segunda-feira, 15 de agosto de 2016

E agora mais essa: “Pokémon Go”




 agora mais essa: “Pokémon Go” 

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


         Vamos falar sobre mais essa novidade que está atraindo as crianças e adolescentes, além dos adultos: caçada ao Pokémon.

         Foi criado um aplicativo que propõe um jogo de captura de Pokémon. Através dos dados do Google Maps "Pokémon Go”, espalham monstrinhos, PokéStops, nos ginásios e pelas ruas da cidade. Eles aparecem aleatoriamente pelo mapa, apresentando um nível de raridade e algumas condições geográficas. Monstrinhos de água, por exemplo, tendem a surgir perto de rios, lagos e mares. A proposta é que a pessoa ande por aí para encontrá-los e capturá-los. E para isso, basta arrastar a pokébola que aparece na parte de baixo da tela na direção do Pokémon encontrado.

       Alguns monstrinhos são mais difíceis de pegar. Mas nada que o treino não resolva. É aí que mora o perigo! O jogo, além de outras “modalidades” e atrações, envolve a pessoa em uma saga difícil de não levar ao vício.

     A liberação no Brasil ocorreu nesta quarta-feira (04.08.16) e no dia posterior, eu já procurei conhecer, entender e alertar para tal aplicativo por ver dezenas de alunos com o seu aparelho de celular nas mãos, andando de cabeça baixa, focados na tela em busca de seus monstrinhos e sua pontuação.
        
      E como lidar com mais esta ferramenta de envolvimento e distração? Como orientar nossos filhos sobre os riscos e consequências?

       Bom, isso não é nada fácil, mas não é impossível. Precisamos, primeiramente, buscar entender o motivo que levou o nosso filho a adquirir o aplicativo e se interessar por ele. O interesse foi: Por que “todo mundo” baixou? Por que sempre se interessou por jogos? Por que faz parte de um equipamento que ele não consegue tirar das mãos? Por fuga das demais atividades? Fuga emocional?

     Entender o interesse permitirá conhecer melhor o seu filho. Conhecendo-o, mais assertiva será a sua ação. É muito importante aproveitar esta oportunidade para trabalhar o autocontrole, a atitude de “Maria vai com as outras”, reforçar regras e valores familiares, impor limites.

          É preciso trabalhar com os nossos jovens que eles que têm que estar no controle de sua vida. Desfocar das tarefas diárias pelo “vício” de capturar esses bichinhos e adquirir pontuação ao ponto de não conseguir focar em mais nada, é muito preocupante. Qualquer dependência deixa de longe a vida saudável que devemos buscar. Hoje dependem do aplicativo e amanhã? O que os dominará amanhã?

          Não podemos fechar os olhos ou achar que esta fase da novidade passará e por isso vamos esperar de braços cruzados como meros espectadores. Vamos encarar esta novidade e transformá-la em crescimento e amadurecimento na relação familiar e no desenvolvimento do nosso filho.

           Crianças de 5 anos relatando que não conseguiram dormir porque estavam “brincando de Pokémon Go” não pode ser encarado naturalmente. Não é saudável este domínio. Temos que ler, entender e atuar rapidamente. 

           Mas e quando as crianças assistem a pais e mães focados na captura do Pokémons? Aí entra o bom senso destes adultos em agirem com maturidade e dosarem esta  “brincadeira” para que não permitam o domínio e ofereçam exemplo. Nada adiantará proibir, criticar se o adulto também está na “onda”. O discurso de que “sou adulto e tudo posso” não cola. Por ser adulto, espera-se que o bom senso e a responsabilidade gritem mais alto que a “moda”. Adultos com atitudes de adolescentes e crianças é outra preocupação que o mundo atual tem nos trazido, mas isso é assunto para outra hora.

          Já encontramos relatos de acidentes e situações desastrosas onde o aplicativo já era liberado: atropelamentos; abandonas de emprego; queda de rendimento escolar.  Espero que as famílias se atentem para isso antes de vivenciarem dores e consequências. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

