atitudes de adolescentes e crianças é outra preocupação que o mundo atual tem nos trazido, mas isso é assunto para outra hora.

          Já encontramos relatos de acidentes e situações desastrosas onde o aplicativo já era liberado: atropelamentos; abandonas de emprego; queda de rendimento escolar.  Espero que as famílias se atentem para isso antes de vivenciarem dores e consequências.