EDUCANDO MENINAS EM PLENO SÉCULO 21



EDUCANDO MENINAS EM PLENO SÉCULO 21

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais
Na semana passada postei um artigo falando sobre a educação de meninos nos dias de hoje. Agora, quero refletir com vocês sobre o educar meninas em pleno século 21 e com tudo o que ele oferece.
A chegada de uma menina sempre encanta a família. Logo os vestidos e os laços vão aparecendo em seu closet e o incentivo de se enfeitar e portar-se como princesa é discurso certo dos familiares. Mas será que esse modelo de ser uma princesa é o ideal nos dias de hoje? E o que é ser princesa? Os pais, focados em seus sonhos e modelos, acabam por impor uma série de caminhos que muitas vezes não irão corresponder ao perfil e desejo da filha. A menina de hoje tem apresentando um comportamento de muita independência e desejo de crescer com suas opiniões e escolhas respeitadas, mas isso não significa que temos que acatar e obedecer.
Afinal, ter vontades próprias tão precocemente não é sinônimo de maturidade e sabedoria. As meninas precisam muito da orientação dos pais em sua caminhada. Estamos presenciando pais se afastando da sua obrigação como promotores de reflexões sobre as escolhas, o que geraria amadurecimento para meros obedientes de uma argumentação tão esperta e perspicaz de sua cria. As meninas estão sim mais sábias para dobrar seus pais quando o objetivo é obter um sim para o que pretendem fazer e, acreditem, os pais, por omissão, facilidade ou fraqueza, estão cedendo e empurrando sua filha para um mundo de muita precocidade.
Senti necessidade de fazer o alerta por estar tão próxima desta geração do descompromisso com a reputação, respeito e pudor. Digo isso também baseada em dados. Hoje, estamos nos deparando com meninas cada vez mais jovens com comportamentos que, de longe, deveriam ter na idade de 8 a 18 anos. Com a era digital, a preocupação só aumenta. Meninas estão tão envolvidas com a tecnologia que a sua maior vivência social tem sido virtual. Dessa forma, o empobrecimento na relação, aquela relação que permite amadurecer com a troca presencial entre as amigas, tem ocorrido de forma superficial e muitas vezes leviana, através das redes sociais.
Precisamos estar atentos ao que nossas jovens meninas estão fazendo com aquele aparelho que compramos e colocamos com o mundo em suas mãos: o celular com internet. Precisamos nos perguntar sempre: em que idade minha filha está preparada para receber um aparelho celular que a coloca em contato com tudo e todos? Qual a necessidade de ter um celular? O celular da minha filha é privativo ou compartilhado com a família? O que é privacidade ou a partir de quando devo oferecer privacidade?
As pesquisas atuais trazem dados alarmantes quanto ao uso de celular. Uma pesquisa recente divulgou que de 8 a 10 meninas:
• Enviam uma média de 30 mensagens por dia;
• Publicam uma média de três selfs;
• 53% publicam mensagens e fotos com conotação sexual;
• 26% sofrem bullying virtual;
• 22% mandam nudes (imagens delas sem roupa)
*Fonte: Revista Veja – 20 de abril de 2016.
Quais são os malefícios de toda essa exposição pessoal ou o simples fato de acompanhar a exposição de celebridades e amigas? Vamos lá! Deparamos com crianças de seis anos que se encontram entristecidas por não se sentirem populares. O que é ser popular? Hoje, na cabecinha delas, ser popular é ser requisitada pelas amigas, convidada para todas as festas, ser copiada pelo que usa e ter lideranças em tudo, na escola, família e redes sociais. Ser popular, traduziu uma menina de sete anos, é ser uma celebridade na escola. Vamos pensar! Se adultos muitas vezes não possuem amadurecimento para “ser popular”, imaginem uma criança! E se adultos muitas vezes nos surpreendem com atitudes imaturas por não serem destaque, imaginem uma criança. O que estamos fazendo com a cabecinha das nossas meninas?
Atendi uma garotinha de 10 anos em meu consultório que chorava muito dizendo que a sua mãe não se conformava por ela (a criança) não ter sido convidada para a festa de uma colega cuja família era importante para a mãe dela. Com isso, a criança estava se sentindo culpada pela frustração da mãe. Como poderia ter feito a mãe tão triste por não ter sido convidada, indagava. A mãe tão focada na possibilidade do encontro social não percebia o mal que fazia à filha. Muito menos tinha consciência da mensagem que estava passando a ela, quais valores ela estava aprendendo com essa atitude (tenho que ter e não ser). 
As meninas também estão sofrendo com a ditadura da moda. O que é belo não pode se sobrepor ao que eu tenho de belo. Precisam focar nas suas qualidades: “minha beleza interna faz brilhar o que sou externamente? Infelizmente isso não tem sido aprendido. As nossas crianças estão buscando se vestir como mulheres, querem se expor como atraentes e belas para que sejam notadas. Notadas por quem? Está aí uma preocupação que muitos pais estão deixando passar. 
Outra situação bem comum é assistir a crianças e adolescentes tão focados no que as redes sociais ditam que o estudo tem ficado para terceiro ou quarto plano. Acessar a internet tem sido um vício. Preocupar-se com o que estão vestindo, festas e saídas até para dormir fora de casa tem ocupado o lugar das atividades escolares e extras (esporte, música etc.).
Mas por que isso tem acontecido? Porque estamos incentivando uma vida social que nem sei dizer se é correta no mundo adulto, mas que, com certeza, não aconselho para o mundo das nossas crianças. Comecei a escrever falando sobre a educação de meninas porque embora perceba que muitos meninos têm sofrido com essa tal modernidade são elas, nossas meninas, que têm sido as maiores vítimas da nossa omissão, incentivo à precocidade e, porque não dizer, da nossa irresponsabilidade em não abrirmos os olhos para o que as nossas pérolas estão se interessando e com o que estão se envolvendo.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

SOU PAI/MÃE DE UM MENINO!

SOU PAI/MÃE DE UM MENINO!



Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Existe diferença entre a criação de menino e menina? Você já parou para pensar sobre isso? Quero refletir sobre o que temos ensinado aos nossos meninos. São tantos acontecimentos atualmente que percebo as famílias voltadas para a reflexão de qual tem sido a sua colaboração na criação dos filhos. Falando em meninos, posso destacar com tranquilidade que ao receber a notícia da chegada de um garotinho à família, vários comentários já começam a surgir entre os familiares. Comentários que só são feitos ao gênero masculino: “Segurem as cabritas que o bode chegou”; “Mais um macho para honrar a família”; “Já temos o nosso time de futebol com esse artilheiro”, entre tantas outras frases de comemoração entre os membros do mesmo sexo da família.
Sem perceber, perpetuamos através das frases um comportamento instalado há muitos anos, que nada tem a ver com o momento e a evolução que vivemos, ou deveríamos viver. Um menino, ao chegar, não pode trazer consigo a perpetuação de um comportamento que o faz sentir-se responsável por dar continuidade ao que os adultos do mesmo sexo, às vezes, nem mais acreditam, porém reproduzem falas por tradição. Tradição? 
Precisamos entender o menino de hoje. Primeiro, as famílias e as escolas precisam perceber que os meninos e as meninas possuem diferenças e que as diferenças são comuns entre as pessoas, o que significa que somos diferentes independentemente do gênero: masculino e feminino. Se acreditamos nisso, derrubamos a tradição de determinados comportamentos, como, por exemplo, a escolha da profissão, os tipos de brincadeiras e vocabulários. Meninos e meninas precisam ser criados para:
• Serem gentis com as pessoas. Independentemente se são meninos ou meninas, criança ou idoso, todos merecem respeito e um vocabulário adequado.
• Que ambos sejam importantes, que possuem a mesma capacidade intelectual e podem experimentar o aprender das habilidades e competências. Não é o sexo que determinará se aprenderão ou não determinado conteúdo e sim a dedicação e determinação.
• Serem colaboradores nas tarefas domésticas. Que arrumar uma cama, secar uma louça ou qualquer outra tarefa só os tornará pessoas mais preparadas para vida: morar fora por motivos de estudo; criação de filhos e uma vida matrimonial colaborativa.
• Que entendam que ambos são importantes no mercado de trabalho. Cada um terá a chance de mostrar suas habilidades e competências e colherem o fruto do sucesso. Que não se determina o provedor pelo gênero e sim, pelo momento que cada um se encontra profissionalmente.
• Que a escolha do esporte é por afinidade. Que ambos podem se destacar em qualquer modalidade esportiva e ser respeitados por suas escolhas.
• Que percebam que a sensibilidade não os tornará menos ou mais. Que saibam perceber que podem expressar suas emoções sem julgamentos ou que isso os transforme em um chorão e/ou uma sensível. Que meninos e meninas choram, sensibilizam, são empáticos, solidarizam e que esse conjunto os torna humanos.
• Que meninos e meninas sejam expostos apenas ao que diz respeito a sua idade. Que jamais sejam agredidos com a inserção à pornografia, por exemplo, que não sejam estimulados ao “papel de machão” e “princesa moderna”. Que durante a sua vida infantil até a adolescência meninos e meninas sejam respeitados e não estimulados a relacionamentos: paqueras e namoros (muitas vezes ensinamentos de frases e gestos para meninos “pegarem” meninas).
Enfim, se ensinamos aos meninos os valores éticos e morais, não iremos deparar com jovens e adultos sofridos em relações desastrosas porque não se respeitam e não sabem respeitar. Se a criança cresce estimulada a entender as diferenças além do gênero (masculino e feminino), evitaremos situações de constrangimento entre meninos e meninas, rapazes e moças, homens e mulheres, ao depararem com assédio, deselegância no vocabulário e ações preconceituosas.
 
Meninos precisam ser entendidos e respeitados em suas diferenças. Meninas precisam ser entendidas e respeitadas em suas diferenças. Entender e respeitar as suas escolhas e não impor o como devem se portar, escolher ou tratar o outro. Encontramos, em pleno século 21, pessoas que ainda criam os seus filhos, quando falamos na criação diferenciada de meninos e meninas, como o início dos tempos, lá na idade da pedra. Tenho absoluta certeza de que, ao ler “idade da pedra”, veio a sua memória a cena de um homem arrastando uma mulher pelos cabelos em um sinal de poder e submissão que não pode existir mais. Quem tem um filho, um menino, tem a missão de adequar a sua criação, deixando um legado de respeito e igualdade para que possamos ter um mundo melhor. Que meninos e meninas entendam que estão aptos à convivência saudável neste mundo que muitas vezes apresenta sinais de estar adoecido.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

CONTINUAREI RECONHECENDO MEU FILHO COM O PASSAR DOS ANOS?



CONTINUAREI RECONHECENDO MEU FILHO COM O PASSAR DOS ANOS?



Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais


Foram vários dias pensando naquela mãe. Vários dias refletindo sobre as suas palavras. Refiro-me à mãe do fã que protagonizou uma cena de novela com uma apresentadora famosa. O que leva uma mãe a ser tão surpreendida com um ato repentino de seu filho? Seria algo repentino ou ignorou os sinais? Quais os “nossos pecados” como pais? 
É exatamente essa reflexão que pretendo promover. Um jovem por volta dos trinta anos foi, um dia, uma criança e um adolescente. Todas as nossas atitudes paternas contribuíram de alguma forma para alertar (porém sem sermos ouvidos), camuflar (omissão) ou exacerbar suas atitudes. Um homem de trinta anos já é capaz de responder por seus atos, mas vamos voltar lá na infância. Não me refiro à infância desse desconhecido, mas irei refletir sobre o nosso papel de pais na infância de nossos filhos.
Geramos uma série de expectativas sobre as nossas crias quando nascem. Sonhamos por eles, desejamos por eles e projetamos um futuro promissor para os amados filhos. E dentro desse caminhar, muitas vezes os olhamos com os olhos dos nossos sonhos e deixamos o olhar da realidade de lado. Não queremos ver que algo está os desviando do que foi projetado. E é aí que mora o perigo ou moram os perigos. Primeiramente, precisamos compreender que não podemos projetar os nossos desejos para que o outro os concretize. Quem somos nós para determinar o futuro para os nossos filhos? Esse é o nosso papel? Não! O nosso papel é nortear, conduzir e orientar nossos rebentos em seu caminhar. Mostrar os valores éticos e morais e não os permitir desviarem-se deles. Já quanto à profissão e a outras decisões futuras, precisamos permitir que façam as suas escolhas responsáveis e assumam as consequências. É um grande erro colocar o peso de nossos sonhos nos ombros de quem acabou de chegar a nossa família: o nosso bebê.
 
O segundo grande erro é não querer enxergar que o nosso filho está com um comportamento diferente. Aceitar tudo como: “é o jeito dele”; “Tadinho, ele é tímido”; “Não consegue controlar seus impulsos, preciso aceitar!”; “Fica horas no quarto entretido com a internet, nem dá trabalho.” Educar é diferente de ser legal ou complacente. Há pais que querem ser amigos, “gente boa”, “legalzão” e incluem a aceitação de tudo neste pacote. Pode até ser repetitivo, mas pais precisam ser pais. Primeiro lugar, a missão da paternidade. Com o tempo, os pais também se tornam amigos, desde que a missão maior já tenha sido arraigada na criação.
A mãe citada inicialmente insiste em ressaltar que seu filho era incapaz de protagonizar tal cena. Ela o via como um filho exemplar, pacífico, amoroso, que a levava ao cinema e vivia em casa, no quarto, chamando-o de caseiro e companheiro. Seu amor extremado a impedia de achar estranho um homem de 30 anos ainda permanecer no lar dos pais, não ter emprego e viver só no quarto, na internet. Como tinha atos educados e gentis, era tido como acima de qualquer suspeita de desvio de conduta. Será que ao longo de sua infância não demonstrou comportamentos que poderiam ser vistos como sinal de alerta?
Mas a que devemos atentar no comportamento de nossas crianças?
 
• Seu filho consegue interagir com as outras crianças ou prefere se isolar ou ficar com adultos?
• Tem hábito de contar sobre as suas aventuras escolares ou nos parques ou sempre se incomoda se é indagado de como foi seu dia? 
• É carinhoso com todas as pessoas ou apenas com alguns escolhidos?
• Percebe que age em busca de ganhos secundários ou seus atos são naturais?
• Possui fixação por algum brinquedo e chega a não o dividir ou tem preferência por determinado brinquedo, mas sem ser tão egoísta?
• Percebe que tem uma fala fixa em determinado assunto ou fala livremente sobre tudo?
• Deixa tudo em seu quarto com livre acesso a todos ou às vezes o encontra assustado com uma entrada repentina de alguém?
• Seus aparelhos eletrônicos são divididos facilmente com todos ou se irrita com a possibilidade da aproximação dos mesmos? 
 
• Mantém uma postura cortês com estranhos e em casa se mostra introspectivo e é gentil apenas com um membro familiar (o escolhido)?
 
• Possui falas carregadas de sentimentalismo e insegurança, mostrando até uma atitude possessiva (“não sobrevivo sem você, minha mãe!” ou “se fulano me largar, eu morro!”)?
• Tem atitudes e falas que remetem ao campo fértil do imaginário trazendo algo distante de seu cotidiano?
• Demonstra uma carência enorme mesmo estando em um lar amoroso?
Essas não são regras e muito menos uma receitinha de observação, mas apenas um conjunto de situações às quais devemos ligar o alertar e procurar intervir de maneira efetiva e eficaz para resgatar as nossas crianças e adolescentes para o mundo familiar. Muitos jovens mergulham no mundo virtual e fazem dele o seu mundo. Depois, a qualquer revelação que mostre que a realidade é outra, a desestruturação de sua criação imaginária o desestabiliza, trazendo sérios estragos emocionais.
Muitos jovens entram em redes sociais sem o mínimo de amadurecimento para tal. Não sabem diferenciar o que é real do que é postado. Chegam a se sentirem íntimos de determinadas pessoas por acompanhá-las tão de perto. Muitas vezes até se tornam insatisfeitos com a vida que possuem por acreditar que a vida do outro é muito mais feliz, agitada e recheada de prazeres. Os deveres e os dissabores não são postados nas redes sociais, em sua maioria.
 
Precisamos estar bem próximos de nossos filhos. Questione tudo o que aparecer por parte deles: precisam estar em redes sociais antes dos 15 anos? São necessárias saídas aos shoppings com amigos sem a presença de adultos? Estão preparados para dizer não àquilo que já internalizaram como regras e valores familiares? Precisam dormir fora de casa para se divertirem com amigos (lembrando que não temos garantias do que assistirão no lar alheio)?
Entre essas e outras que, ao deparar com ações inesperadas de jovens de uma classe social onde puderam frequentar bons lugares, tiveram pais presentes e contam com depoimentos de familiares que se mostram espantados com o resultado final da cria conhecida de todos, é que me pergunto: por que permitimos que a emoção se sobreponha à razão no que diz respeito à criação de nossos pequenos? 
Voltando ao caso inicial, como um homem de 30 anos chega a essa idade sem estudo e sem trabalho, só focado na internet e a família ainda vê normalidade? Por que acabamos por fechar os olhos para atitude do amor platônico e não conseguiram ver os exageros postados para apresentadora? De que forma esse adulto conseguiu dinheiro para viajar, hospedar-se e comprar uma arma? Será que não era beneficiado por se portar como bom filho e, talvez, o ganho secundário da mãe diante de um filho amoroso não a fez oferecer tudo o que o mesmo necessitava, gerando a acomodação? O que o fazia ter motivação para cuidar do físico, uma vez que era o único lugar em que tinha assiduidade era a academia? Uma pessoa deprimida por ociosidade não consegue ser disciplinada para exercícios físicos e culto ao corpo. 
São essas e outras indagações que me levam a pensar em como estamos agindo com as nossas crianças. Estamos atuando como pais que motivam os filhos a irem à luta dentro da realidade ou os poupando de enfrentar os deveres da vida por acreditar que precisam ter o que não tivemos? Teremos uma geração de vitoriosos e bem-sucedidos emocional e profissionalmente ou uma geração de jovens focados nos direitos, até mesmo o direito de posse de alguém que ele imagina ser uma pessoa que corresponda a seu amor platônico? Nossos filhos saberão lidar com as frustrações, rejeições e decepções ou farão qualquer coisa para obter a realização dos seus desejos? Será que, quando não frustramos nossos filhos não estamos enviando a mensagem de que são príncipes e princesas e podem tudo?
 
Que possamos aprender com cada episódio que a vida traz. Que possamos aprender diariamente a ser pais mais focados em ensinamentos a curto e longo prazo. Que a permissividade e a cultura do consumismo estejam cada vez mais distante de nossos amados filhos. Que possamos trabalhar o valor moral e ético com sabedoria e maturidade. Que a recompensa seja nunca passarmos por situações como a estampada em todos os jornais e redes sociais, trazendo um dor a todos que ninguém conseguirá amenizar.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Entrevista Rádio Brasil Central - Bloco II Compensando a ausência com o brinquedo. Funciona?


ENTREVISTA Rádio Brasil Central - I Bloco - Brincar é um momento de aprender.






TAREFA DE CASA: QUAL O SEU VERDADEIRO OBJETIVO?




TAREFA DE CASA: QUAL O SEU VERDADEIRO OBJETIVO?

Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Escolhi este tema porque percebo pais muito preocupados em como lidar com a tarefa de casa.  Afinal, para que servem as tarefas de casa? Primeiramente, ela é uma oportunidade de permitir o elo entre a família e a escola. A tarefa de casa apenas ilustra o conteúdo que está sendo trabalhado. Digo ilustra porque a tarefa não consegue mostrar toda a riqueza do desenvolvimento do conteúdo realizado pelo professor, mas permite uma avaliação e a acomodação do aprendizado. Através dela, o aluno perceberá se conseguiu apreender e poderá suscitar as dúvidas para a próxima aula.
O papel da escola é enviar tarefas que permitam a continuidade do ensino e o papel da família é oferecer condições apropriadas para as crianças desenvolverem-nas (local adequado, tempo suficiente, organização dos objetos necessários e verificação se foi realizada). O lema para escola tem que ser “tarefa dada, tarefa corrigida”, porque a tarefa dá a oportunidade de um segundo momento de aprendizagem. Dessa forma, a quantidade de tarefas tem que ser suficiente para o reforço do conteúdo e para o tempo destinado em sala para correção. Qual o sentido de longas tarefas que serão apenas vistadas e nunca corrigidas? 
Acontece que a mesma tarefa que permite ampliação de conteúdo também pode gerar um desgaste familiar. Algumas famílias se estressam tanto com o dever de casa que acabam por afastar os seus filhos do verdadeiro sentido da atividade. Fica tão desgastante que a criança começa a sofrer com esse momento mesmo antes de ele acontecer. Outro aspecto que acaba por gerar conflito entre os responsáveis por esse momento da tarefa e a criança é a dificuldade por parte de alguns pais no domínio do conteúdo explorado. Diante desse quadro polêmico sobre as tarefas de casa, destaco as seguintes dicas:
• Encare a tarefa de casa como uma obrigação do seu filho e não sua. Você, pai, deverá agir apenas como um tutor e não como um professor. Apenas verifique se foi realizada, se houve dedicação, capricho e envolvimento de seu filho com o conteúdo.
• Verifique se a escola está enviando a tarefa de acordo com o planejamento da aula. A tarefa precisa chegar a sua casa com o conteúdo previamente explorado em sala de aula. Explorado o conteúdo significa matéria dada. Jamais tarefa explicada ou feita verbalmente. Percebo profissionais que “mastigam” a tarefa antes de enviá-la para casa, camuflando a verdadeira possibilidade de avaliação da qualidade do entendimento individual do aluno.
• Se seu filho possui dúvida no conteúdo, reenvie a tarefa para escola. O papel de ensinar é da escola. O seu papel de pai é dar suporte à escola: oferecer recursos de pesquisa, ensinar a retomar o conteúdo no livro ou caderno, mas jamais dar uma miniaula ou responder pela criança. Pais que assumem o papel de “ensinante” em casa estão tirando a oportunidade da atenção em sala de aula. Explico! Já ouvi inúmeras crianças que contam que não precisam prestar atenção em sala porque a mamãe e/ou o papai depois ensinarão o conteúdo dado. Ou seja, posso conversar e brincar à vontade que depois tenho “aula” particular com meus genitores.
• Existem tarefas de casa que são elaboradas para iniciação do próximo conteúdo. Essas tarefas geralmente envolverão leitura de um capítulo, pesquisa sobre determinado tema ou entrevista. Elas são motivadoras para a aula. Nesse caso, os pais deverão apenas favorecer o acesso ao tema.
 
A tarefa de casa é um recurso essencial para promover autonomia, desenvolvimento do pensamento crítico, reforço da importância da responsabilidade, ampliação de vocabulário e entendimento dos conteúdos propostos, criação do hábito de estudo e provoca independência e participação cooperativa em sala de aula.

Uma dica muito importante: toda discordância ou insatisfação com a tarefa enviada pela escola de seu filho deverá ser resolvida na escola. Jamais faça críticas à tarefa ou aos profissionais na frente ou para seu filho. A criança precisa confiar na instituição. Autorizar a professora a ensiná-lo é essencial para o seu desenvolvimento acadêmico. Todas as vezes que os pais criticam a instituição ou fazem pontuações negativas à professora, acabam minando essa relação. Famílias maduras poupam seus filhos dos desagrados com a escola e buscam a instituição para esclarecimentos, críticas e sugestões. Lembre-se de que a escola é parceira da família. Juntos irão construir a formação acadêmica e humana da pessoa mais importante de sua vida: seu filho!
Fique atento aos professores que fazem exercícios de fixação antes da prova. Esses exercícios fogem do objetivo da tarefa de casa. Tarefa de casa é de todo dia e promoverá a compreensão do conteúdo. Exercícios de fixação soam como prova antecipada, preparando o aluno para uma fixação do conteúdo e não compreensão/aprendizado. Exercícios de fixação em semana de prova provocam pensar em promover nota, como se a nota fosse o principal em uma avaliação. Um educador consciente sabe que nota é consequência de um aprendizado efetivo. Avaliação é uma possibilidade de avaliar o aluno e se autoavaliar. Afinal, o resultado da turma dará indícios de como foi o alcance daquilo que foi ensinado. Professores que fazem a tão chamada revisão, acabam promovendo acomodação no educando: "Para quê estudar? Depois, presto atenção na revisão ou faço o exercício de fixação, que a prova estará lá." Triste, não?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Momento Ludovica - Bate papo sobre educação.

















FURTOS E MENTIRAS: COMO PERCEBER QUE MEU FILHO TEM TRANSTORNO DE CONDUTA?




FURTOS E MENTIRAS: COMO PERCEBER QUE MEU FILHO TEM TRANSTORNO DE CONDUTA?


Fabíola Sperandio Teixeira do Couto
Pedagoga- Psicopedagoga
Terapeuta de Família e Casais

Durante a infância e a adolescência, nossos filhos experimentam uma série de comportamentos e cabe à família ir pontuando o que é certo e errado. São exatamente essas situações que permitem o educar. 
Acontece que, por mais que estejamos atentos e oferecemos bons exemplos, algumas crianças e adolescentes apresentam um transtorno comportamental que assustam alguns pais. Já recebi muitas famílias indignadas e até incrédulas por enfrentar tais problemas. Encarar a situação é sim a melhor forma para orientar Encarar a situação é sim a melhor forma para orientar, trabalhar e proporcionar a retomada da “rota”. Algumas famílias se assustam tanto com isso que, muitas vezes, demoram a encarar a situação. Elas acabam arrumando uma série de desculpas para explicar a conduta errônea de sua cria, intensificando a situação. Pais que não querem enxergar que o filho está agindo contrariamente a suas orientações impedem a parceria com os profissionais que querem ajudar a família.
E como identificar se meu filho tem tido um comportamento diferente dos princípios familiares? Primeiramente, observando o que ele traz de informações dos ambientes que frequenta e o que ele carrega consigo de materiais/objetos. Exemplo: seu filho tem aparecido com objetos que não pertencem à família? Constantemente ele “acha”, “ganha” ou “troca” objetos? Nesse caso, cheque as informações. Indague sobre a origem e vá atrás da informação. Procure saber também o porquê da necessidade de fazer trocas. Excesso de coisas materiais também deve ser investigado. O que leva o seu filho a querer acumular coisas: apontadores, lápis etc.? Toda situação de acúmulo pode estar escondendo algum vazio interno. De que ajuda ele está precisando? 
Outra situação comum de uma conduta preocupante é o envolvimento constante em pequenas confusões, principalmente se ele sempre se vitimizar: “O outro me provocou”; “Ninguém gosta de mim”; “Juntaram para me bater”. Vá até o ambiente das ocorrências (escola, família, clube, condomínio, igreja) e procure entender o que está acontecendo. Ninguém briga sozinho. Qual a coparticipação do seu filho? Existe mesmo uma injustiça? Como pode orientá-lo para não se envolver ou se defender? 
Observe bem de perto também quando seu filho chega com histórias nas quais acha engraçado algo que não deveria ocorrer: insultos entre colegas; machucados em um esporte; situações que deveriam gerar solidariedade e sentimentos de ajuda alheia. Hoje presenciamos crianças e adolescentes com sentimentos cruéis diante de fatos que poderiam ser mediados para o entendimento ou acolhida.
Reivindicação de direitos sem querer cumprir deveres é outro fator de alerta. Uma criança desde pequena precisa compreender que precisa dar e receber Uma criança desde pequena precisa compreender que precisa dar e receber. Hoje, eles só desejam ser satisfeitos: “Não vou fazer a tarefa, mas quero jogar vídeo game”. Estar atentos às regras e fieis às mesmas é essencial para ir alertando aos nossos pequenos que a vida é feita de uma via de mão dupla.
Baixa tolerância a frustração e incapacidade de enfrentar a realidade diária são uma SIRENE que deve soar alto em nossos ouvidos. A vida não é só doces e brincadeiras. Precisam entender que são crianças, precisam brincar e divertir-se, mas também estudar e colaborar com a família em tudo. Irritabilidade, explosões, birras, gritos, desaforos e até pequenas vinganças não podem ser tolerados. Nesse momento, abaixe até a altura da criança e deixe claro que isso não os convence e não lhes fará mudar de ideia (regras). 
Um comportamento conturbado gera sérios problemas familiares, sociais e acadêmicos, além de favorecer um círculo vicioso e difícil de a criança ou o adolescente combater. Uma criança que percebe que as pequenas mentiras estão funcionando, obtém ganhos e não deseja abandonar tal aprendizado até que enfrentará algo muito grave e ficará perdida na forma de lidar com isso, afinal, sempre funcionou. Uma criança que mexe nos objetos dos colegas e subtrai pequenas coisas vai tomando gosto pela fácil aquisição e depois tem dificuldade de deixar esse hábito. Esse crescente no comportamento pode gerar, mais tarde, algo que deverá sair do campo comportamental e passar para o tratamento patológico. Deparamos com casos terríveis de adultos com transtorno antissocial da personalidade exatamente porque foram desconsiderados os sinais na infância e juventude. 
Se nos colocarmos como educadores dos nossos filhos em vez de advogados e defensores em qualquer situação, poderemos ajudá-los a crescer aprendendo a conviver com tudo o que aparece, incluindo as pequenas tentações de aquisições indevidas, relações conflituosas e vontades impostas.
Crescer não é só físico. Crescer academicamente é fácil: basta colocá-los para estudar e investir em uma boa instituição.Precisamos ajudar nossos filhos a crescer como pessoas íntegras e aptas ao convívio social Precisamos ajudar nossos filhos a crescer como pessoas íntegras e aptas ao convívio social. E somente estando próximos, orientando, cobrando e acreditando que é possível corrigi-los que chegaremos ao sucesso como pais. 
Reforçando: crianças testam seus limites. Se ela percebe que pode levar objetos estranhos para casa que não será checado, que pode mentir que será revalidada, não deixará esse hábito e crescerá carregando esse aprendizado por toda sua vida. Faça-a enfrentar as consequências de seus atos. Levou algo estranho? Faça-a devolver. Trocou um objeto? Converse sobre a troca junto com a outra criança que participou dela. Chegou queixoso sobre algum relacionamento conturbado? Volte com ela até o local e juntos procurem entender o que aconteceu. “Juntos” significa diálogo esclarecedor, reconciliador e educativo. Mostrem-se ao lado dela para conhecer e entender. Em seguida, oriente e aplique, se for o caso, a consequência para alertá-la do que não é aprovado pela família. Esse movimento será muito rico para formação humana dela. Invista! Os frutos virão tão fortes que alimentarão toda a família. 

FURTOS E MENTIRAS: COMO PERCEBER QUE MEU FILHO TEM TRANSTORNO DE CONDUTA?



FURTOS E MENTIRAS: COMO PERCEBER QUE MEU FILHO TEM TRANSTORNO DE CONDUTA?








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quarta-feira, 4 de maio de 2016

NÃO É NÃO. SEU FILHO SABE OUVIR NÃO?

NÃO É NÃO. SEU FILHO SABE OUVIR NÃO?


   É muito comum encontrar famílias com relatos de dificuldades de falar não para os filhos. Os filhos, percebendo a insegurança dos pais ao pronunciarem o não, encontram a brecha necessária para dificultar a negativa dos seus desejos e caprichos. Um não precisa ser mantido. Um não que se transforma em talvez e depois um sim, gera uma sensação de sempre poder dar um jeitinho e conseguir o que quer. Pensar antes de dizer um não é essencial. A criança precisa perceber que os pais são coerentes. Regras claras são essenciais para que seu filho vá aprendendo o que pode e o que não pode. Os filhos aprenderão quais são os valores e as normas da família, por exemplo: “Nem vou pedir para dormir na sua casa, amiga, porque meus pais não permitem que eu durma fora”.
    As decisões precisam ser estabelecidas pelos pais das crianças. Independentemente se os pais estão juntos ou não, estabelecer combinados sobre o que acreditam ser o melhor para criação dos filhos é muito importante. A criança precisa saber que não adiantará recorrer a um dos responsáveis. Isso evitará joguinhos e desentendimentos entre a família.
      O não é educativo e sinal de amor. Dizer não é muito difícil, mas é necessário para a formação dos nossos filhos. Uma criança que escuta não irá aprender o que é certo e errado; saberá lidar com frustrações; entenderá a hierarquia através da obediência e o principal, saberá aplicar o não na hora certa. Esse aprendizado tem que ocorrer no seio familiar.
   
     Criança que não escuta não, não saberá dizer não. Já pensou nisso?

    E qual a hora certa de uma criança aplicar o não aprendido? Quando um amigo a convidar para uma aventura perigosa; ao perceber que está havendo uma injustiça; dirá não ao preconceito e à injustiça; conseguirá frear seus impulsos pelo desconhecido; se defenderá de pessoas mal intencionadas.
      Por outro lado, às vezes geramos uma errônea enxurrada de nãos. Tenho visto algumas famílias oferecerem tantas opções aos filhos como se eles tivessem maturidade para escolher. As crianças ficam muito indecisas. Um dia assisti a uma cena muito interessante. Uma mãe de um menino de 3 anos entrou em uma loja de roupas infantis e disse: “Filho, pode escolher a roupa que você quiser”. A loja tinha muitas araras de roupas expostas. A criança, sentindo-se poderosa, saiu olhando a loja toda. De repente voltou com uma bermuda roxa e uma camiseta azul. A mãe olhou e disse: “Não, filho! Muito feia essa combinação”. A criança largou as peças e saiu pela loja. Voltou com uma bermuda listrada e uma blusa estampada. A mãe fechou o semblante e disse: ”Filho! Não combina isso! ” A criança jogou no chão e saiu em busca de nova roupa. Voltou com outro conjunto e a mãe o reprovou. A criança então ficou muito irritada e mal-humorada. A mãe perdeu a paciência, escolheu algo e saiu arrastando a criança. O que esta cena nos mostra? O comando não foi escolher o que quiser? Foi dada uma falsa liberdade, concorda? Por que a criança não soube escolher? Exatamente porque ela não tem maturidade para fazer escolhas “combinativas” de roupa. Ela escolhe pela cor, pela atração, pela brincadeira do tecido. E nesta hora, o não foi aplicado desnecessariamente, uma vez que a tomada de decisão oferecida deveria ensinar autonomia e gerar maturidade.
     Cada fase tem um tipo de não. Uma criança de até 5 anos precisa receber “nãos” com atitudes perceptíveis imediatamente, consequências. Uma criança de 6 a 9 anos já procura negociar o não e muitas vezes emburra e chantageia se não é atendido. Um adolescente, a partir dos 10
anos, precisa ter o não de uma maneira muito transparente, orientada e justa. Agora, pais, por mais que seus filhos tenham habilidade e competência ao argumentar, o argumento valioso e determinante é dos genitores ou responsáveis por eles. Vocês, que já ouviram ou ouvirão que o pai de todo mundo deixou, lembrem-se: vocês não são pais de todos, porém não se influenciem por esta frase “mágica”. Outra frase que fragiliza muitos pais: “Só vocês são chatos assim!” Recebam como elogio. Pais chatos conseguem mais êxito na vida dos filhos.
     Culpa? Eita palavrinha danada para nos tirar o bom senso e a razão. Não sintam culpa por educar seus filhos. Eduque-os hoje para que não sofram amanhã.
      Algumas dicas importantes para reforçar:
* Ao dizer não, diga pela boca e pelos olhos. Eles farão a leitura corporal e se perceberem que vocês estão inseguros ou com dó, se aproveitarão disso.
* Não é dito através da palavra e do comportamento. Nada de dizer não e depois “disfarçar” este não, fazendo o que eles querem de outra forma. Eles captam, viu?
* Existirão momentos que você explicará o motivo do não e haverá momentos que o não poderá ser seco, sem explicação. Os pais são vocês!
* Precisará existir consequência para os filhos caso não obedeçam a seu não. Deixe claro isso e aplique o que prometeu.
* Por último, reforçando, um não nunca é talvez e nem um sim. Por isso, pense antes determinar o não, ok?
Que possamos entender que, por mais que seja difícil dizer um não para quem amamos, é necessário. E, amando-os, precisamos ajudá-los a lidar com os sentimentos que o não oferece para que cresçam saudáveis e maduros.
      Seja forte! Diga não quando necessário.